Dois estudantes franceses faturaram 5 mil euros e um espaço de quatro páginas na prestigiosa revista francesa Paris-Match. Ganharam um concurso da revista para focas com uma fotoreportagem sobre a vida de universitários em Strasbourg.
Nas imagens e legendas, relatam uma vida oca e sem esperança, que inclui até prostituição nas horas vagas para pagar os estudos.
Tudo mentira. Ao receber o prêmio, eles revelaram a farsa. “Pensamos que seria uma boa oportunidade de revelar os mecanismos de um tipo de imprensa que não checa as informações e privilegia o sensacionalismo”, discursaram.
Os personagens da matéria eram todos amigos e representaram papéis.
A Paris-Match pagou o mico, mas cancelou o prêmio.
Poderia ter acontecido com qualquer um. O mundo avança e a tecnologia dota o jornalismo de capacidades que ele nunca teve. Mas detectar uma mentira desse tipo ainda é muito difícil. Pior quando ela feita em nível profissional (lembrei-me de Jayson Blair agora…).
(via António Granado).

6 respostas Até agora ↓
Ana Brambilla // Junho 29, 2009 às 12:06 |
Fantástico caso, Alec! Essa vai para a lista das cartas na manga, ancorada pelo Jason Blair, para os instantes em que me questionam sobre a possibilidade de cidadãos repórteres publicarem mentiras em suas colaborações em noticiários participativos
Obrigada por compartilhar!
alecduarte // Junho 29, 2009 às 12:13 |
Ana,
E é tão fácil, né? Como checar uma coisa dessas? Todos os dias sai algum tipo de invenção publicasda, tenho certeza disso.
bjs
Amanda Camasmie // Junho 29, 2009 às 12:11 |
Alec,
O ato dos estudantes revelou uma falha gravíssima da imprensa, mas discordo em alguns pontos. Por mais que seja importante ao editor (ou no caso, aos avaliadores da premiação) checar as informações, no caso exemplificado só seria possível se os repórteres tivessem deixado o contato dos personagens e fontes. Ou ainda, o endereço do local. Seria um intenso trabalho aos editores (e aos avaliadores) checar SEMPRE a veracidade de todos os personagens. No mínimo, seria atestar a falta de credibilidade do repórter. Quem deve garantir ética e responsabilidade na apuração é o repórter. Sempre! Cabe ao editor norteá-lo quanto a falta de dados e deficiência no texto. Alec, me corrija se eu estiver errada.
Abraços!
alecduarte // Junho 29, 2009 às 12:18 |
Amanda,
Acabei de escrever isso: é absolutamente impossível checar tudo. Portanto, é fácil demais enganar um veículo. O repórter/fotógrafo tem todo esse poder nas mãos. Depende dele, não do editor, a veracidade dos fatos. Não dá pra sair atrás de personagens o tempo todo para confirmar histórias. Jayson Blair, no NYT, aliás, só caiu pq fizeram isso.
Quantos outros estarão agindo impunemente?
abs
Amanda Camasmie // Junho 29, 2009 às 12:24 |
Verdade. Fico imaginando quantos outros estarão agindo impunemente e ainda ganhando todos os louros por suas “belas” reportagens.
É uma pena existir isso no jornalismo. Infelizmente os estudantes ainda precisam aprender muito sobre o verdadeiro papel do repórter. Achei que na França, um país mais politizado que o nosso, conceitos como esse já estavam mais claros. Ledo engano.
Abs Alec!
Como construir uma crítica? « Desconfiando // Junho 29, 2009 às 15:35 |
[...] profissionais ou aspirantes a profissionais cismam em querer cometer o mesmo erro. De acordo com o Webmanario, dois estudantes franceses forjaram uma matéria para faturar o prêmio de 5 mil euros em um [...]