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Um formato inusitado para jornais impressos

Novembro 13, 2009 · 6 Comentários

jornal_vertical

Ideias novas são sempre bem-vindas.

Vem da Holanda, capitaneada pela Telegraaf (um dos gigantes do ramo de jornais e revistas no país), uma sugestão para facilitar a leitura dos diários em ambientes densamente povoados, como o transporte público.

O jornal vertical, de fato, parece ser o formato que melhor resolveu o problema de virar as páginas de uma publicação (o vídeo acima é autoexplicativo).

Tudo bem que as demonstrações deste tipo de produto são sempre caricatas e mais próximas de uma comédia pastelão.

E tudo bem também que o jornal impresso, ainda mais na Europa, está cada vez mais distante das mãos das pessoas em trânsito.

Até porque o celular resolve essa parada com muito mais rapidez e otimização de espaço.

Mas boas ideias são sempre boas ideias.

A dica é da Adriana Salles Gomes e de seu ótimo Update ou Die.

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‘Inventing LA’ mostra o poder que o jornal impresso já teve

Outubro 28, 2009 · 2 Comentários

inventing_LA

Inventing LA é um documentário do premiado diretor Peter Jones que conta a fantástica história da família Chandler, que há quatro gerações dá as cartas no Los Angeles Times, um dos jornais mais importantes dos Estados Unidos mesmo hoje, quando centenas de demissões tolheram postos de trabalho em sua redação.

É extraordinário como são parecidas as trajetórias de herdeiros do ramo do jornalismo. Neste caso, eles são vistos como espécies de heróis que, à frente do periódico, foram atores principais da transformação da pequena cidade em metrópole global.

Quem conhece como se faz linguiça, entretanto, é incapaz de não perceber a metodologia daqueles que estiveram à frente da publicação com um impressionante poder e influência sobre a sociedade.

Tempos que não voltam mais.

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Alguns segredos (?) do videoblog

Outubro 15, 2009 · Deixe um comentário

As plataformas para distribuição e compartilhamento de vídeos nunca foram tão fáceis de manipular. Mais uma benesse do avanço tecnológico que, claro, o jornalismo tem se apropriado _ainda de maneira tímida e aquém de suas possibilidades.

Leah Betancourt, que é gerente de comunidades digitais do jornal americano Star Tribune, de Minneapolis, aborda um aspecto importante em texto publicado pelo Mashable: a produção de conteúdo, especificamente no formato videoblog, tão antigo quanto o YouTube mas que, infelizmente, ainda tem sido deixado de lado pelo jornalismo profissional (ressaltem-se as exceções de praxe).

Pior para o jornalismo profissional, porque as pessoas estão fazendo experimentações e, turbinadas pelo avanço tecnológico, muitas vezes conseguem resultados melhores do que os que se observam no mainstream.

 Da produção à distribuição, as dicas de Leah são valiosas para se começar (pra quem ainda não começou) a pensar seriamente no assunto e em novas narrativas jornalísticas, praticamente o tema da semana no Webmanario.

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A tirania do texto na internet

Outubro 10, 2009 · 5 Comentários

texto_internet_video_michael_gold

Tenho conversado bastante, com o jornalista e professor Alberto Cairo, sobre o que ele denomina de “tirania do texto” nas narrativas jornalísticas na internet. É fato: são pouquíssimas as iniciativas que apostam em outras peças do jogo para contruir um relato noticioso.

Nós, jornalistas, parecemos ter um pouco de medo de nos livrarmos dos caracteres que decifram uma história jornalística. Provável sinal de que ainda não estamos seguros ao usar recursos visuais como o vídeo e infografias. Tirando as exceções de praxe, somos conservadores. Demais.

Mas Michael Gold, da editora que publica, entre outras, a revista PC World, tem uma visão bastante específica sobre o assunto. E coloca o texto acima de tudo. Segundo ele, a audiência é “preguiçosa, egoísta e impiedosa”. Gold cita um dado impressionante da navegação em home pages: que ela não passa de 30 segundos por usuário até o próximo clique. É nosso público querendo chegar o mais rápido possível ao ponto que lhe interessa.

Para isso, o texto é fundamental. E o argumento se baseia na busca, feita por palavras. E a busca é o principal acesso a tudo na internet hoje.

Num vídeo muito curto (menos de dois minutos), ele mostra algumas opções para satisfazer a essa audiência. Como usar títulos em no máximo 65 caracteres, e imagens menos pesadas nas páginas (evidentemente para acelerar o acesso ao conteúdo).

É aquela história: nada é certo ou errado. Tudo pode ser usado num determinado momento. Eu sou um dos defensores do jornalismo visual e de novas experimentações. Mas é inegável a clareza e objetividade que o (bom) texto podem proporcionar aos nosso clientes.

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O cara que derrubou a mesa ao vivo

Setembro 5, 2009 · 1 Comentário

O jornalista Ney Gonçalves Dias despenca com uma mesa ao vivo, no pioneiro programa TV Mulher: sim, nós também falhamos

O jornalista Ney Gonçalves Dias despenca com uma mesa ao vivo, no pioneiro programa TV Mulher: sim, nós também falhamos

Sábado virou um pouco um dia do estranho, do bizarro e do inesperado no Webmanario _por sinal, essa deixa “estranho, bizarro, inesperado” era do programa Acredite se Quiser, exibido pela extinta TV Manchete nos anos 80.

Com o ator Jack Palance como anfitrião, a série exibia anomalias como comedores de bolas de sinuca e maridos de elefantas, mas também competentes reconstituições dos passos de personalidades históricas.

Na mesma época, eu também assistia (era um casa, a minha, cheia de seres humanos do sexo feminino) a TV Mulher, programa segmentado da Globo pioneiro na televisão brasileira.

A imagem daí de cima mostra um momento, que vi ao vivo, marcante para quem, já na época, queria ser jornalista: Ney Gonçalves Dias, que era justamente a voz mais jornalística do programa (se bem que Marília Gabriela ia bem, e Clodovil roubava a cena), simplesmente despencou com uma mesa em pleno ar.

Posso garantir que, quem via pela TV, ficou constrangido à máxima potência.

Foi quando percebi que nós, jornalistas, somos falíveis.

E como nossa imagem é nossa própria credibilidade.

Pra mim, Ney Gonçalves Dias virou o cara que derrubou a mesa ao vivo.

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O direito de resposta mais célebre da história do jornalismo nacional

Agosto 22, 2009 · 11 Comentários

Visivelmente constrangido, Cid Moreira lê direito de resposta de autoria de Leonel Brizola

Visivelmente constrangido, Cid Moreira lê direito de resposta de autoria de Leonel Brizola

Fez 15 anos, praticamente incógnito, o direito de resposta mais célebre da história do jornalismo brasileiro: em 15 de março de 1994, visivelmente constrangido, Cid Moreira (que por 27 anos esteve à frente da bancada do Jornal Nacional) leu texto de 440 palavras que a Justiça obrigou a TV Globo a divulgar em seu telejornal mais nobre.

Foram cerca de três minutos nos quais Cid, a cara do JN, incorporou Leonel Brizola, então governador do Rio de Janeiro, que atacou duramente a emissora.

A ação de direito de resposta, obra do advogado Arthur Lavigne, foi inédita e abriu caminho para que os cidadãos buscassem amparo legal contra barbaridades cometidas pela imprensa _neste caso específico, num editorial, Roberto Marinho, o dono das Organizações Globo, havia chamado Brizola de “senil”.

Leia, abaixo, a íntegra do texto. E divirta-se com o vídeo deste momento histórico que minha amiga @fergiu me ajudou a relembrar dia desses.

“Todo sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui, citam o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado perante o povo brasileiro. Ontem, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar o editorial de O Globo, fui acusado na minha honra e, pior, chamado de senil.

Tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador, Roberto Marinho. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que use para si. Não reconheço na Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e, basta, para isso, olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura que por 20 anos dominou o nosso  país.

Todos sabem que critico, há muito tempo, a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou ontem, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípio. É apenas o temor de perder negócio bilionário que para ela representa a transmissão do carnaval. Dinheiro, acima de tudo.

Em 83, quando construí a Passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar, de todas as forma, o ponto alto do carnaval carioca. Também aí, não tem autoridade moral para questionar-me. E mais: reagi contra a Globo em defesa do Estado e do povo do Rio de Janeiro que, por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior. E isto é o que não perdoarão nunca.

Até mesmo a pesquisa mostrada ontem revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado.

Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria, antes, um dever para qualquer órgão de imprensa. Dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção. Quando ela diz que denuncia os maus administradores, deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante de seu poder. Se eu tivesse pretensões eleitoreiras de que tentam me acusar não estaria, aqui, lutando contra um gigante como a Rede Globo. Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado.

Quando me insultam por minhas relações administrativas com o Governo Federal, ao qual faço oposição política, a Globo vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível. Quem sempre viveu de concessões e favores do poder público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesmo.

Que o povo brasileiro faça seu julgamento, e, na sua consciência lúcida e honrada, separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis e gananciosos”.

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Um dia de Michael Jackson

Junho 26, 2009 · 11 Comentários

Michael Jackson morreu. Isso sim é notícia. É seguramente o morto mais ilustre (no sentido de alcance global) da minha existência como jornalista, iniciada em 1990. Gênio e louco, teve uma relevância incrível.

E foi uma morte, apesar de inesperada, lenta. Começou com a notícia da internação às pressas, após o cantor ser socorrido “sem respirar” por paramédicos. Às 18h06 já havia matérias sobre o assunto, que bombou na web nos minutos seguintes.

Leia notícias sobre a morte de Michael Jackson

Às 19h20, o site norte-americano TMZ, que cobre celebridades, cravou o passamento (é o pior eufemismo possível para morte). O Twitter, essa máquina de rumores que espalha o mal e o bem, tornou celébre o desconhecido TMZ _propriedade da Warner Bros., um cachorro grande do entretenimento.

Eu diria que foi chute, mas tecnicamente tem de ser considerado furo. E coube ao TMZ a primícia. O site, criticado por incentivar o trabalho de paparazzi mas que possui no currículo outros furos, foi quem noticiou primeiro a tragédia.

Em 17 minutos, o Los Angeles Times, em post publicado num blog de música do jornal, dava a mesma informação. O LA Times ainda tentou, numa sacanagem clássica da internet, se apropriar do furo, atualizando a matéria que falava da internação _publicada uma hora e catorze minutos antes (repare no link da URL, que traz o título original e entrega o truque).

Depois, como ficou feio, o jornal colocou um “update” logo após o título (modificado) que sentenciava a morte do astro do pop.

Só quando o LA Times deu, a CNN virou seu título na tela, citando o jornal e falando em morte (até então, o máximo que se tinha chegado era “coma”). Eram 19h43.

Mas faltava a confirmação oficial. Não, não a de médicos ou legistas, num comunicado oficial. Faltava a chancela da imprensa formal. Ela veio apenas às 20h22, quando a CNN confirmou o óbito com fontes próprias e, enfim, assumiu a informação.

O Jornal Nacional já estava no ar, com os apresentadores fazendo o possível para manter em voo um Boeing sem combustível. Só às 20h29, um minuto antes de entrar no ar o programa gratuito do PSDB (escancarando a vocação do partido em ser figurante), William Bonner, citando a CNN, deu a notícia da morte de Jackson.

A parada do telejornal se mostrou providencial. Às 21h01, entrou no ar último bloco do programa, editado de forma bem satisfatória. Repare no final: Fátima Bernardes errou, dizendo que a emissora daria novas informações “a qualquer momento ou no Jornal Nacional”, no que foi socorrida pelo marido, “no Jornal da Globo”, disse Bonner, que foi além: “Estamos todos abalados com a notícia de última hora”.

Pano rápido.

Hoje é o dia de ver como os jornais impressos vão se sair. Minha única certeza é que quem não manchetou com o assunto cometeu um erro grotesco. Dois jornalões não tinham feito isso até a hora que vi… E outro, ainda aguardo confirmação porque só acredito vendo, teria perpetrado “Peter Pan morreu”.

Se você leu essa manchete em algum lugar, me avise com urgência.

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A Argentina ficou na mão

Abril 7, 2009 · 2 Comentários

De verdade, há umas coisas no noticiário que deixam a gente constrangido, triste, estranho.

E quem está a falar é alguém que sempre diz que jornalista tem uma pedra no lugar do coração e que não deve reagir emocionalmente ao apurar, decupar e analisar acontecimentos.

Mas eu desmenti toda minha teoria repetida há milênios ao ver a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, com a mão estendida em vão enquanto seu similar norte-americano, Barack Obama, passava solerte para cumprimentar Stephen Harper, primeiro-ministro do Canadá, durante a cúpula do G20. Justo Cristina, que chegou antes para guardar o melhor lugar.

Vendo a cena mil vezes, até tento criar a hipótese de que a mandatária argentina percebeu a situação e,   com a mão cerrada (gesto pouco típico do aperto de mão), preparou-se mesmo apenas para tocar o   presidente dos Estados Unidos.

Deu dó. E ocorreu apenas dois dias depois da histórica surra que a Argentina de Maradona levou da Bolívia (1 a 6),   placar que igualou a pior derrota da vida do selecionado argentino (os mesmos 1 a 6 para a  Tchecoslováquia na Copa da Suécia-58).

Mas… e se a hipótese do “tapinha nas costas” estiver correta?

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A animação a serviço do jornalismo

Março 21, 2009 · Deixe um comentário

Escrito, dirigido, animado e sonorizado por Jonathan Jarvis, a animação ”The Crisis of Credit Visualized” é mais uma peça inspiradora para quem está pensando, por exemplo, em maneiras de usar a web como complemento do noticiário estático em papel.

Só vendo mesmo para entender o que uma boa ideia pode fazer pelo jornalismo.

A propósito: este post dá boas dicas de como casar som e imagem.

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O incrível vídeo da tartaruga que ataca uma pomba

Março 14, 2009 · 2 Comentários

Vou postar este vídeo antes que eu esqueça. Mostra uma tartaruga, no melhor estilo National Geografic, atacando, afogando e comendo uma pomba num parque de Porto Alegre.

Foi feito pelo fotógrafo Ronaldo Bernardi, de Zero Hora, jornal onde passei uns dias na semana passada trocando impressões sobre as novas demandas do jornalismo na era do avanço tecnológico desenfreado.

Para obter essa imagem, houve primeiro uma apuração entre os frequentadores do parque, que lhe contaram a história. Mas, da apuração ao vídeo, exatamente um ano se passou.

A persistência foi premiada: Ronaldo é fotógrafo. Mas, antenado com o novo contrato da profissão, também produz vídeos e faz reportagens. Ah, ele fotografa também. E bem.

É a cara do novo jornalismo.

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