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Entries categorized as ‘Altas imagens...’

Idéias tão simples que parecem geniais

Junho 25, 2008 · Não Há Comentários

Na Internet, idéias bastante simples costumam dar ótimos resultados.

Vejam o exemplo do fotolog “The Big Picture“, tocado por um webmaster do “Boston Globe“, um dos primeiros jornais do mundo a ter uma versão eletrônica (acima, uma imagem do planeta Marte que o cara inseriu).

O que ele (Alan Taylor) fez foi nada mais nada menos que mesclar os recursos da boa e velha galeria de fotos, presente em qualquer portal noticioso que se preze, com a praticidade do fotolog.

Sua iniciativa está sendo saudada como uma “grande idéia”, especialmente por ter vindo de alguém que não é jornalista, mas que se preocupou com o noticiário ao sugerir alguma novidade para seu veículo.

O Knight Center amplia a discussão e pergunta: como atrair bons “programadores” para o jornalismo, sendo o salário pago na redação é pífio perto das ofertas que estes profissionais encontram, por exemplo, em empresas de tecnologia?

Eu, mais modesto, questiono a falta que boas idéias fazem ao exercício da profissão. Tanto é assim que Taylor, por mais mérito que tenha, não criou nada. E já foi saudado como uma grande cabeça pensante do jornalismo on-line.

Iniciativa é, de fato, tudo.

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Contatos imediatos

Maio 30, 2008 · 2 Comentários

Fortíssima candidata a foto do ano: índios nunca antes vistos pela civilização, apavorados, empunham arco e flecha e tentam se defender do gigante pássaro de ferro ruidoso e que traz o vendaval. A imagem, registrada de um helicóptero no Acre, é de autoria de Gleison Miranda, da Funai.

Apesar de monitorar o grupo há 20 anos, o órgão desconhece detalhes sobre sua origem.

Uma grande matéria jamais feita, não?

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A foto errada da tragédia idem

Maio 15, 2008 · 2 Comentários

A foto acima é de uma tragédia. Mas da tragédia errada.

Explico: no sábado, o jornalão francês Le Monde (aquele afogado em dívidas que recentemente enfrentou uma raríssima greve de jornalistas) publicou reportagem com o sugestivo título de “Hiroshima: o que o mundo nunca disse”, ilustrada com a chocante imagem de corpos inertes, que o prestigioso Hoover Institution, da Universidade de Stanford, possuía em seu acervo.

Pois bem: a foto não retrata o horror pós-bombardeio de Hiroshima, em 1945, mas a devastação de Tóquio no grande terremoto que atingiu o Japão em 1923. O jornal jogou a responsabilidade pelo erro de crédito para o instituto, e lembrou que um livro do historiador Sean Malloy também mostra a imagem como sendo da hecatombe atômica (Malloy, antes tarde do que nunca, agora busca informações sobre o fotógrafo que registrou a cena).

Para nós, fica a lição: confiar na reputação de institutos e historiadores, como se pergunta o Editor’s Weblog, não é suficiente.  O Museu da Paz, em Hiroshima _que é a referência óbvia sobre o assunto_ foi o primeiro a notar o engano. Nem jornal nem historiador nem instituto procuraram o órgão antes de dar a barriga.

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A roleta-russa da notícia

Maio 3, 2008 · Não Há Comentários

Vi a imagem no blog da Ana Estela e gostei. A imprensa retratada como uma arma _ao mesmo tempo vigiada, por alguém que se supõe ser o público (a ex-audiência, talvez?)

O original é da Ongpi.

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A morte lenta de um jornal

Abril 24, 2008 · 4 Comentários

A edição é sacana _mas a motivação, nobre: o diagramador Martin Gee saiu fotografando a redação do San Jose Mercury News após o fechamento, o que aumenta ainda mais a sensação de terra arrasada.

Digo aumenta porque o jornal tem cortado sistematicamente empregos. No mês passado, o passaralho mandou 50 jornalistas para o olho da rua (mas proporcionou imagens belíssimas, como a da sala, hoje vazia, da ex-editora de Negócios Rebecca Salner).

Veja o ensaio completo de Gee. Completo não porque, como ele próprio diz, “mais demissões e fotos virão”.

Em tempo: o Mercury News é o jornal que abrigou como colunista de tecnologia, por 12 anos, Dan Gillmor, o homem que teorizou o avanço da ex-audiência e o jornalismo participativo _tudo bem, um ano depois de Chris Willis e Shayne Bowman, que não ficaram famosos…

 

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A linha do tempo do principal noticiário da BBC

Abril 18, 2008 · Não Há Comentários

Como se estivesse no rádio (e não, ele estava ao vivo na tela!), o apresentador Richard Baker lê not�cias em 1954

Vi no Jornalistas da Web que o Guardian (provavelmente o dono do melhor site entre os jornais em papel, por isso a distinção no menu à sua direita) pôs no ar uma galeria de fotos que mostra a evolução do cenário do principal noticiário televisivo da BBC.

O especial começa com Richard Baker (o cidadão aqui em cima, ainda pouco ambientado ao vídeo e agindo como se estivesse no rádio) e chega aos pirotécnicos tempos atuais em 28 imagens. Bem legal.

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Com a palavra, a fonte

Abril 9, 2008 · 2 Comentários

Cesar Maia, prefeito do Rio, distribui de segunda a sexta uma newsletter com opiniões, informações sobre sua atuação pública e divagações. Ela, que já foi um blog (daí o pouco feliz, mas engraçado, nome de “Ex-blog”), pode ser assinada aqui.

Alertado por Leopoldo Godoy (que comanda o “8bitsemeio“), resolvi trazer aqui largo trecho do boletim desta terça-feira, no qual o político discorre sobre como enxerga a imprensa e este “novo” meio, a Internet. Vale lembrar que Maia, certamente, tem uma intimidade com o computador que muitos jornalistas (vergonha!!!!) não têm. Há quem diga, inclusive, que ele _em vez de administrar a cidade_ passa o dia diante do laptop.

Enfim, não é esse o propósito aqui. Apenas reproduzo abaixo o que o prefeito escreveu como um registro de uma fonte relevante comentando o nosso trabalho. Alguma coisa observada por Maia é absolutamente verdadeira. E passível de reflexão.

Atualização: só depois me toquei que talvez fosse bacana comentar item a item as opiniões de Maia. Vamos lá? Em bold, minhas intervenções:

PARTE DA IMPRENSA NÃO ENTENDE A INTERNET COMO UM MEIO DE COMUNICAÇÃO!

1. O prefeito do Rio comentava a este Ex-Blog, que achava curioso que sempre que ele responde uma pergunta por e-mail, de TV, Rádio ou Jornal, o veículo cita esse fato: - O prefeito respondeu por e-mail que… Curioso porque nunca dizem que o ministro respondeu por telefone, ou o deputado respondeu num gravador, ou que respondeu cara a cara num restaurante ou em seu gabinete. Por que a internet merece um destaque negativo, ou um “caco” como se fosse uma forma menor de responder a indagação de um repórter?
Hum… será? Dizer que alguém falou a um gravador claro que não, é bobagem, mas alguns jornais têm como padrão informar como se deu a conversação com um entrevistado. No caso do e-mail, pode se tornar informação essencial, pois justifica eventuais questões não rebatidas pelo repórter, naturais num papo pessoal.

2. A internet é um veiculo de comunicação, tanto quanto o telefone e a palavra, e ao mesmo tempo um meio de comunicação como a imprensa. Mas -como sempre- em períodos de mudança de padrão tecnológico, o hábito dificulta a compreensão de quem por anos opera da mesma forma, com saudades da gravata desapertada, da mesinha com papéis, da máquina de escrever, de um telefone que levava horas para chegar ao entrevistado, do bom papo no bar…
Pura verdade. A resistência a mudanças é uma característica do ser humano, não poderia ser diferente com os jornalistas. Ainda há profissionais em “redações de papel” que não checam e-mails (simplesmente por não considerar a tarefa importante) ou que gritam aos quatro cantos que, se fazem papel, fazem on-line, “afinal, jornalismo é jornalismo”. Não é.

3. Para os jornais só vale a entrevista com um gravador na mão e um fotógrafo do lado. Para o rádio só vale a entrevista com um gravador, estúdio ou telefone e a voz ao vivo. Para a TV só vale a entrevista com as imagens editadas do entrevistado respondendo.
É evidente que, para as mídias TV e rádio, as sonoras (declarações gravadas) são essenciais. No jornal papel, recomenda-se gravar todas as entrevistas para segurança jurídica (combater eventuais desmentidos). Na Internet, se eu tiver áudio e vídeo agregado ao texto, terei cumprido ainda melhor meu papel.

4. Na entrevista por e-mail a resposta vai editada e sucinta. Não há pergunta-pegadinha, não há foto, não há imagem editada, não há voz… Mas por outro lado há a vantagem -cada dia maior- de entrevistar, consultar, perguntar, esclarecer, a qualquer hora do dia e da noite. Ontem com equipamentos fixos, os comentários eram de que o entrevistado ficava sentado atrás de um micro, o dia inteiro. Mas esses comentários permanecem num quadro em que os equipamentos são móveis e miniaturizados, com antena e portanto a disposição do entrevistado e do repórter o dia inteiro em qualquer lugar.
É o que comentei no item 1: por e-mail, é mais difícil para o repórter retrucar e corrigir declarações sabidamente equivocadas. Em compensação, a disponibilidade e agilidade citadas por Maia são, até aqui, insuperáveis. Tanto que ele próprio, volta e meia, é pego por um jornalista mais ágil que responde ao mail-resposta com ponderações (Maia se comunica muito por e-mail), não é respondido e cita que sua réplica foi ignorada _ao menos até o horário de fechamento.

5. Num período de transição como ainda estamos por aqui, tudo isso choca e se torna incompreensível para uma cultura tradicional de imprensa. Isso atrasa a comunicação especialmente num mundo rápido. Alguns jornais pensam que a edição do jornal na internet deve ser uma reprodução eletrônica do jornal, quase que como uma cópia página a página. Na verdade o veículo com isso não muda. Todos os jornais do Rio fazem isso, pensando a internet como extensão do jornal. Não é!
Meia verdade: passamos desse estágio já, mas caminhamos lentamente. A Internet chegou aos jornais brasileiros exatamente assim, como a versão on-line da edição em papel. Hoje temos, em maior ou menor nível, atualização diária. Mas ainda grassa nas redações de papel um analfabetismo tecnológico assustador. Tanto que são poucos os veículos que possuem profissionais polivalentes, ou seja, que transitam pelos dois meios.

6. Na edição do jornal na internet com as matérias devem ser listadas verticalmente, sem diagramação, sem leads e ou manchetes ou destaques, o editor é cada leitor pessoalmente. Uma micro-noticia pode ser a noticia relevante para quem lê e não a que o editor daquela página gostaria. A ausência de fotos nas páginas internas na edição internética, rompe com a hegemonia da imagem e garante a hegemonia do texto, do conteúdo e a hierarquização feita pelo consumidor.
Aos trancos e barrancos e de forma oblíqua, Maia toca no ponto que muitos jornalistas (nem os exclusivamente on-line) perceberam: que a edição é, de fato, do leitor. Não apenas por causa do feed, mas pela possibilidade de escolher a ordem a leitura ou procurar o que deseja numa máquina de busca (os atalhos que fazem prever a gradual desimportância da home page).

7. O que hoje é percebido como mau uso do tempo ou ausência física, será em breve o cotidiano da imprensa, com a internet como vanguarda ou pelo menos entendida como meio com características próprias. A agenda externa fechada evita que a presença da cobertura da imprensa dramatize o contato com a população, sempre pronta para dizer o que a faz aparecer no dia seguinte ou no mesmo dia nas páginas, voz ou tela. E aí temos uma caricatura e não um retrato do fato, independente que a avaliação do repórter seja essa ou aquela, para abrir (rádio e jornal), ou fechar (TV) a matéria.
Não entendi nada. E você?

8. A liberdade de imprensa não pode ser vista só, como a liberdade dos meios de comunicação. É também a liberdade dos entrevistáveis que podem escolher seus métodos. Amanhã muitos que ainda não sabem, saberão que perderam tempo nestes tempos de mudança, e que o mundo da comunicação já não era/não é o mesmo.
A tecnologia assegura não só a liberdade do entrevistado, como também a da ex-audiência, cada vez mais dotada de recursos antes exclusivos dos profissionais de comunicação. É o “We the Media” preconizado por Dan Gillmor. Aqui, o prefeito acertou na mosca.

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A morte do escudeiro maltrapilho

Março 31, 2008 · Não Há Comentários

Falamos deles outro dia, quando abordamos a representação do jornalista no cinema, e ontem morreu Dith Pran, fotógrafo cambojano que era o protótipo do escudeiro leal, maltrapilho e disposto a morrer para ajudar seu parceiro jornalista. Um personagem que virou clichê nos filmes dos anos 80, mas que neste caso era verdadeiro.

Pran foi tradutor e faz-tudo do jornalista do The New York Times Sydney Schamberg, enviado ao Cambodja em 1975 para cobrir o golpe que colocou no poder o marxista sanguinário Pol Pot. Como conhecia os atalhos, Pran levou o repórter americano a locais onde se acumulavam caveiras e corpos (como mostra este documentário).

Impedido de deixar o país (só Schamberg pôde sair do Cambodja, e lamentou para o resto da vida ter deixado o amigo para trás), Pran foi preso e torturado por quatro anos, até que se conseguiu passar por um iletrado camponês (o regime de Pol Pot matava as pessoas que pareciam esclarecidas) e fugiu para os EUA, onde acabou contratado pelo NYT e criou uma fundação para ajudar as famílias das vítimas do genocídio.

Da cama do hospital, onde lutava contra o câncer, Pran deu uma entrevista ao NYT poucos dias antes de morrer.

É uma coincidência, já que na quarta passada, e também de câncer, morria Philip Jones Griffiths, fotógrafo que teve papel importante na Guerra do Vietnã.

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Fotos que mudaram o mundo

Março 29, 2008 · 1 Comentário

O Horror da Guerra 1

Rolou na quarta, mas só fiquei sabendo hoje: morreu Philip Jones Griffiths, aos 72 anos, de câncer. Lambe-lambes de luto.

Também, o cara foi “o” fotógrafo. Sua cobertura da Guerra do Vietnã para a agência Magnum ajudou a mudar os rumos do conflito quando expôs na cara dos americanos as atrocidades que estavam sendo cometidas do outro lado do mundo.

Mas a minha imagem predileta do conflito vietnamita no qual os EUA meteram indevidamente o bedelho é essa aí de baixo, feita por Eddie Adams para a AP. Há um documentário em que ele conta o horror da execução (com direito à cena completa, que também foi filmada) a sangue frio perpetrada pelo chefe da Polícia Nacional do Vietnã do Sul, Nguyen Ngoc Loan.

O Horror da Guerra 2

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Cabe tudo na Internet, mas precisa organizar, né?

Março 27, 2008 · Não Há Comentários

Multidão ouve jogo do Brasil transmitido pela Rádio Nacional na Copa de 58

Uma coisa insuperável da mídia Internet é que ela comporta absolutamente todas as outras. Costumo dizer que é um “tudo em um”. Nela cabem jornal, revista, livro, TV, rádio…

Só que as coisas precisam ser organizadas. Um exemplo: olhem que bacana a iniciativa da Rádio Nacional-RJ, por ocasião dos festejos dos 50 anos da Copa de 58 (ganha pelo Brasil).

A emissora (que era a TV do Globo da era do rádio, dominando o país de norte a sul como uma superpotência informativa e de entretenimento) disponibilizou áudios, fotos, textos e vídeos com transmissões de jogos daquela seleção brasileira que encantou o mundo.

Agora tentem encontrar as coisas no blog montado especialmente para abrigar o acervo. Tarefa dura: tudo desorganizado. Os áudios (que são o prato principal, afinal estamos falando de uma emissora de rádio) não aparecem com protagonismo e estão perdidos lá no pé da página.

O destaque principal são vídeos que, evidentemente, não foram produzidos pela rádio na época. Basicamente, colagens de filmes oficiais + coisas pescadas nos sites de compartilhamento de vídeos.

Tudo muito legal, confiram. Mas que a bagunça da sala de estar tornou uma baderna quase incompreensível. E, pior, relegou o que tinha de mais legal (as narrações que reuniam milhares de pessoas em torno do rádio, como se vê na imagem lá de cima, tomada na Cinelândia, no Rio).

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