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Entradas etiquetadas como ‘Barack Obama’

A visão de Lula sobre o jornalismo está equivocada?

Novembro 4, 2009 · 5 Comentários

Muito do que Lula tem dito sobre o trabalho da imprensa não só faz bastante sentido como, temos de admitir, está correto.

Como num evento com catadores de papel, na semana passada, quando o presidente disse que a mídia “já não decide mais, porque o povo não quer mais intermediários”.

Eu não diria nem que não quer, mas a verdade é que ele não precisa. O avanço tecnológico e a comunicação em rede permitiu isso, a comunicação direta entre governante e governado. Ou não foi essa a mensagem transmitida por Barack Obama na campanha eleitoral do ano passado?

No mesmo evento, Lula pediu aos repórteres que não interpretassem fatos. Outra recomendação, direcionada a um repórter, que parece correta, não?

 Interpretar (diferente de fazer sinapses e mostrar situações) é um papel um pouco mais acima na cadeia produtiva do jornalismo.

Agora, quando diz que o papel da imprensa não é fiscalizar, mas informar, como em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Lula extrapola o bom-senso. É ambos, senhor presidente.

Mas não acho que devemos atirar pedras pelo conjunto da obra de suas opiniões sobre nossa profissão. Pelo contrário, elas estão alinhadas com o planeta Terra em 2009.

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A ética jornalística e as filhas góticas de Zapatero

Setembro 26, 2009 · 6 Comentários

Os casais Obama e Zapatero e as filhas do premiê espanhol, que chocaram pelo visual gótico

Os casais Obama e Zapatero e as filhas do premiê espanhol, que chocaram pelo visual gótico (a foto foi pixelizada para proteger as menores)

É o debate da vez na Espanha: vários meios de comunicação se aproveitaram de um descuido (ou seria do excesso de transparência?) da equipe de comunicação de Barack Obama, que divulgou uma foto em família do mandatário americano e do premiê espanhol, José Luis Zapatero, numa visita ao Metropolitan Museum, em Nova York.

Minutos após enviar a imagem ao mundo, a Casa Branca solicitou aos meios de comunicação que a foto não fosse publicada porque os pais das duas garotas (de 15 e 13 anos) que aparecem no instantâneo queriam proteger sua intimidade. Os pais eram, naturalmente, Zapatero e a mulher, Sonsoles Espinosa.

Imediatamente, a agência EFE (que é espanhola) embargou a cena. Mas, com várias redações já de posse da fotografia, era de se esperar que ela acabasse publicada, o que provocou a ira do líder do governo espanhol.

O pior é que a providência da EFE, dizem na Espanha, só foi tomada após uma ligação de gente ligada ao governo. A Agência nega, dizendo-se cumpridora da Lei do Menor _apesar de, no mesmo dia, ter distribuído uma foto de Louis Sarkozy, de 12 anos, filho do presidente francês.

A censura aliada à novidade (as meninas tinham sido fotografadas uma única vez, em 2004), mas principalmente o visual das garotas (gótico e, digamos, fora de moda), suscitou chacota e, claro, fotomontagens e outros gracejos. Prato cheio para a internet e seu poder de comunicação instantâneo.

É um caso que tem uma série de ângulos. O jornalismo avançou o sinal? É justo, do ponto de vista jornalístico, sustentar este tipo de acordo com personalidades? Até que ponto uma pessoa pública consegue proteger seus familiares desse tipo de assédio? Não teria sido mais fácil não levar as filhas a um evento que, naturalmente, seria fartamente fotografado? Respostas difíceis de dar, mas bem bacanas de discutir.

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A dura vida do jornalismo sob censura

Junho 2, 2009 · 3 Comentários

Jornalistas que cobrem a visita de Barack Obama hoje à Arábia Saudita foram ameaçados de prisão pelas autoridades locais caso deixem seus hotéis ou empreendam “qualquer outra atividade jornalística” que não a cobertura em si da agenda do presidente dos Estados Unidos.

É o que relata o enviado da revista Time, Michael Scherer.

Leia também: Jornal publica anúncio que sugere o assassinato de Obama

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

Depois de publicar a absurda condição, Scherer conta ter recebido um desmentido oficial, e a garantia de que todas as condições (só precisamos de uma, liberdade) serão dadas aos profissionais nesta cobertura em solo saudita.

Difícil de acreditar quando se trata de um país que permite, por lei federal, censurar reportagens que possam ser consideradas uma ameaça à “união” nacional.

Veremos o que acontece hoje.

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Jornal publica anúncio classificado que sugere o assassinato de Obama

Maio 30, 2009 · 3 Comentários

Perdido no meio dos classificados, o insano anúncio que liga Obama aos quatro presidentes norte-americanos assassinados

Perdido no meio dos classificados, o insano anúncio que liga Obama aos quatro presidentes norte-americanos assassinados

Apesar do péssimo gosto da brincadeira, essa vai entrar para a história: o jornal Times-Observer, da cidade de Warren (Pensilvânia), publicou em sua edição de anteontem um anúncio classificado que sugere o assassinato do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

“Obama pode seguir os passos de Lincoln, Garfield, McKinley e Kennedy”, dizia o pequeno tijolinho de uma coluna por três centímetros de altura. Como se sabe, Lincoln, Garfield, McKinley e Kennedy foram mandatários norte-americanos assassinados no exercício do mandato.

John Elchert, editor do jornal, diz que o anúncio foi pago para circular por três dias, mas sua publicação foi suspensa após “descoberto” na quinta-feira. O jornal ainda divulgou uma retratação.

“O leitor que faz isso com a imprensa é um infeliz”, afirmou Elchert, esclarecendo que o funcionário que aceitou o anúncio não foi demitido porque não soube relacionar os sobrenomes aos dos presidentes mortos.

O jornal diz que o anúncio custou cerca de US$ 30 e que não possui nenhuma informação sobre quem o mandou publicar.

O descuido do Times-Observer levou policiais do FBI à pacata Warren (que tem cerca de 12 mil habitantes). Eles estariam investigando o caso.

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

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A Argentina ficou na mão

Abril 7, 2009 · 2 Comentários

De verdade, há umas coisas no noticiário que deixam a gente constrangido, triste, estranho.

E quem está a falar é alguém que sempre diz que jornalista tem uma pedra no lugar do coração e que não deve reagir emocionalmente ao apurar, decupar e analisar acontecimentos.

Mas eu desmenti toda minha teoria repetida há milênios ao ver a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, com a mão estendida em vão enquanto seu similar norte-americano, Barack Obama, passava solerte para cumprimentar Stephen Harper, primeiro-ministro do Canadá, durante a cúpula do G20. Justo Cristina, que chegou antes para guardar o melhor lugar.

Vendo a cena mil vezes, até tento criar a hipótese de que a mandatária argentina percebeu a situação e,   com a mão cerrada (gesto pouco típico do aperto de mão), preparou-se mesmo apenas para tocar o   presidente dos Estados Unidos.

Deu dó. E ocorreu apenas dois dias depois da histórica surra que a Argentina de Maradona levou da Bolívia (1 a 6),   placar que igualou a pior derrota da vida do selecionado argentino (os mesmos 1 a 6 para a  Tchecoslováquia na Copa da Suécia-58).

Mas… e se a hipótese do “tapinha nas costas” estiver correta?

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Coletiva on-line de Obama reúne 64 mil internautas

Março 26, 2009 · Deixe um comentário

Cerca de 64 mil pessoas participaram ao vivo da primeira entrevista coletiva de um presidente dos Estados Unidos na internet, hoje. A ênfase foi em economia, mas houve perguntas também sobre educação e saúde.

As perguntas foram feitas por 92.932 cidadãos, e as 104.096 questões formuladas, votadas e hierarquizadas por 3.606.272 internautas. O presidente respondeu apenas às indagações mais escolhidas pelo público.

O formato adotado só é novo no uso da web: o “town hall”, que originalmente é o encontro do governante com o governado, é até uma tradição nos EUA.

Eu, que tanto critiquei o começo da gestão eletrônica de Obama, não posso deixar de registrar esse exemplo de conversação com o público que deveria ser repetido e adotado pelos demais governantes.

“Eu prometi abrir a Casa Branca a vocês e é isso que estou fazendo hoje”, disse Obama antes da sabatina.

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Mais um passo em falso do presidente bossa-nova

Março 3, 2009 · Deixe um comentário

Eu já vinha avisando há tempos, desde antes da posse, durante e depois: a propalada “cabeça 2.0″ de Barack Obama e equipe não era estratégia de governo, mas de campanha.

Tanto é assim que já existe, nos sites de redes sociais, mobilização por doações à chapa Obama-Biden para 2012. Entrementes, os canais oficiais do presidente Obama na Web estão pra lá de abandonados.

Agora Tiago Dória conta a estocada da Casa Branca ao You Tube _depois de relegar o microblog ao último plano. Diz -se que, “por segurança nacional”, expor os pronunciamentos oficiais do presidente num site público (com as devidas estatísticas de audiência, por exemplo) não é recomendável.

Tudo bem, mas e compartilhar os textos, vídeos e áudios que milhares de americanos, por dias a fio, encaminharam para a página supostamente 2.0 do novo presidente? Nada. Essa comunicação tem mão única. E reforça o caráter altamente triste de micagem na Internet.

Meu mestre mandou, eu não questiono.

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O site da Casa Branca dissecado

Fevereiro 4, 2009 · Deixe um comentário

A Smashing Magazine fez uma excelente análise do novo site da Casa Branca, cujo principal morador agora se chama Barack Obama.

O raio-x aqui é absolutamento técnico e de usabilidade (sobre a gestão on-line de Obama, eu mesmo já tinha dado alguns pitacos aqui antes, e voltarei à carga mais para diante, quando alguns processos já estiverem consolidados).

Via Contra a Clicagem Burra.

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As fotos certas na ordem certa

Janeiro 23, 2009 · Deixe um comentário

Já me perguntaram algumas vezes o que é mais difícil, editar um bom texto (e seu conjunto, incluindo o título) ou escolher uma boa foto. Minha resposta padrão costuma ser “editar um bom texto vendido com um ótimo título e aliado a uma boa foto”.

Os jornalistas que trabalham no fechamento sabem bem do que estou falando. Os prazos para a conclusão das edições, cada vez menores, não dão muita chance para diagramar as páginas com as fotos já na mão _compatíveis, portanto, com a mensagem noticiosa e, melhor, passíveis de serem trabalhadas de forma harmoniosa na composição do design.

Nas editorias de esportes, em que se fecha via de regra 15 minutos após o encerramento das partidas, a escolha de fotos é quase aleatória. Entra a que couber no corte (às vezes entram mesmo as que não cabem) por um imposição insolúvel da etapa industrial (impressão + distribuição) que ainda fazem do jornal em papel o mais lento e atrasado produto de mídia.

Quando se consegue a combinação perfeita entre o que se diz no texto e o que se vê na imagem, sua tarefa de editor foi bem-sucedida. É o que aconteceu na edição de anteontem do espanhol El Periodico.

Há, claro, um truque genial de edição: na capa, um Obama que entra. Na contracapa, um Bush que sai. Ambas as imagens acompanhadas de um minieditorial sobre o governo que começa e o que terminou.

uma aula de edição

Contracapa e capa do espanhol El Periodico: uma aula de edição

Nada como ter agilidade e, também, tempo para refletir melhor sobre o que mostrar ao público, e de que forma. Ainda é uma vantagem de jornalismo impresso sobre qualquer outro.

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O blog que não é blog

Janeiro 22, 2009 · 3 Comentários

Afinal, Barack Obama começou bem ou mal sua gestão on-line?

A questão é controversa. Dave Winer, o primeiro blogueiro de que se tem notícia, reparou logo de cara que o “blog” do site da Casa Branca se apropriou indevidamente do nome: não leva o leitor a lugar algum, não coleciona coisas bacanas, não indica outros sites e, reparei agora, nem sequer é publicado na ordem cronológica inversa.

Desta forma, serve apenas para amontoar releases.

Agora há pouco o novo presidente dos EUA repetiu “por precaução” o juramento à constituição americana porque houve uma pequena gafe no juramento original, feito ontem em público, e que emocionou o mundo.

Por um acaso a informação foi distribuída em algum dos canais interativos de Obama? Não. Aliás, nem área de notícias há no site oficial da presidência. Cadê a tal da comunicação imediata tão apregoada?

Jeff Jarvis, professor da Universidade de Nova York, acha que ainda é cedo para avaliar o trabalho da equipe de Obama na web. Eu também, mas isso significa que caracterizar o recém-empossado governo como um exemplo no uso das novas tecnologias é avançar bastante o sinal.

Funcionou na campanha mas, como já falei outras vezes, há vários outros pontos ainda obscuros.

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