Numa conversa na semana passada com o novo grupo de trainees da Folha de S.Paulo, fui confrontado num determinado momento (era o dia seguinte ao abalo sísmico sentido em São Paulo) com a opinião que, passado o hype, as pessoas se voltavam para a grande mídia em busca de informações apuradas _eu dizia que o microblogging tinha dado o “furo” sobre o tremor.
É, em resumo, a mesma opinião que Francisco Madureira, do Clico, Logo Existo, expressou.
Discordei. Insisto que procura o mainstream quem está habituado a ele _e, idem, fica na blogosfera, microblogging, redes sociais etc quem é usuário deles.
Um estudo publicado hoje na prestigiosa revista New Scientist joga luz num ângulo interessante desta questão.
Analisando dados após duas grandes tragédias nos EUA (os incêndios na Califórnia e o tiroteio em Virginia Tech), a professora Leysia Palen, da Universidade do Colorado, concluiu que os usuários da Internet foram capazes de prover informação fidedigna e relevante de forma mais rápida e precisa que fontes oficiais como a Cruz Vermelha, a Polícia ou os Bombeiros.
No caso do tiroteio em Virginia, a Wikipedia já dispunha, 90 minutos depois dos fatos, da relação dos mortos no massacre _coisa que o serviço público demorou horas para coletar e divulgar.
Nas redes sociais, como o Facebook, idem: informações disponibilizadas tempos depois por órgãos públicos já circulavam em questão de minutos na Web.
E o que o mainstream tem a ver com isso? Simples: paquidérmicos e desconhecedores das funcionalidades da rede, os jornais têm nas fontes oficiais seu objeto quase único de checagem de informações. A mídia que não acompanhou a circulação de notícias pela Internet nessas tragédias também informou mal _e a passos de tartaruga_ o seu público.
É preciso acontecer uma tragédia para que se perceba isso?
5 respostas so far ↓
Ética afrocatólica e o espírito brasileiro (ou por quê falta engajamento na Web social brazuca) « Clico, logo existo // Maio 2, 2008 às 7:27 pm
[...] da colaboração, ou do CGU (Conteúdo Gerado por Usuário). E para continuar a saudável discussão com o Webmanário, tentarei argumentar nas próximas linhas as razões que me fazem crer que as redes sociais, [...]
Ética afrocatólica e o espírito brasileiro (ou por quê falta engajamento à Web social brazuca) « Clico, logo existo // Maio 2, 2008 às 7:39 pm
[...] da colaboração, ou do CGU (Conteúdo Gerado por Usuário). E para continuar a saudável discussão com o Webmanário, tentarei argumentar nas próximas linhas as razões que me fazem crer que as redes sociais, [...]
Ana Brambilla // Maio 5, 2008 às 2:29 pm
Por isso me pergunto, frequentemente: por que empresas tradicionais de comunicação estão tão preocupadas em criar suas próprias redes sociais, numa concorrência suicida?
Ou ainda: qual a moral em publicar uma revista de blogueiros e distribuir em bancas?
Me parece bastante claro que meios impressos e digital têm públicos distintos. E merecem tratamentos diferenciados.
alecduarte // Maio 6, 2008 às 3:57 am
Ana,
revista de blogueiros é como imprimir a Wikipedia.
Agora, eu acredito nas redes sociais como manancial de pautas, diálogo pro-am e instrumento de vigilância. Acho, por exemplo, que o jornal papel tem muito a ganhar se entrar a sério nisso.
abs
O conteúdo feito pelo usuário que os chineses gostam « Webmanário // Junho 13, 2008 às 10:39 pm
[...] Pois bem: hoje o “Diário do Povo”, jornal oficial do país, conta a história do estudante Zhang Qi, que após o terremoto de 12 de maio postou na Web informações sobre uma área próxima a sua casa que poderia servir como heliponto para as equipes de resgate, já que as estradas que levavam à região de Wenchuan tinham sido todas destruídas _é aquela história de as redes sociais funcionarem na hora da desgraça. [...]
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