Webmanario

Um dia de Michael Jackson

Junho 26, 2009 · 11 Comentários

Michael Jackson morreu. Isso sim é notícia. É seguramente o morto mais ilustre (no sentido de alcance global) da minha existência como jornalista, iniciada em 1990. Gênio e louco, teve uma relevância incrível.

E foi uma morte, apesar de inesperada, lenta. Começou com a notícia da internação às pressas, após o cantor ser socorrido “sem respirar” por paramédicos. Às 18h06 já havia matérias sobre o assunto, que bombou na web nos minutos seguintes.

Leia notícias sobre a morte de Michael Jackson

Às 19h20, o site norte-americano TMZ, que cobre celebridades, cravou o passamento (é o pior eufemismo possível para morte). O Twitter, essa máquina de rumores que espalha o mal e o bem, tornou celébre o desconhecido TMZ _propriedade da Warner Bros., um cachorro grande do entretenimento.

Eu diria que foi chute, mas tecnicamente tem de ser considerado furo. E coube ao TMZ a primícia. O site, criticado por incentivar o trabalho de paparazzi mas que possui no currículo outros furos, foi quem noticiou primeiro a tragédia.

Em 17 minutos, o Los Angeles Times, em post publicado num blog de música do jornal, dava a mesma informação. O LA Times ainda tentou, numa sacanagem clássica da internet, se apropriar do furo, atualizando a matéria que falava da internação _publicada uma hora e catorze minutos antes (repare no link da URL, que traz o título original e entrega o truque).

Depois, como ficou feio, o jornal colocou um “update” logo após o título (modificado) que sentenciava a morte do astro do pop.

Só quando o LA Times deu, a CNN virou seu título na tela, citando o jornal e falando em morte (até então, o máximo que se tinha chegado era “coma”). Eram 19h43.

Mas faltava a confirmação oficial. Não, não a de médicos ou legistas, num comunicado oficial. Faltava a chancela da imprensa formal. Ela veio apenas às 20h22, quando a CNN confirmou o óbito com fontes próprias e, enfim, assumiu a informação.

O Jornal Nacional já estava no ar, com os apresentadores fazendo o possível para manter em voo um Boeing sem combustível. Só às 20h29, um minuto antes de entrar no ar o programa gratuito do PSDB (escancarando a vocação do partido em ser figurante), William Bonner, citando a CNN, deu a notícia da morte de Jackson.

A parada do telejornal se mostrou providencial. Às 21h01, entrou no ar último bloco do programa, editado de forma bem satisfatória. Repare no final: Fátima Bernardes errou, dizendo que a emissora daria novas informações “a qualquer momento ou no Jornal Nacional”, no que foi socorrida pelo marido, “no Jornal da Globo”, disse Bonner, que foi além: “Estamos todos abalados com a notícia de última hora”.

Pano rápido.

Hoje é o dia de ver como os jornais impressos vão se sair. Minha única certeza é que quem não manchetou com o assunto cometeu um erro grotesco. Dois jornalões não tinham feito isso até a hora que vi… E outro, ainda aguardo confirmação porque só acredito vendo, teria perpetrado “Peter Pan morreu”.

Se você leu essa manchete em algum lugar, me avise com urgência.

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11 respostas Até agora ↓

  • Michaels Jacksons também morrem « Mais pra Opa que pra Oba // Junho 26, 2009 às 11:34 | Responder

    [...] às 10h32 de 26/06: O Alec Duarte explica com mais detalhes como foi esse lance da confirmação “oficial” da morte de Michael [...]

  • Cris // Junho 26, 2009 às 17:10 | Responder

    Adoro conferir as capas dos jornais depois de um grande evento de repercussão mundial.

    Quem manchetou: Folha (SP), Jornal da Tarde (SP), Estado de Minas (MG), Hoje em Dia (MG), Zero Hora (RS), Jornal do Brasil (RJ), A Tarde (BA), Jornal do Commercio (PE), Correio Braziliense (DF).

    Quem não manchetou: O Globo (RJ), Estadão (SP), O Tempo (MG).

  • Rodrigo // Junho 26, 2009 às 18:39 | Responder

    “É seguramente o morto mais ilustre (no sentido de alcance global) da minha existência como jornalista, iniciada em 1990.”

    E o papa João Paulo 2º?

    • alecduarte // Junho 26, 2009 às 19:09 | Responder

      Rodrigo,

      Eu entendo que MJ é mais célebre e relevante que o Papa. Ou não? Ao menos é a sensação que tenho. O papa representa uma religião específica, sem alcance global. Juro que tinha pensado nele antes de escrever…

      abs

    • andreia // Setembro 1, 2009 às 13:21 | Responder

      Rodrigo… amava o Papa… mas não podemos ser passionais… MJ foi sim o mais ilustre do mundo (no sentido do alcance global) pq ele era o homem mais conhecido do Mundo e isso não dá para se negar. Não esqueçamos que MJ se manteve na mídia por quase toda a sua vida… ou seja.. por no mínimo, 40 anos. O Papa era tb muito conhecido, mas não tanto e nem por tanto tempo. MJ foi um fenômeno mundial. Tudo dele era 1º e isso, não há como negar, é apenas constatar nos índices e no Guinness.

  • Com que capa eu vou? « Webmanario // Junho 27, 2009 às 11:04 | Responder

    [...] é diferente de manchetar. A amiga Cristina Moreno de Castro colecionou manchetes e não manchetes sobre o crepúsculo do popstar. Não manchetar com uma notícia dessas é o cúmulo do autismo. É [...]

  • gabriel // Junho 27, 2009 às 12:27 | Responder

    É claro que o editor do TMZ não vai admitir que chutou, mas de qualquer forma o site diz que deu a notícia após confirmação e que conseguem informações sobre celebridades primeiro pois tem muitas fontes entre polciais, enfermeiros etc. ( http://www.guardian.co.uk/media/2009/jun/26/michael-jackson-tmz-scoop )

    quanto à “importância” da morte, concordo que a do MJ é mesmo a mais importantes dos últimos tempos. acho que, para brasileiros, a única que superaria seria a do lula.

  • Karin // Junho 30, 2009 às 1:16 | Responder

    Eu discordo do Gabriel acho q a morte que superaria no Brasil, seria do Rei Roberto Carlos ou do Silvio Santos.

  • mjforever // Julho 26, 2009 às 20:49 | Responder

    Olá publiquei esse texto nos meus blogs, com os devidos creditos. Caso queira retiro.
    http://mjforever.wordpress.com/
    http://mulherpobre.blogspot.com/

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