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Por decreto, Romênia põe notícias positivas em TVs e rádios

Julho 3, 2008 · Não Há Comentários

Piada do ano (quiçá da história da humanidade): o senado da Romênia aprovou, por unanimidade, uma regulamentação do noticiário de TV e rádio no país. É assim: agora os veículos terão de ter um equilíbrio perfeito entre notícias positivas e negativas.

Daí, supõe-se que 50% do noticiário terá que ser positivo.

O deputado autor do projeto de lei, do Partido da Grande Romênia, justificou a iniciativa dizendo que as notícias negativas “têm um impacto nocivo e irreversível à saúde”. Já um senador, Petre Daea, do Partido Social Democrata, diz que os programas jornalísticos mostram apenas “o ladro escuro da vida”.

Falta agora a sanção do presidente, Traian Basescu. Ele está sendo pressionado pela sociedade a vetar a esdrúxula lei.

Em tempo: recém-aceita na União Européia, a Romênia (dilapidada durante o período em que foi uma ditadura comunista) enfrenta graves denúncias de corrupção e empobrecimento visível da população.

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Faz sentido existirem redações ainda?

Julho 2, 2008 · Não Há Comentários

O fim do jornal impresso em papel já é uma discussão real na profissão. Mas e o fim da Redação (enquanto um espaço físico que reúne jornalistas e equipamentos)?

Será que o avanço tecnológico já não tornou possível o trabalho dos “mojos” (mobile journalists, ou “jornalistas móveis”) longe de um escritório? Afinal, o repórter cobre sua história, escreve, fotografa, faz vídeos e envia ou publica tudo isso por meio do celular ou de uma simples rede wifi.

Logo, o papel da Redação como um centro integrado de informações e também de tecnologia de publicação deixou de existir.

O Editor’s Weblog diz que, para cortar custos, o “The Record in Hackensack“, jornal de New Jersey (EUA), já usa a Redação apenas para o indispensável. Stephen Borg, seu editor, se enxerga num mundo em que os repórteres trabalham todo o tempo fora do escritório.

A conta da economia é o maior ingrediente de convencimento: o “The Record in Hackensack” estima que deixará de gastar, por ano, US$ 2,4 milhões em conta de luz e equipe terceirizada de limpeza, por exemplo.

Aqueles que precisam da Redação como um escritório, para receber uma fonte, por exemplo, fazem uma reserva de mesa, como num restaurante.

Eu, e já faz tempo, acho totalmente desnecessário (ainda mais em cidades-monstro como São Paulo) obrigar as pessoas a se deslocar para usar um computador ou um telefone, coisas que todos possuímos em casa.

Antigamente, você só estava informado se fosse à Redação. O mundo mudou, mas muita gente ainda acha que jornal se faz socando as pessoas dentro de um ambiente insalubre. Tsc tsc tsc…

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A verdadeira convergência

Julho 1, 2008 · 2 Comentários

Roy Greenslade, em seu blog no “Guardian”, aborda hoje um tema interessantíssimo _e que provoca torções de nariz na jornalistaiada profissional. “A verdadeira convergência é entre jornalistas e cidadãos (…). Não há nós e eles”.

Greenslade (ele próprio um jornalista veterano de redações) despeja uma série de conceitos que já conhecemos, como o fim do discurso de mão única e o acréscimo de novos personagens no jogo de construção do noticiário.

O interessante é que ele revela não estar mais tão certo sobre o futuro dessa convivência entre profissionais e amadores. “Antes”, diz Greensdale, “eu enxergava um grupo no centro, rodeado de blogueiros na periferia”.

É o debate do momento. Não são poucos os que acreditam que a mediação profissional no jornalismo seguirá, perene. Mas é fato que a disseminação dos publicadores on-line tirou das mãos destes “mediadores” seu poder monopolista sobre o noticiário.

A conclusão: convidados que fomos, por nosso próprio público, a dialogar, por que resistimos tanto em fazê-lo?

Vi no Tejiendo Redes.

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Parlamento britânico pega o jornalismo on-line no pulo

Julho 1, 2008 · 2 Comentários

Acabo de ver no Twitter de Fernando Zamith um interessante relatório da Câmara dos Lordes (o Parlamento britânico) que clama por mais qualidade no jornalismo on-line do Reino Unido.

Eu também clamaria por mais qualidade daqueles que nos governam, mas o relatório não é de todo absurdo. Por exemplo, cita que os portais da Internet estão completamente a reboque de releases e agências de notícias, publicando _todos_ matérias absolutamente iguais.

Outra constatação dos lordes que é real: “muito do noticiário disponível na Internet (…) não é novo, é reembalado de outros veículos”.

Além disso, Lorde Fowler, relator do documento, cita que a expansão dos serviços jornalísticos on-line não veio acompanhada de postos de trabalho condizentes com seu novo tamanho.

Importante: todas essas observações valem tanto para a Inglaterra quanto para o Brasil. Estamos, portanto, navegando no mesmo barco da mediocridade.

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Automações que envergonham o jornalismo

Junho 30, 2008 · Não Há Comentários

A automação de vários procedimentos, mesmo no jornalismo, é muitíssimo bem-vinda no ambiente on-line. Agora, a edição de notícias e produtos jornalísticos precisa, necessariamente, de seres humanos para não se transformar numa catástrofe.

Vejamos o caso do canal de notícias da American Family Association, uma espécie de TFP deles. Cheio de filtros que substituem automaticamente palavras, trocou o nome do velocista norte-americano Tyson Gay para Tyson “Homossexual”.

O atleta está provocando furor nas seletivas dos EUA para a Olimpíada de Pequim ao correr os 100 m em 9s68, melhor marca de todos os tempos, não homologada depois que se constatou que a velocidade do vento era superior à permitida.

Por aqui, basta olharmos a capa do Google Notícias, onde gente não mete a mão, para capturar vários absurdos de edição _como a presença em destaque, na home page, de um texto sobre a política externa da China absolutamente inchamável em quaisquer circunstâncias.

O jornalismo exige tutano. Mecanismos que funcionam em outras áreas, certamente, não funcionam com a gente, não. E, pior, nos expõem ao ridículo.

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Há 50 anos somos campeões

Junho 29, 2008 · 2 Comentários

Dia de curtir a cria: o especial “Há 50 anos somos campeões” (para assinantes UOL ou Folha), sobre a conquista brasileira na Copa do Mundo da Suécia, em 58.

E a reportagem que envolveu pesquisa e muito tempo: “O herói mora ao lado” (leia na íntegra), sobre o contador uruguaio Lorenzo J. Vilizio. Ele trabalhou na comissão organizadora daquele mundial e evitou que o time brasileiro fosse desclassificado ao numerar, aleatoriamente, nossos jogadores. Sem querer, ele “inventou” a camisa 10 de Pelé…

Ah, dá para ouvir na Folha Online trechos das divertidas marchinhas do disco “Brasil Campeão do Mundo”, lançado no país no dia seguinte ao título. Outro saboroso detalhe multimídia: a rede pública de TV sueca SVT disponibilizou, teoricamente na íntegra, sua transmissão daquela partida, com narração e comentários no idioma original. 

Bom domingo.

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Ao vencedor, a credencial

Junho 28, 2008 · Não Há Comentários

Uma das poucas barreiras que ainda separam o jornalista cidadão (portanto, amador) do profissional do mainstream é a legitimação, o direito de, por exemplo, ter acesso aos jogadores após uma partida de futebol ou ficar próximo ao governador num ato público.

Pois o MySpace (rede social on-line vice-líder em usuários no mundo) organiza um concurso cujo prêmio é uma credencial para cobrir as convenções dos partidos Democrata (entre 25 e 28 de agosto) e Republicano (de 1º a 4 de setembro) que oficializarão as candidaturas de John McCain e Barack Obama à presidência dos Estados Unidos.

Inscrições terminam em julho.

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Jornal bom é jornal na banca

Junho 27, 2008 · Não Há Comentários

Dois meses de muitos ácaros, bolor e poeira depois, finalmente vai às bancas domingo, na Folha de S.Paulo, o caderno especial “Há 50 anos somos campeões”, que tive o prazer de planejar, coordenar, pautar, pesquisar, escrever e até mesmo matar a saudade dos tempos de repórter.

Foi um trabalho de fôlego também dos colegas Rodrigo Bueno e Toni Assis que, tenho certeza, atingiu todos os objetivos: sair do óbvio e descobrir histórias escondidas na inesquecível conquista da Copa do Mundo da Suécia, a primeira da seleção brasileira.

A logística do produto envolveu horas enfiado nos arquivos de Folha, A Gazeta Esportiva e El Pais (48 horas, ou dois dias, para ser mais preciso) e outras tantas lendo conteúdo de outros jornais em CDs. Fora viagens a Suécia, Uruguai e cidades brasileiras. Mais dezenas de entrevistas.

Outro mérito do caderno: descobrimos que existiam íntegras em vídeo de dois jogos daquela seleção (a semifinal, contra a França, e a final, diante da Suécia). As fitas foram analisadas pelo Datafolha, que tradicionalmente faz os scouts de jogos de futebol, e também por Tostão, colunista do jornal e que escreveu um texto tocante.

Daí você me pergunta: e o que o estádio Centenário (foto acima) tem a ver com a Copa do Mundo de 1958? Surpresa…

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Estamos todos deprimidos

Junho 27, 2008 · 1 Comentário

Nós, jornalistas, estamos todos chocados. Deprimidos, para dizer a verdade.

Nem tanto com o passaralho no Grupo Estado, que, fantasiado de PDV (Plano de Demissão Voluntária), ceifou vagas dos colegas com pelo menos 15 anos de serviços prestados àquela empresa.

Bem mais com os rumores, aparentemente verdadeiros, da venda de toda a empresa às Organizações Globo. Uma catástrofe.

A notícia mais atual dá conta de uma reunião de acionistas, com a presença de Ricardo Gandour, diretor de Redação do jornal, em que reiteradas vezes teria sido negada qualquer negociação. Tomara.

Por ora, só o colunista Giba Um cravou a transação (momento nostalgia: convivi com ele entre 1990 e 1992, na redação da “Folha da Tarde”, atual “Agora SP” _figuraça, tinha até uma espécie de mordomo à disposição).

O Estadão é mais do que um patrimônio do jornalismo brasileiro, faz parte da história do próprio país. Só o fato de se cogitar sua venda já nos deixa, a todos os jornalistas, consternados.

Que esse estranho negócio não prospere.

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O Correio do Estudante está no ar!

Junho 26, 2008 · Não Há Comentários

Quase um ano depois de produzido, e por iniciativa de um aluno, está disponível on-line o “Correio do Estudante“, jornal-laboratório produzido pelos alunos do Unifai.

Antes tarde do que nunca.

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