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Piada do ano (quiçá da história da humanidade): o senado da Romênia aprovou, por unanimidade, uma regulamentação do noticiário de TV e rádio no país. É assim: agora os veículos terão de ter um equilíbrio perfeito entre notícias positivas e negativas.
Daí, supõe-se que 50% do noticiário terá que ser positivo.
O deputado autor do projeto de lei, do Partido da Grande Romênia, justificou a iniciativa dizendo que as notícias negativas “têm um impacto nocivo e irreversível à saúde”. Já um senador, Petre Daea, do Partido Social Democrata, diz que os programas jornalísticos mostram apenas “o ladro escuro da vida”.
Falta agora a sanção do presidente, Traian Basescu. Ele está sendo pressionado pela sociedade a vetar a esdrúxula lei.
Em tempo: recém-aceita na União Européia, a Romênia (dilapidada durante o período em que foi uma ditadura comunista) enfrenta graves denúncias de corrupção e empobrecimento visível da população.
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Nós, jornalistas, estamos todos chocados. Deprimidos, para dizer a verdade.
Nem tanto com o passaralho no Grupo Estado, que, fantasiado de PDV (Plano de Demissão Voluntária), ceifou vagas dos colegas com pelo menos 15 anos de serviços prestados àquela empresa.
Bem mais com os rumores, aparentemente verdadeiros, da venda de toda a empresa às Organizações Globo. Uma catástrofe.
A notícia mais atual dá conta de uma reunião de acionistas, com a presença de Ricardo Gandour, diretor de Redação do jornal, em que reiteradas vezes teria sido negada qualquer negociação. Tomara.
Por ora, só o colunista Giba Um cravou a transação (momento nostalgia: convivi com ele entre 1990 e 1992, na redação da “Folha da Tarde”, atual “Agora SP” _figuraça, tinha até uma espécie de mordomo à disposição).
O Estadão é mais do que um patrimônio do jornalismo brasileiro, faz parte da história do próprio país. Só o fato de se cogitar sua venda já nos deixa, a todos os jornalistas, consternados.
Que esse estranho negócio não prospere.
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Estou desatualizadíssimo: Vlado Taneski, o jornalista acusado de matar três mulheres (suas reportagens sobre os casos tinham tantos detalhes que chamaram a atenção da polícia da Macedônia), morreu na cadeia. Aparentemente, dizem os policiais, foi suicídio.
Com ele, morre também a principal reportagem sobre o caso.
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Sensacional: a polícia da Macedônia prendeu um jornalista sob a acusação de ter assassinado três mulheres.
A pista: suas reportagens sobre os crimes incluíam detalhes que, na opinião da polícia, só mesmo o assassino poderia conhecer.
Vlado Taneski, 56 anos, trabalhava para o “Utrinski Vesnik“. Seu editor, Ljupco Popovski, se disse chocado com o andamento das investigações, lembrando que o repórter, na década de 80, conquistou diversos prêmios jornalísticos.
As mortes ocorreram em 2005, 2007 e 2008. Todas as vítimas foram encontradas estranguladas, nuas e amarradas com fios telefônicos.
Como disse a Ana Estela, por favor, não use esse método de apuração.
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A Polícia carioca diz ter identificado os torturadores de equipe de reportagem do jornal “O Dia”, capturados em 14 de maio enquanto faziam matéria especial sobre a milícia armada que tomou conta da favela do Batan, no Rio.
Reforço minha dúvida: e a responsabilidade de “O Dia”, como é que fica? Você acha seguro autorizar que três funcionários criem personagens, façam papel de polícia e infiltrem-se por duas semanas numa comunidade subjugada por um grupo paramilitar?
Não, nem a melhor matéria pode sobrepujar o bom-senso.
A repórter era experiente em cobertura de polícia, e o fotógrafo adorava retratar o morro. O motorista até agora não se entende porque foi exposto. Se ele não desempenhava esse papel na missão, por que foi incluído na representação?
Hoje, a vidas destas três pessoas, quase interrompida por um ato de barbárie, está paralisada. Vivem como foragidos num país do continente, enquanto suas famílias temem _com toda justificativa_ pela própria segurança.
Eu imagino como deve ter sido a concepção dessa pauta, o debate dentro da redação, a logística, o envolvimento dos protagonistas.
Óbvio, ninguém foi obrigado a nada. Mas é fato que não se pode bancar uma aventura dessas, há um limite para o exercício da jornalismo. “O fato, ocorrido há duas semanas, só foi divulgado agora para garantir a integridade física dos envolvidos”, diz Alexandre Freeland, diretor de Redação de “O Dia”, em nota oficial.
“Garantir a integridade física dos envolvidos”, na minha língua, é impedir desvarios.
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Repórter, fotógrafo e motorista do jornal carioca “O Dia” foram brutalmente torturados quando faziam reportagem sobre o o poder das milícias _grupos formados por militares que gradualmente estão expulsando traficantes de favelas da cidade, mas impondo ainda mais terror aos moradores.
A agressão ocorreu no dia 14 de maio na favela do Batan, invadida há pouco menos de um ano. O jornal tornou a história pública neste sábado, dizendo ter sido cauteloso para preservar a integridade física de seus funcionários e as investigações policiais.
Tim Lopes não pode ser apenas uma ocorrência num site de busca. Definitivamente, jornalista não possui treinamento em operações especiais. Coincidência macabra: é amanhã, 2 de junho, o aniversário de seis anos do assassinato do produtor da TV Globo.
A questão aqui é: quem autorizou a permanência de uma equipe de profissionais, por 14 dias, numa comunidade sob fogo cruzado (expulsa da favela, a ADA tenta a todo custo restabelecer sua hegemonia)?
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Calma: essa é a constatação de uma pesquisa feita na Inglaterra pelo British Journalism Review. No Brasil, aferições semelhantes têm constatado que, embora baixa, a credibilidade da profissão mantém a estabilidade.
No caso inglês, pudera: foram muitos os casos embaraçosos envolvendo jornalistas britânicos nos últimos meses, a começar pela trágica cobertura do desaparecimento da menina Madeleine McCann (que culminou com indenizações milionárias pagas pela mídia aos pais da garota, acusados de terem culpa no cartório).
Houve ainda o constrangedor caso do repórter Clive Goodman, do tablóide News of the World, condenado à prisão em janeiro após interceptar mensagens de celular de várias figuras públicas, entre elas três membros da família real.
Depois, Peter Fincham, da BBC 1, foi obrigado a pedir demissão por causa da péssima edição do documentário “Um ano com a Rainha”, que cometeu diversas impropriedades.
Resultado: hoje, 49% dos entrevistados não confiam nos jornalões (The Times, Telegraph e Guardian), e 83% duvidam das notícias publicadas pelos tablóides (como Daily Mirror e The Sun).
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A foto acima é de uma tragédia. Mas da tragédia errada.
Explico: no sábado, o jornalão francês Le Monde (aquele afogado em dívidas que recentemente enfrentou uma raríssima greve de jornalistas) publicou reportagem com o sugestivo título de “Hiroshima: o que o mundo nunca disse”, ilustrada com a chocante imagem de corpos inertes, que o prestigioso Hoover Institution, da Universidade de Stanford, possuía em seu acervo.
Pois bem: a foto não retrata o horror pós-bombardeio de Hiroshima, em 1945, mas a devastação de Tóquio no grande terremoto que atingiu o Japão em 1923. O jornal jogou a responsabilidade pelo erro de crédito para o instituto, e lembrou que um livro do historiador Sean Malloy também mostra a imagem como sendo da hecatombe atômica (Malloy, antes tarde do que nunca, agora busca informações sobre o fotógrafo que registrou a cena).
Para nós, fica a lição: confiar na reputação de institutos e historiadores, como se pergunta o Editor’s Weblog, não é suficiente. O Museu da Paz, em Hiroshima _que é a referência óbvia sobre o assunto_ foi o primeiro a notar o engano. Nem jornal nem historiador nem instituto procuraram o órgão antes de dar a barriga.
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Existe uma coisa pior do que a entrevista coletiva (essa instituição que pasteurizou o noticiário): a “entrevista sem perguntas” (pode isso?).
Pode. Trata-se de uma declaração oficial, feita por uma personalidade qualquer, que se dirige a um microfone e, cercada de jornalistas, fala o quer sem ser questionada.
A Associação de Imprensa de Madri se manifestou recentemente sobre o assunto, considerando ser desnecessária a presença de jornalistas em eventos deste tipo.
Eu acrescento que a própria entrevista coletiva, via de regra, resolve-se mandando um cachorro com um gravador pendurado no pescoço.
A “entrevista sem perguntas”, óbvio, nem deveria existir. Um comunicado via assessoria de imprensa ou site oficial basta.
A questão por trás desta discussão: a imprensa segue totalmente presa ao declaratório. Esquece-se da investigação, do pensamento associativo e da observação. Escrever textos recheados de aspas é muito fácil. Interpretá-las, ou aprender a viver sem elas, é nosso principal papel.
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Um rio separa duas redações em Washington. O inusitado é que falamos de um mesmo jornal: o Washington Post. Para ele, a convergência passou longe. Não está nem sequer nos planos da empresa, ao menos a médio prazo, unificar as equipes impressa e on-line.
Não que a distância física _no caso, são alguns quilômetros, com o rio Potomac como divisor simbólico_ seja impedimento para o trabalho integrado entre as plataformas. Apesar de tendência mundial, não é a regra no Brasil, por exemplo.
Agora, o que está acontecendo no Washington Post, conforme relato imperdível do jornal semanal Washington City Paper, é surreal.
A matéria começa com um exemplo emblemático: em fevereiro, duas repórteres da versão impressa trabalhavam numa história de maus tratos e descalabro administrativo num hospital militar da cidade que tratava de soldados feridos no Iraque e no Afeganistão.
O jornal publicou a primeira reportagem sobre o caso (viraria uma série especial) em 18 de fevereiro. Pois bem: na noite da véspera, um vídeo em que Dana Priest (uma das repórteres) narrava como ratos e baratas tinham feito do hospital seu hábitat foi ao ar na Internet. Não no Post, mas no site da rede de TV NBC, para quem a jornalista também colabora.
O caso revolve um rancor freqüente: muitos jornalistas de papel ainda vêem os sites de seus veículos como concorrentes. Termos como “eles”, para se referir aos profissionais do on-line da mesma casa, são freqüentes, lá e cá.
Para o Post (não só, por sinal), o abismo entre suas equipes significa custos extras que, em tempos de orçamento apertado, são injustificáveis. Traduzindo: é comum o jornal ter dois repórteres numa mesma pauta. Exatamente como ocorre no Brasil.
Casos como o do Post não são uma argumentação definitiva pró unificação _deve haver coisas boas na separação, tanto que o jornal de Washington é um dos mais inovadores e criativos da web.
Mas servem pra fazer a gente pensar.
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