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‘As empresas não são o jornalismo’, diz correspondente veterano

Novembro 27, 2009 · 2 Comentários

Ex-correspondente do espanhol El Pais em Londres, Paris, Nova York, Washington e Roma, Enric González, 50, é um sábio.

Olha só o que ele disse ao receber um importante prêmio jornalístico das mãos do príncipe herdeiro em seu país. “Não dá mais para confiar nas grandes empresas, elas têm outros interesses. Os jornalistas é que deverão se organizar em cooperativas, sociedades, o que for, para continuar fazendo informação. As empresas não são a imprensa”.

Lapidar.

Tudo bem que, na sequência, ele protesta contra as “vozes desconexas” da web, uma insinuação ao suposto “caos informativo” advindo do uso cada vez maior da rede.

Nesse ponto, meu querido González, não vai ter jornalista que segure.

Ele diz ainda que o jornalismo do futuro será aquele que os jornalistas quiserem. Outra bobagem: será o que o público quiser. Já é assim, é inexorável. Ou não haveria editores de mídia social pululando em tantas redações, não é mesmo?

Mas a noção de que pessoas são maiores que as instituições, essa sim está corretíssima.

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Uma pequena descrição sobre o papel do curador de conteúdo on-line

Novembro 26, 2009 · 9 Comentários

Há tempos eu tinha determinado a mim mesmo escrever algumas linhas sobre o trabalho de curadoria de conteúdo na web, um aspecto novo e que me parece altamente relevante com o buzz das mídias sociais e sua integração cada vez maior ao nosso cotidiano.

Vai daí que encontrei uma descrição, feita por Rohit Bhargava, que considerei bem próxima da conceituação que daria ao termo “curador de conteúdo”.

Numa tradução livre, é essa:

“Especialistas preveem que, num futuro bem próximo, o conteúdo na web irá duplicar a cada 72 horas.

A análise pura e simples de um algoritmo não será mais suficiente para encontrar o que estamos procurando.

Para satisfazer a sede das pessoas por bom conteúdo em qualquer assunto que você possa imaginar, precisaremos de uma nova categoria de trabalho individual, de alguém cujo trabalho não seja produzir mais conteúdo, mas contextualizar e dar sentido a todo o conteúdo que os outros estão criando.

Alguém que encontre o conteúdo mais relevante e o passe adiante. Essas pessoas são os curadores de conteúdo, que coletarão e compartilharão coisas, fazendo o papel de “editores cidadãos”, publicando antologias altamente valiosas de material produzido na rede.

Esses curadores trarão mais utilidade e ordem às mídias sociais. Ajudarão, ainda, a estabelecer uma nova sistemática de conversação entre empresas e consumidores baseada em conteúdo de valor, e não mais apenas na criação de mensagens publicitárias.”

Coisas para o presente imediato que são legais para a gente ir pensando seriamente.

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Qual o destino dos blogs, simplesmente acabar?

Novembro 25, 2009 · 6 Comentários

Qual o futuro dos blogs? É uma discussão importante, especialmente num momento em que as redes sociais estão, em boa medida, tomando o lugar dos diários pessoais e inserindo a conversação num aspecto verdadeiramente público e de duas mãos.

A conversa foi um dos temas centrais do World Blogging Forum, encontro realizado na segunda quinzena de novembro em Bucareste (Romênia).

Três conclusões básicas: os blogs, em sua maioria, não serão rentáveis; os governos e o poder político entrarão com força total nessa seara tentando utilizar a plataforma em seu benefício; e as redes sociais, com o Twitter na linha de frente, representarão uma ameaça à relevância da ferramenta.

Esta última, aliás, já se nota: há tempos os comentários se mudaram dos blogs para as redes sociais, O público discute em tempo real as observações/divagações dos blogueiros, sem precisar passar pela moderação no próprio blog gerador do conteúdo.

A blogagem em países não democráticos, porém, tende a manter sua importância especialmente na esfera externa, onde o resto da informação é blindada e nunca chega, ou demora muitíssimo a chegar.

Quem nos conta esse relato é Darío Gallo, editor geral do noticioso argentino Perfil.com.

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Jornalismo financiado pelo público chega à grande imprensa

Novembro 18, 2009 · 6 Comentários

O jornalismo financiado pelo público finalmente chegou à grande imprensa. Cerca de 100 doadores colaboraram com dinheiro para que se concretizasse reportagem de Lindsey Hoshaw, publicada pelo New York Times, sobre a catástrofe ambiental provocada pelo lixo numa região bem específica do Oceano Pacífico.

A proeza é do Spot.us, organização sem fins lucrativos que aposta na ideia de que os leitores são os maiores interessados no trabalho jornalístico e, logo, teriam interesse em bancar reportagens.

Foi a entidade, criada por Dave Cohn após ganhar uma bolsa de US$ 370 mil, quem intermediou a negociação com o Times e garantiu a publicação da matéria numa vitrine privilegiada.

O jornalão se interessou de imediato pela reportagem, mas, como sempre, desde que não metesse a mão no bolso.

É um grande dia para os que acreditam, como eu, em novos modelos de financiamento para o combalido jornalismo.

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Nós, os leitores e o filho secreto de FHC

Novembro 17, 2009 · 14 Comentários

A minha ficha só caiu depois de ler, na seção de cartas de um jornal, um leitor intitulando-se “otário” por só agora ter ficado sabendo que o ex-presidente FHC teve um filho fora do casamento, ainda antes de ser presidente, com a jornalista Miriam Dutra, da Rede Globo.

Claro, o Brasil não é a França, onde casos extraconjugais de políticos são certos, sabidos _e não noticiados. E muito menos os Estados Unidos, onde por muito menos que um filho um presidente quase perdeu o cargo (é verdade que por mentir acerca de seu relacionamento com uma estagiária da Casa Branca, não pelo affair em si).

Será que de fato tratamos como idiotas os nossos leitores durante esse tempo todo? A informação sobre o filho secreto de FHC era, afinal, de interesse público?

Não importa, o fato é que nas redações o assunto era corrente há muitos anos, como uma busca despretensiosa no Google confirma (role a página e leia a nota ‘Conivência: não é bem assim’). Antes do Plano Real eu já sabia disso, pra você ter uma ideia. Estou falando de 1993…

E, mesmo assim, negligenciamos, deliberada ou inadvertidamente, uma informação que, anos depois, fez pelo menos um leitor se sentir um otário.

Eu não sei você, mas eu sinto que fracassei.

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Um formato inusitado para jornais impressos

Novembro 13, 2009 · 6 Comentários

jornal_vertical

Ideias novas são sempre bem-vindas.

Vem da Holanda, capitaneada pela Telegraaf (um dos gigantes do ramo de jornais e revistas no país), uma sugestão para facilitar a leitura dos diários em ambientes densamente povoados, como o transporte público.

O jornal vertical, de fato, parece ser o formato que melhor resolveu o problema de virar as páginas de uma publicação (o vídeo acima é autoexplicativo).

Tudo bem que as demonstrações deste tipo de produto são sempre caricatas e mais próximas de uma comédia pastelão.

E tudo bem também que o jornal impresso, ainda mais na Europa, está cada vez mais distante das mãos das pessoas em trânsito.

Até porque o celular resolve essa parada com muito mais rapidez e otimização de espaço.

Mas boas ideias são sempre boas ideias.

A dica é da Adriana Salles Gomes e de seu ótimo Update ou Die.

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‘O Abraço Corporativo’ é porrada pedagógica na imprensa

Novembro 12, 2009 · 1 Comentário

O jornalismo bem que poderia não ser mais o mesmo depois do documentário “O Abraço Corporativo“, que acompanha a trajetória de um incógnito consultor de RH e sua ideia estapafúrdia rumo ao estrelato e à agenda dos grandes meios de comunicação (veja o trailer).

O filme é uma porrada na nossa, como bem pontua André Deak, imprensa “sem critérios”, que engole com facilidade histórias que diariamente são vendidas com ou sem assessoria profissional por gente que quer apenas aparecer.

Ary Itnem, o protagonista do filme, é evidentemente um personagem, e o tal abraço corporativo (que ajudaria a melhorar o clima nas empresas) jamais existiu. O nome do consultor, por sinal, é uma clara alusão à palavra “mentira”, mas ninguém notou.

Assim, Ary virou matéria e foi entrevistado por veículos do calibre de Folha de S.Paulo, CBN, TV Record, O Globo, Band, Veja em São Paulo etc…

Coisas assim precisam ficar eternamente na memória para a gente questionar a nossa vulnerabilidade.

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Por que os jornalistas merecem ganhar tão mal?

Novembro 11, 2009 · 4 Comentários

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo recomenda à categoria que aprove o consentimento à proposta de 5,45% de reajuste oferecida pelos patrões _trata-se de reposição da inflação, apenas e então somente.

O problema é que o piso muitas vezes é o teto. E também é burlado, como é frequente no jornalismo on-line com a contratação de “assessores técnicos” com salário inicial ainda mais baixo.

Hoje as urnas de um plebiscito comandado pela entidade percorrem mais redações da cidade. A adesão à proposta significa elevar para R$ 2.900 e pouco o piso para sete horas de jornada da profissão.

Imediatamente me lembro do texto de Duílio Ferronato, arquiteto com boas incursões no jornalismo e assustado com o que se paga para os jornalistas _muitas vezes, nada.

E na sequência remeto-me aos pensamentos de Robert G. Picard na já clássica “Por que os jornalistas merecem ganhar mal“.

Se for pra ficar nesse estado de coisas, não sairemos disso.

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Algumas considerações sobre o Enade

Novembro 10, 2009 · 2 Comentários

Questão 38 – Discursiva

Considere as linhas editoriais a seguir:
I. Jornal popular, geralmente criticado por ser sensacionalista, inventar e/ou omitir fatos e preocupar-se apenas em faturar, aumentar a tiragem, publicar notícias irresponsáveis, atrair e agradar certo público-leitor.
II. Jornal de grande porte, considerado mais responsável, por vezes esquece o verdadeiro interesse pela informação, manipulando a notícia em favor de outros interesses empresariais, financeiros, comerciais, etc. E, assim, poder incorrer em muitos erros.
Compare as linhas editorais, aponte as principais inconsistências desses veículos e proponha uma inovação que signifique avanço na relação mídia e sociedade.

Esta questão do Enade específica para o curso de Jornalismo desatou a loucura em meios acadêmicos e profissionais. Colegas, como o professor Nilson Lage, viram manipulação ideológica no teste.

“Cada uma das afirmações dadas como corretas representa uma posição da esquerda reacionária que pretende dominar a consciência das pessoas reproduzindo métodos nazistas e stalinistas: punir quem não concorda, até que o sujeito aceite para não ser punido e termine aderindo”, afirmou Lage.

Bem, a primeira conclusão que se pode tirar da prova é que ela ruim. Como quase todas, escrita num português que não é corrente. Os enunciados são oblíquos, vertiginosos, esfumaçados.

Outra conclusão bem objetiva sobre o teste é que ele foi bem abrangente. Falou de dispositivos móveis, blogs corporativos, assessoria de imprensa, Código de Ética, rádio e TV, direito na internet…

Não enxerguei ideologia no questionário exclusivo aos alunos de Jornalismo. Houve uma citação desairosa a Veja, é verdade (o delicioso caso Boimate), mas apenas para dar combustível às teorias da conspiração.

Mas… e a questão 38?

Pra mim ela é uma obra de ficção. Um exemplo inventado, digo.

Porém todos os jornais, em algum momento, passam pelas situações descritas. Mas isso jamais seria uma diretriz editorial.

Reclamar dessa questão é, claramente, assumir uma carapuça (aliás, apontar esse viés em qualquer aspecto da prova é assumir um fracasso, ainda que intelectual e pessoal).

Mas voltando ao assunto: um veículo jornalístico com essas premissas não sobreviveria à primeira esquina.

É essa a resposta correta, diga-se.

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A volta de Jayson Blair. E numa aula de ética

Novembro 7, 2009 · 1 Comentário

“Eu me lembro de ter cruzado essa linha e dito para mim mesmo ‘cara, eu não vou fazer isso de novo. Amanhã, voltarei para o lado do bem e farei as coisas como se supõe que elas devem ser feitas’”.

A frase é de Jayson Blair sobre um deslize cometido logo após os ataques de 11 de setembro, quando inventou o nome de um personagem de uma reportagem. Segundo ele, teria sido a primeira mentira de uma série que levou sua carreira à ruína.

Responsável pelo maior escândalo da história de 158 anos do New York Times, Blair foi demitido em 2003 após confessar que havia inventado aspas, fatos e personagens. Atualmente ele trabalha numa clínica psiquiátrica onde também se submete a tratamento.

Ontem, voltou a circular num ambiente jornalístico ao palestrar para estudantes da Universidade Washington e Lee, em Lexington, numa cadeira sobre ética.

É sempre bom manter vivo na lembrança o caso Blair e suas consequências.

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