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Entries tagged as ‘andrew keen’

Só tem lixo na Internet

Maio 26, 2008 · Não Há Comentários

O Brasil já tem o seu Andrew Keen: é Diogo Mainardi, colaborador da revista Veja, que em sua coluna desta semana teceu comentários bastante críticos à Web.

Keen é o único cara que teve coragem suficiente para escrever um livro desencando a festejada ascensão do amador na rede. Para ele, o compartilhamento (seja de fotos, vídeos, textos etc) é uma faceta grotesca da falta de qualidade da produção do ser humano.

Para Keen, ou reserva-se a tarefa de fazer música, jornalismo, fotografia, vídeo, enfim, seja lá o que for, a profissionais, ou o mundo vai encarar uma crise de valores séria e sem volta.

O texto de Mainardi é bacana porque passeia justamente sobre a inépcia dos amadores. Não quando produz, mas também quando consome conteúdo.

“A internet é isso: um monte de maus leitores dotados de más idéias que cismam em interagir com maus autores. É o território dos opinionistas que opinam sobre a opinionice de outros opinionistas”, escreve ele.

O ponto de partida de sua revolta foram duas das notícias mais lidas da semana passada na Internet: que Sabrina Sato desistiu de tirar sua pintinha da testa e que Débora Secco chorou num programa de auditório. 

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Ponto final

Maio 2, 2008 · Não Há Comentários

O The New York Times relata o fim da edição impressa do The Capital Times, de Madison (Wisconsin), após 90 anos.

O periódico seguirá on-line. E bem pobremente, pelo que se supõe olhando sua confusa home page.

E segue a vigília da morte dos jornais que a Advertising Age está “cobrindo”.

Andrew Keen analisa hoje, no The Guardian, a “espiral de morte” dos jornais, como definiu. E diz que a culpa é nossa, inclusive da própria imprensa.

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A Wikipedia, quem diria, será impressa

Abril 26, 2008 · 1 Comentário

Repito: a Wikipedia, quem diria, será impressa.

O projeto que popularizou a plataforma wiki ganhará, na Alemanha, uma versão em papel. Quem está por trás disso é a gigante Bertelsmann (dona, por exemplo, da gravadora Sony BMG).

Problema número um: os 740 mil artigos que hoje a Wikipedia alemã abriga caberiam não em uma, mas em centenas de versões em papel. “Não seria um projeto adequado levando-se em conta o mercado do livro na Alemanha”, reconheceu Beate Varnhorn, editora-chefe da Bertelsmann.

A opção foi por uma espécie de “livro do ano” com os 50 mil verbetes mais acessados on-line _mesmo assim, consumiu 992 páginas.

Problema número dois: isso significou a inclusão de termos como “Carla Bruni” e “Nintendo Wii“, entre outras irrelevâncias (por sorte, num limite de 10 linhas).

Todo mundo sabe que Jimmy Wales toca sua Wikipedia com base em crowdsourcing e doações, muito mais o primeiro. O acordo com a editora alemã lhe renderá US$ 1,59 por cópia vendida (a US$ 31,80 cada).

Problemas número três, quatro, cinco, seis…: ao ser congelada numa edição em papel, a Wikipedia deixa de ser wiki. Wiki é mais do que o produto de Wales, é um conceito de colaboração cuja plataforma permite a edição constante de textos, e por várias pessoas, e por todo o sempre.

Sim, existem termos congelados já na web, mas são casos específicos como os de George W. Bush (note o cadeado no canto superior direito), vítima preferencial de ativistas, vândalos ou desocupados _já incluíram em seu verbete na enciclopédia on-line até uma foto do Cramulhão.

Andrew Keen, o defensor-mor das grandes corporações (”da excelência das grandes corporações”, certamente me corrigiria ele), viu vantagens no acordo: entregaram um produto amador _em breve falarei sobre episódios de analfabetismo, censura e privilégios perpetrados pelos voluntários que administram as Wikipedia pelo mundo_ nas mãos de profissionais.

Sim, os verbetes escritos pela “ex-audiência“, por mais desimportantes que sejam, passarão pelo crivo de editores da Bertelsmann (vernáculo e veracidade das informações são checados e corrigidos).

Daí que a participação da “ex-audiência” será lembrada apenas como responsável por ter colocado Carla Bruni numa enciclopédia em papel.

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Os malfadados blogs

Abril 5, 2008 · 1 Comentário

Tenho profunda ojeriza à palavra blog. Não exatamente à palavra, mas ao que ela foi reduzida pelas instituições e pessoas que enxergam ali apenas um palco para exibir e expressar seu brilhante pensamento vivo, deixando de lado todos os preceitos que norteiam a plataforma (a não ser, por impedimento técnico, a ordem cronológica inversa de publicação, item que por si só não basta para que se ganhe o carimbo).

Uma pesquisa divulgada ontem vai exatamente ao encontro do que eu estou falando. A Ball State University rastreou as patacoadas autodenominadas blogs de 360 jornais norte-americanos. E o resultado, pífio, revela que a presença na Internet por meio desse modelo se deu basicamente por causa de modismo.

É aquele fenômeno sobre o qual já discorri outro dia (”ei, alguém falou que isso é bacana, precisamos ter isso urgente!”).

Além de ignorância sobre suas potencialidades, os jornalistas que assumiram blogs nos veículos analisados também demonstraram desprezo à participação do usuário (80% jamais responderam a indagações de seus leitores _que mesmo assim, em 60% dos casos, reincidiram em seus comentários).

O levantamento apontou ainda que nada menos do que um quarto dos blogs foram atualizados de forma deficiente ou simplesmente seus responsáveis nunca mais foram vistos on-line.

Não duvido que os dados da pesquisa de Ball State com jornalistas políticos inseridos no mainstream se enquadrem perfeitamente numa fatia bem considerável de toda a blogosfera.

O Technorati, maior ferramenta rastreadora de posts, diz que existem hoje 113 milhões de blogs no mundo (120 mil são criados por dia, ou 1,4 por minuto). Porém cerca de 50% são logo abandonados (e olha que, nesse critério, o Technorati é bem benevolente: considera “ativo” um blog que tenha sido atualizado pelo menos uma vez em 90 dias, o que é uma catástrofe sob qualquer ponto de vista).

Não por acaso essa avalanche de descaso deleita o polêmico Andrew Keen, autor do irascível “The Cult of the Amateur” (livro-referência sobre a participação da “ex-audiência” na sociedade atual).

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