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Entradas etiquetadas como ‘blogosfera’

Qual o destino dos blogs, simplesmente acabar?

Novembro 25, 2009 · 6 Comentários

Qual o futuro dos blogs? É uma discussão importante, especialmente num momento em que as redes sociais estão, em boa medida, tomando o lugar dos diários pessoais e inserindo a conversação num aspecto verdadeiramente público e de duas mãos.

A conversa foi um dos temas centrais do World Blogging Forum, encontro realizado na segunda quinzena de novembro em Bucareste (Romênia).

Três conclusões básicas: os blogs, em sua maioria, não serão rentáveis; os governos e o poder político entrarão com força total nessa seara tentando utilizar a plataforma em seu benefício; e as redes sociais, com o Twitter na linha de frente, representarão uma ameaça à relevância da ferramenta.

Esta última, aliás, já se nota: há tempos os comentários se mudaram dos blogs para as redes sociais, O público discute em tempo real as observações/divagações dos blogueiros, sem precisar passar pela moderação no próprio blog gerador do conteúdo.

A blogagem em países não democráticos, porém, tende a manter sua importância especialmente na esfera externa, onde o resto da informação é blindada e nunca chega, ou demora muitíssimo a chegar.

Quem nos conta esse relato é Darío Gallo, editor geral do noticioso argentino Perfil.com.

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EUA endurecem regras para posts patrocinados

Outubro 9, 2009 · 1 Comentário

A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) tomou uma decisão importante no que diz respeito ao uso desenfreado do post pago na blogosfera, o popular jabá.

A partir de agora, qualquer pessoa que possua um blog precisa notificar claramente seu leitor se o texto que escreveu avaliando produtos e serviços foi motivado por dinheiro ou presentes de fabricantes e fornecedores.

A medida vale ainda para comentários em mídias sociais, talk-shows no rádio, tv e internet e anúncios em geral. Quem não aderir à transparência poderá ser multado, informa o The Wall Street Journal.

É claro que o FTC tenta ser mais realista do que o rei (como identificar o autor de um comentário, por exemplo?), mas o conceito da decisão é acertado.

Eu acho, inclusive, que ela deveria ser estendida ao jornalismo, que até hoje não informa com retidão ao seu público quando um jornalista publica uma matéria viajando a convite _ou aceita outro tipo de presente.

Dizer “o jornalista fulano de tal viajou a convite da ciclano company” não resolve o problema. A questão é que os textos publicados após viagens só foram parar numa página porque um jornalista ganhou uma viagem. Não houvesse farra, não haveria “pauta”.

Ainda creio num sistema que exponha claramente os objetivos por trás de uma reportagem publicada ou levada ao ar por veículos jornalísticos.

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O fim daquilo que não acabou

Agosto 27, 2009 · 7 Comentários

Jorge Rocha, a propósito de festejar uma efeméride em seu “O Jornalismo Morreu!, provocou, e a vibrante Ana Brambilla, como sempre, comprou a briga cujas feridas Beth Saad já tinha exposto.

Em questão, reportagem do caderno Link, de O Estado de S.Paulo, dando conta da morte da blogosfera sob a alegação de que, por esgotamento da fórmula ou outras alternativas à plataforma, as pessoas simplesmente vão parar de blogar. Como se microblogar não fosse blogar.

Do ponto de vista da concepção da pauta, entendo perfeitamente a matéria. Assim como há gente, como Shirky, que recomenda a não utilização do termo ciberespaço (que originalmente significa um espaço diverso e separado do nosso, o que positivamente o ciberespaço não é), faz sentido pensar na obsolência do termo blogosfera a partir do momento em que todos publicamos o tempo todo.

A classificação, e só ela, provavelmente tenha sido passado para trás pela superpopulação num ambiente agora devidamente desbravado e absorvido. É o que pensa, também, a jornalista Alessandra Carvalho, outra convocada por Rocha a se manifestar sobre o tema.

Notem que, se há algum fim, ele é apenas semântico, de um termo. O ato de difundir/apurar/analisar informações via web não depende de mais de um movimento que ameaça abandonar o barco. O barco já está no meio do oceano.

Muito bem diz a Ana ao cravar que “entendo que ‘movimento’ seja um termo grandioso demais para designar os barulhos – ou mais uma vez, o buzz – produzido por um grupo de blogueiros que, em algum momento, quiseram ser ‘profissionais de uma ferramenta só’”.

Beth Saad vai adiante e realça o aspecto complementar das plataformas. “O que temos, claramente, é uma reconfiguração de objetivos, aonde o blog se identifica com o website de destino do usuário para aprofundamento da informação e conhecimento mais amplo da opinião autoral; o Twitter como a “plataforma de embarque” dos usuários da rede num dado tipo de conteúdo; e o Facebook e similares, como plataforma de diálogo e conversação complementar aos comentários postados no próprio blog – quase uma Ágora contemporânea.”

Se você vai deixar de blogar, certamente não será pela perda de eficiência da plataforma e sua incrível conectividade com redes sociais. Tudo é complementar. A mensagem se fragmentou em várias frentes.

O único problema nesse processo, de verdade, é você ficar sem palavras.

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Blog revela o offline de um produto on-line

Agosto 25, 2009 · 1 Comentário

Contar o que acontece offline numa redação on-line. É esta a proposta de Darío Gallo, editor geral da página na web do Perfil, um dos grandes jornais argentinos, no blog Redacción Abierta.

Além de revelar as agruras nossas de cada dia nesta difícil tarefa de comunicar 24 horas por dia, sete dias por semana, Gallo _que é um veterano jornalista do meio impresso_ também faz excelentes reflexões.

Como esta: o que acontece quando o papel leva um furo de um meio digital? Ele é transparente ao recuperar o assunto para seu público? Qual o timing que o leva a entrar numa história inicialmente publicada pelo jornalismo on-line?

Perguntas que, sabemos, aqui no Brasil têm respostas bem desagradáveis _minha conclusão pessoal é que os meios digitais ainda são tratados como menores pelo jornalismo impresso, o que é um erro crasso. Conheço até um editor que usa, com frequência, a expressão “isso é notícia de internet”.

Ora, é notícia ou não é notícia? A plataforma não tem nada a ver com isso…

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Clarín vai à Justiça contra blog que o criticava

Agosto 12, 2009 · 2 Comentários

Maior jornal impresso da Argentina (e uma referência mundial, ao menos gráfica, de página na web), o Clarín foi à Justiça para encerrar as atividades do blog jornalístico Que te Pasa, Clarín?, que analisava as edições diárias do veículo sob um ponto de vista bastante crítico.

O argumento de que o blog violava direitos autorais (Clarín é uma marca registrada e não pode ser usada por terceiros) convenceu o juiz de primeira instância, mas é evidente que intenção aqui foi fazer cessar o quanto antes a incômoda oposição.

O Que te Pasa, Clarín? (referência a uma famosa frase do ex-presidente Nestor Kirchner), que funcionou por pouco mais de três meses, foi condenado a uma multa diária caso continuasse no ar. O resultado é um aviso na home do site contando a agrura jurídica _e mais nenhum conteúdo (com o cache do Google, é possível navegar pelo que foi o site um dia). Vale lembrar que o povo por trás do blog argentino inclui vários jornalistas veteranos com passagem pelo próprio Clarín.

Isso me fez lembrar o Brasil e o recente fechamento do coletivo Nova Corja. E pelo mesmo motivo: incapacidade de se defender, nos tribunais, de processos judiciais.

A conclusão lógica: a diferença entre mainstream e jornalismo independente é o departamento jurídico.

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Discussões sobre inovação e edição em jornais impressos

Julho 23, 2009 · Deixe um comentário

O J&Cia (o informativo da classe) traz nesta semana uma boa dica: os pensamentos compartilhados, sob a capa de blog, de Eduardo Tessler, ponta de lança no Brasil da Innovation _empresa que vive de vender soluções pré-fabricadas para jornais desesperados e/ou desorientados.

Mas Tessler entende das coisas.

Não é sua culpa, portanto, o caráter evangelista, repetitivo e marketeiro das supostas soluções da Innovation.

Retifico: não deve ser toda a culpa.

O blog é bom. Quando cita um exemplo espanhol e lembra que jornais, sim, podem e devem tomar partido, é ótimo. Produtos jornalísticos não são para todos os leitores, mas para um grupo deles, que tem um pensamento comum e se identificam. Jornal não é mais produto de massa, ao contrário, é produto premium, para um público selecionado.

Tessler também pratica comunicação comparada, outro aspecto árduo de se fazer (como criticismo diário) mas que tem um caráter pedagógico notável. Funciona bem nesse caso.

Minha dúvida é se os comentários abarcam preferencialmente  jornais redesenhados pela Innovation.

Não sei a resposta.

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Blog polêmico é deletado por invasores no RN

Julho 3, 2009 · 6 Comentários

A liberdade de expressão sofreu mais um duro golpe: o blog Xeleleu News, que durante o último ano incomodou políticos e autoridades potiguares com notas ácidas e ferinas, foi invadido e teve todo o conteúdo deletado.

É mais uma arma a favor dos que calar jornalistas: utilizar hackers para sabotar páginas pessoais que, à parte do mainstream, conseguem fazer barulho com jornalismo crítico e independente.

A pergunta é: adianta?

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Clóvis Rossi e Eugênio Bucci debatem o jornalismo

Junho 16, 2009 · Deixe um comentário

A convite da CBN, Clóvis Rossi e Eugênio Bucci debateram os destinos do jornal impresso (e, consequentemente, do jornalismo) no programa Notícia em Foco, que vai ao ar sempre às segundas, às 19h.

O tema foi a sustentabilidade do negócio jornal.

Bucci imagina um mundo em que as empresas jornalísticas serão sustentadas “pelo menos em parte” por seus leitores. Motivo: manter a independência do veículo (quer dizer então que até hoje ela nunca existiu de fato?). Rossi diz que uma mudança desse tipo levaria mais tempo do que os anos que ainda têm a viver _ele tem 66.

O tema nada mais é do que um desdobramento do micropagamento, a bobagem lançada nos últimos meses como um último apelo pela grande imprensa _especialmente a dos EUA e Europa, esta sim verdadeiramente ameaçada de extinção. Mais do que o micropagamento, a doação (ainda inviável, por questão cultural e burocrática, no Brasil).

Sobre a produção jornalística colaborativa on-line, o colunista e repórter especial da Folha de s.Paulo deu um exemplo bizarro. “Se um blog me recomendasse, digamos que no dia 14 de setembro do ano passado, que eu investisse em ações do Lehman Brothers, quem eu iria processar?” (a falência do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, é apontada como um dos estopins da crise financeira global).

Não entendi, porque eu tampouco teria respaldo jurídico para processar um jornalão que fizesse o mesmo.

Ou teria?

Bucci, professor de Jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e com um vasta experiência no mainstream como jornalista, bateu muito na tecla do financiamento público do jornalismo _pelo público, não pelo poder público.

Falou-se também do polêmico blog Fatos e Dados, com a qual a Petrobras decidiu vazar conteúdo de reportagens ainda em andamento. Seu pleno direito, diga-se de passagem. A argumentação, por sinal, é excelente.

Até o microblog, quem diria, foi parar na conversa. “O meu papel não é gritar que caiu um avião. É dizer porque caiu o avião”, encerrou Rossi. “Contando calmamente, no ouvido do leitor”.

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O jornal vai dormir internet, a internet acorda jornal

Junho 12, 2009 · 3 Comentários

“O jornal vai dormir internet; a internet acorda jornal”. A frase é recorrente em meus cursos de jornalismo on-line, e a cada dia tem se mostrado mais verdadeira.

O jornal dorme internet porque absorve naturalmente, durante o dia, hardnews e features publicadas pelos veículos on-line. Ao mesmo tempo, estes ainda não sabem como movimentar suas capas nas primeiras horas da manhã sem beber nas páginas dos impressos e suas investigações exclusivas.

Já houve quem disse (e fico devendo esses insights, os acharei) que, se subitamente o jornalismo impresso acabasse hoje, portais e sites de notícias teriam graves dificuldades em mudar suas capas pela manhã até que, e ao sabor dos acontecimentos, alguma coisa acontecesse.

A blogosfera, então, perderia boa parte de sua munição _repare como, via de regra, o que estimulam posts e comentários são textos publicados em produtos em papel.

É claro que tudo isso, além de polêmico, carece de comprovação científica. Eu creio, vejamos mais para a frente como demonstro.

Jornalismo é jornalismo, não importa a plataforma. É por isso que on-line e papel têm de se complementar de fato. Entendendo o melhor de cada _e oficializando o que já acontece na prática.

Leia também: Aconteceu ontem: análise e opinião resolvem?

Como avançar sem desinformar

Alguns escritos sobre o estado do jornal impresso

Nada mais desatualizado do que o jornal de hoje

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

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Apareceu um blog de verdade

Março 9, 2009 · 2 Comentários

As redes sociais segundo Allendegui (Foto: boliston/Flickr)

As redes sociais segundo Allendegui (Foto: boliston/Flickr)

Um blog de verdade me adicionou no microblog. Desta vez não será nem o caso de começar um post como tantos outros posts que já lemos na vida (com o famoso “Descobri um blog…”). Fui encontrado, é diferente.

Juan Andrés Muñoz Fernández, ou simplesmente Allendegui, pilota um blog de verdade e não duvido que esteja entre as dez melhores pessoas em língua espanhola que desenvolvem projetos jornalísticos na web.

Só acompanhando pra entender o que é uma bitácora.

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