Existe uma coisa pior do que a entrevista coletiva (essa instituição que pasteurizou o noticiário): a “entrevista sem perguntas” (pode isso?).
Pode. Trata-se de uma declaração oficial, feita por uma personalidade qualquer, que se dirige a um microfone e, cercada de jornalistas, fala o quer sem ser questionada.
A Associação de Imprensa de Madri se manifestou recentemente sobre o assunto, considerando ser desnecessária a presença de jornalistas em eventos deste tipo.
Eu acrescento que a própria entrevista coletiva, via de regra, resolve-se mandando um cachorro com um gravador pendurado no pescoço.
A “entrevista sem perguntas”, óbvio, nem deveria existir. Um comunicado via assessoria de imprensa ou site oficial basta.
A questão por trás desta discussão: a imprensa segue totalmente presa ao declaratório. Esquece-se da investigação, do pensamento associativo e da observação. Escrever textos recheados de aspas é muito fácil. Interpretá-las, ou aprender a viver sem elas, é nosso principal papel.

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