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Entradas categorizadas em ‘Vida de jornalista’

O dia em que o jornalismo derrubou o Orkut

Novembro 28, 2009 · 5 Comentários

Interpretações equivocadas de dados de pesquisas pululam diariamente na imprensa mundial. Quase nunca, eu diria, se trata de manipulação. É ejaculação precoce mesmo. E é bacana quando não é um jornalista, mas um consumidor de notícias, quem pega a gente no pulo.

Acompanhe como Luiz Yassuda relata, no Brainstorm 9, seu périplo em busca da correção de um post do blog do Portal Exame, que se ancorou num levantamento da E-Life para afirmar que o Orkut não é mais a mídia social mais acessada no Brasil (!).

Além de ter detectado um empate técnico entre a rede social e o Twitter, Yassuda cruzou dados de outras pesquisas e descobriu que a amostra do trabalho da E-Life privilegia eloquentemente as classes A e B.

Diz ele: “Ninguém perguntou ao pessoal da classe C (sendo que 46% deles acessam diariamente a internet e, segundo dados da Telefônica, já formam mais de 30% da base de Speedy e 80% das vendas atuais do serviço de banda larga) qual é o serviço que eles usam mais”.

E, claro, basta dar uma volta por algumas lan houses de bairros periféricos para detectar que a esmagadora maioria está, claro, navegando pelo Orkut _eu me pergunto até quantos deles conhecem, ainda que apenas de nome, o microblog.

Yassuda conclui dizendo que há uma tentativa da imprensa se transformar o Twitter no serviço mais popular do país. Não creio. Acho que o microblog ainda provoca buzz. E que é mais fácil vender uma matéria em cima dele.

Desde que esteja correta, claro. Muitas vezes, nossa própria percepção no dia a dia é a melhor arma contra esse tipo de coisa.

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‘O Abraço Corporativo’ é porrada pedagógica na imprensa

Novembro 12, 2009 · 1 Comentário

O jornalismo bem que poderia não ser mais o mesmo depois do documentário “O Abraço Corporativo“, que acompanha a trajetória de um incógnito consultor de RH e sua ideia estapafúrdia rumo ao estrelato e à agenda dos grandes meios de comunicação (veja o trailer).

O filme é uma porrada na nossa, como bem pontua André Deak, imprensa “sem critérios”, que engole com facilidade histórias que diariamente são vendidas com ou sem assessoria profissional por gente que quer apenas aparecer.

Ary Itnem, o protagonista do filme, é evidentemente um personagem, e o tal abraço corporativo (que ajudaria a melhorar o clima nas empresas) jamais existiu. O nome do consultor, por sinal, é uma clara alusão à palavra “mentira”, mas ninguém notou.

Assim, Ary virou matéria e foi entrevistado por veículos do calibre de Folha de S.Paulo, CBN, TV Record, O Globo, Band, Veja em São Paulo etc…

Coisas assim precisam ficar eternamente na memória para a gente questionar a nossa vulnerabilidade.

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O conflito existencial entre a relevância jornalística e o interesse da audiência

Novembro 5, 2009 · 4 Comentários

Acaba de sair um estudo na Suécia que coloca sobre a mesa uma porção de questões interessantes sobre a nossa profissão. A conclusão é que os jornalistas vivem um eterno conflito existencial entre o interesse do público e o que consideram verdadeiramente notícia.

Recentemente conversei com Pablo Pereira, editor-executivo na web de O Estado de S.Paulo, sobre o quesito audiência. E a posição dele é clara: que o jornalista não pode estar preocupado com o alcance do que relata, ou melhor, em entrar numa disputa clique a clique nas matérias que escreve.

O que deve prevalecer, diz Pablo, é nossa noção profissional do que é relevante e deve ser destacado e priorizado.

Há uma pontinha de arrogância numa declaração como essa, mas eu tendo a concordar em grande parte com ela. Valorizo como poucos a importância de se ouvir a audiência e dialogar com ela, mas isso não exclui nossa responsabilidade de, sim, e enquanto houver esse modelo de distribuição de notícias, apontar o que é importante.

Ulrika Andersson, do Departamento de Jornalismo e Comunicação de Massa da Universidade de Gotemburgo, resume bem a situação. “Geralmente, os jornalistas sentem que é importante responder àquilo que a audiência quer, mas ao mesmo tempo eles frequentemente não sabem realmente do que se trata”.

Para muitos, bastam os dados de acesso às notícias on-line do dia anterior.

E eu pergunto: será?

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O Valor Econômico e a fonte que não fala ‘nem a pau’

Outubro 12, 2009 · 8 Comentários

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Às vezes, coisas que escrevemos em documentos que deveriam ser particulares (como rascunhos em nossas pastas pessoais ou mesmo o texto da pauta do dia, que costuma _e deve mesmo_ ser mais informal) acabam vazando, e por ene motivos.

valor_nemapauNo caso do jornal impresso, é um caminho sem volta. Publicou, está eternizado.

Aconteceu na semana passada com o Valor Econômico, que numa reportagem sobre o interesse da Telefónica na aquisição da operadora GVT (empresa-espelho da Brasil Telecom) relatou que Fernando Antônio França Pádua, chefe interino da Superintendência de Serviços Públicos da Anatel, “não fala nem a pau”.

Como disse Ancelmo Gois, “acontece nas melhores famílias”.

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Conversas sobre a publicação pessoal

Outubro 11, 2009 · 3 Comentários

Sexta-feira ministrei a primeira parte da conversa sobre publicação pessoal e o jornalismo para os trainees da atual turma de treinamento de Folha de S.Paulo, a 48ª da série.

É aquele papo que os jornalistas, normalmente, não estão muito dispostos a ouvir: que temos de deixar o pedestal e assumir que o público, graças ao avanço da tecnologia, tem à disposição as mesmas ferramentas que nós.

Os slides da aula

O roteiro de links (senha: webma)

Mais: que público, fontes, empresas e governos estão publicando o tempo todo na internet, muitas vezes mais do que nós próprios, dispensando definitivamente a mediação da imprensa para se comunicar entre si.

É um estado irreversível contra o qual não adianta espernear. Infelizmente, ainda é mínima a compreensão, no jornalismo profissional, de que essa situação força a convivência com todos esses jogadores e, mais do que isso, o diálogo entre todos nós que, hoje, desempenhamos essa tarefa extraordinária que é apurar/difundir/analisar notícias.

Espero que essa nova geração que chega agora às redações entenda o recado.

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EUA endurecem regras para posts patrocinados

Outubro 9, 2009 · 1 Comentário

A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) tomou uma decisão importante no que diz respeito ao uso desenfreado do post pago na blogosfera, o popular jabá.

A partir de agora, qualquer pessoa que possua um blog precisa notificar claramente seu leitor se o texto que escreveu avaliando produtos e serviços foi motivado por dinheiro ou presentes de fabricantes e fornecedores.

A medida vale ainda para comentários em mídias sociais, talk-shows no rádio, tv e internet e anúncios em geral. Quem não aderir à transparência poderá ser multado, informa o The Wall Street Journal.

É claro que o FTC tenta ser mais realista do que o rei (como identificar o autor de um comentário, por exemplo?), mas o conceito da decisão é acertado.

Eu acho, inclusive, que ela deveria ser estendida ao jornalismo, que até hoje não informa com retidão ao seu público quando um jornalista publica uma matéria viajando a convite _ou aceita outro tipo de presente.

Dizer “o jornalista fulano de tal viajou a convite da ciclano company” não resolve o problema. A questão é que os textos publicados após viagens só foram parar numa página porque um jornalista ganhou uma viagem. Não houvesse farra, não haveria “pauta”.

Ainda creio num sistema que exponha claramente os objetivos por trás de uma reportagem publicada ou levada ao ar por veículos jornalísticos.

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Super-Homem no divã: o problema é Clark Kent

Outubro 2, 2009 · 1 Comentário

"Eu estou ótimo, mas o Clark Kent não consegue encontrar um jornal que esteja contratando" (charge da New Yorker)

"Eu estou ótimo, mas o Clark Kent não consegue encontrar um jornal que esteja contratando" (charge da New Yorker)

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A ética jornalística e as filhas góticas de Zapatero

Setembro 26, 2009 · 6 Comentários

Os casais Obama e Zapatero e as filhas do premiê espanhol, que chocaram pelo visual gótico

Os casais Obama e Zapatero e as filhas do premiê espanhol, que chocaram pelo visual gótico (a foto foi pixelizada para proteger as menores)

É o debate da vez na Espanha: vários meios de comunicação se aproveitaram de um descuido (ou seria do excesso de transparência?) da equipe de comunicação de Barack Obama, que divulgou uma foto em família do mandatário americano e do premiê espanhol, José Luis Zapatero, numa visita ao Metropolitan Museum, em Nova York.

Minutos após enviar a imagem ao mundo, a Casa Branca solicitou aos meios de comunicação que a foto não fosse publicada porque os pais das duas garotas (de 15 e 13 anos) que aparecem no instantâneo queriam proteger sua intimidade. Os pais eram, naturalmente, Zapatero e a mulher, Sonsoles Espinosa.

Imediatamente, a agência EFE (que é espanhola) embargou a cena. Mas, com várias redações já de posse da fotografia, era de se esperar que ela acabasse publicada, o que provocou a ira do líder do governo espanhol.

O pior é que a providência da EFE, dizem na Espanha, só foi tomada após uma ligação de gente ligada ao governo. A Agência nega, dizendo-se cumpridora da Lei do Menor _apesar de, no mesmo dia, ter distribuído uma foto de Louis Sarkozy, de 12 anos, filho do presidente francês.

A censura aliada à novidade (as meninas tinham sido fotografadas uma única vez, em 2004), mas principalmente o visual das garotas (gótico e, digamos, fora de moda), suscitou chacota e, claro, fotomontagens e outros gracejos. Prato cheio para a internet e seu poder de comunicação instantâneo.

É um caso que tem uma série de ângulos. O jornalismo avançou o sinal? É justo, do ponto de vista jornalístico, sustentar este tipo de acordo com personalidades? Até que ponto uma pessoa pública consegue proteger seus familiares desse tipo de assédio? Não teria sido mais fácil não levar as filhas a um evento que, naturalmente, seria fartamente fotografado? Respostas difíceis de dar, mas bem bacanas de discutir.

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Socorro, frente parlamentar defende volta do diploma de jornalismo

Setembro 25, 2009 · 8 Comentários

Estou me perguntando aqui qual a contrapartida que 184 deputados e 12 senadores receberão por compor a tal frente parlamentar em defesa da exigência do diploma de jornalismo para o registro profissional.

Pior, o grupo diz ter a capacidade de propor uma “lei de transição” entre o vazio com a acertada decisão do STF (o ruim é o vazio, a imprensa sem lei) e o modelo que desejam impor, o da volta da reserva de mercado, do pedaço de papel como passe para exercer a profissão _um curral inaceitável.

Tem gente de todos os partidos na jogada, o que é excelente (economiza saliva em qualquer discussão de botequim).

A universidade, enfim, deu um passo adiante e sugeriu mudanças efetivas nos cursos de graduação e posteriores. Afinal, caiu o diploma, não a profissão e, menos ainda, a formação.

Deixemos deputados e senadores pra lá.

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Ponto pra gente: ‘os jornalistas tinham de ser atirados no meio do rio’, diz funcionário público flagrado em delito

Setembro 22, 2009 · 8 Comentários

“Nós somos a mosca na sopa” já dizíamos tantos jornalistas muito antes da campanha publicitária da Folha. Por motivos óbvios, eu parei.

Mas como é bom ver a reação dos que tiveram a sopa estragada por nossa vigilância. Hugo Jenefes, conselheiro do tribunal de contas da província argentina do Chaco, perdeu a compostura diante de matéria dando conta que permitiu, ao arrepio da lei, o funcionamento de uma creche estatal.

“Tem que fazer como dizia o general Juan Domingo Perón: ou todos os jornalistas são funcionários do estado, ou que sejam postos numa canoa e atirados no meio do rio”, disse Jenefes. Que depois contemporizou. “Venho de uma família de jornalistas e tenho vários amigos jornalistas. Jamais diria que é necessário matá-los”.

Mais uma sopa quentinha e gostosa jogada no lixo. Ponto pra gente.

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