Muito do que Lula tem dito sobre o trabalho da imprensa não só faz bastante sentido como, temos de admitir, está correto.
Como num evento com catadores de papel, na semana passada, quando o presidente disse que a mídia “já não decide mais, porque o povo não quer mais intermediários”.
Eu não diria nem que não quer, mas a verdade é que ele não precisa. O avanço tecnológico e a comunicação em rede permitiu isso, a comunicação direta entre governante e governado. Ou não foi essa a mensagem transmitida por Barack Obama na campanha eleitoral do ano passado?
No mesmo evento, Lula pediu aos repórteres que não interpretassem fatos. Outra recomendação, direcionada a um repórter, que parece correta, não?
Interpretar (diferente de fazer sinapses e mostrar situações) é um papel um pouco mais acima na cadeia produtiva do jornalismo.
Agora, quando diz que o papel da imprensa não é fiscalizar, mas informar, como em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Lula extrapola o bom-senso. É ambos, senhor presidente.
Mas não acho que devemos atirar pedras pelo conjunto da obra de suas opiniões sobre nossa profissão. Pelo contrário, elas estão alinhadas com o planeta Terra em 2009.

5 respostas Até agora ↓
Marcelo Soares // Novembro 4, 2009 às 9:59 |
Tecnicamente, não estão erradas. Politicamente, que é a praia dele, o uso delas é para desqualificar a imprensa, especialmente a que publica material mais crítico.
alecduarte // Novembro 4, 2009 às 10:25 |
Marcelo,
Sim, não entrei nesse mérito, mas todos nós já fomos vítimas desse discurso (especialmente em público) visando ao nosso constrangimento. Mas somos duros na queda. Pode bater, que a gente bate mais. Mas insisto que, na essência, o homem está certo.
abs
Letícia Alves // Novembro 4, 2009 às 11:39 |
Sim, olhando por esse lado, na essência ele está correto.
Assim como na minha área o pessoal tem que se antenar e não ser apenas o bibliotecário que encontra o livro na estante para o usuário.
Abraços!
Salatiel // Novembro 4, 2009 às 13:53 |
Ah, essa provocação está muito boa, Alec, vou meter o bedelho. Olha só, acho que não devemos desconsiderar o contexto político dessas afirmações. “Na essência”, acredito que o papel político do jornalista, de fiscalizar poderes, interpretar fatos (ou conectar; é uma discussão semântica) e criticar nunca esteve tão em voga em tempos de internet. Disseminar informações é que não é mais o core business, digamos, da profissão. O ponto em que acho que o Lula está correto é quando ele pede que as empresas sejam mais honestas nos editoriais, ao invés de editorializar o conteúdo. Abs!
alecduarte // Novembro 4, 2009 às 14:19 |
Renato,
A ideia foi exatamente essa, provocar, hahahaha. Vc já conhece os propósitos camuflados do Webmanario, pô! Mas olha só, não excluo a contextualização política dos pitacos do presidente não, pelo contrário. Mas ainda acho que a gente não pode perder de vista o relato da jornada. Lula (e você) talvez tenham pensado apenas no jornal impresso e diário, mas temos o ambiente on-line e (esse sim) com a obrigação de cravar o hard news nosso de cada dia.
Obrigado pela visita!
abs