Entradas etiquetadas como ‘censura’
Artigo publicado ontem pelo filósofo José Arthur Gianotti no Estadão responde, em parte, ao estupor que eu e demais colegas sentimos quando, numa aula de direito da comunicação, o professor praticamente sugeriu que a imprensa só devesse entrar numa história após toda a etapa de investigação policial concluída.
“Mas seria o fim do jornalismo, nunca mais publicaremos nada”, pensamos e dissemos.
Gianotti concorda. Ao discorrer sobre a absurda censura ao Estado de S.Paulo atrelada ao caso Sarney, ele dá uma opinião definitiva sobre o tema.
“[A mídia] não existiria se apenas informasse casos constatados e julgados. Um jornal não se confunde com um boletim científico ou um jornal oficial. Obtida uma informação interessante, cabe ao jornal publicá-la; obviamente assumindo os riscos se ela for exagerada, se informar além do intervalo aceito pelos costumes e pela jurisprudência.”
Mais, e especificamente sobre o caso da censura ao jornal: “Suponhamos que a Justiça decida e mantenha a proibição. Permanece a informação sobre transgressões presumidas. Ora, essa presunção ainda é notícia e deve ser publicada pelo jornal. Não como um fato ocorrido – isto o Estado está proibido de dizer -, mas como presunção, como um caso a ser verificado.”
Pronto, é isso. Gianotti falou e disse. Ou então faço minhas as palavras de um amigo: “olha, eu publico o que eu achar adequado. O departamento jurídico fica em outro andar, não é aqui na redação não”.
Pois é…
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Maior jornal impresso da Argentina (e uma referência mundial, ao menos gráfica, de página na web), o Clarín foi à Justiça para encerrar as atividades do blog jornalístico Que te Pasa, Clarín?, que analisava as edições diárias do veículo sob um ponto de vista bastante crítico.
O argumento de que o blog violava direitos autorais (Clarín é uma marca registrada e não pode ser usada por terceiros) convenceu o juiz de primeira instância, mas é evidente que intenção aqui foi fazer cessar o quanto antes a incômoda oposição.
O Que te Pasa, Clarín? (referência a uma famosa frase do ex-presidente Nestor Kirchner), que funcionou por pouco mais de três meses, foi condenado a uma multa diária caso continuasse no ar. O resultado é um aviso na home do site contando a agrura jurídica _e mais nenhum conteúdo (com o cache do Google, é possível navegar pelo que foi o site um dia). Vale lembrar que o povo por trás do blog argentino inclui vários jornalistas veteranos com passagem pelo próprio Clarín.
Isso me fez lembrar o Brasil e o recente fechamento do coletivo Nova Corja. E pelo mesmo motivo: incapacidade de se defender, nos tribunais, de processos judiciais.
A conclusão lógica: a diferença entre mainstream e jornalismo independente é o departamento jurídico.
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A charge da discórdia: trabalho de Muharraqi mostra o governo tentando impedir o trabalho da imprensa independente que teria sido o pretexto para o súbito fechamento do jornal
O Bahrein fechou, sem justificativa plausível, o jornal Akhbar Al Khaleej _publicação combativa e ligada à oposição do país.
Justo quando a ebulição política no Irã já teve como consequência a prisão de pelo menos 24 jornalistas.
Os dois países, por sinal, têm lei de imprensa e exigência de diploma específico para o exercício da profissão.
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Na linha do cerceamento ao trabalho de jornalistas que tem permeado as discussões aqui no Webmanario nos últimos três dias, não dá para deixar passar a decisão de um juiz federal nos Estados Unidos.
Julgando a demanda de um fotógrafo que disse ter sido impedido pela polícia de fotografar um acidente numa estrada (e que alegou ter a proteção da Primeira Emenda), Charles Breyer decidiu que a mídia não tem o direito de estar numa cena de crime ou acidente se o público em geral é excluída dela.
Leia também: jornalista brasileira desafia bloqueio chinês à internet
A dura vida do jornalismo sob censura
Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?
“Não há, na legislação, nenhuma evidência de que o público em geral tem o direito de sair de seus carros numa rodovia e, nela, começar a tirar fotos. Mais: reza o bom senso que o público não pode abandonar seus carros no meio de uma rodovia para ver um acidente”, escreveu o juiz.
É uma decisão e tanto, que poderá impor uma série de dificuldades futuras para o exercício da já combalida profissão, que resguardava como um de seus últimos bastiões a legitimidade para penetrar onde o “público em geral” não tem o direito.
E agora, nem isso?
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Direto de Pequim, a jornalista Janaína Silveira desafiou a blitzkrieg do governo chinês à internet. “Hoje, não temos aqui Youtube, Blogger, WordPress, Google Reader, Twitter, Flickr, Ning, o recém-saído do forno Bing, sei lá o que mais”, conta.
O massacre da Praça da Paz Celestial fará dois anos amanhã, e o regime quer se prevenir banindo os sites que melhor espalham as novidades _aliás, a BBC fez um ótimo media criticism sobre a cobertura dos eventos que moldaram muito a visão posterior do mundo sobre a China.
Leia mais notícias sobre a internet e os 20 anos do massacre de Tiananmen
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É um aspecto tão nefasto quanto as ameaças da Arábia Saudita à liberdade do trabalho de repórteres, que abordei ontem.
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Jornalistas que cobrem a visita de Barack Obama hoje à Arábia Saudita foram ameaçados de prisão pelas autoridades locais caso deixem seus hotéis ou empreendam “qualquer outra atividade jornalística” que não a cobertura em si da agenda do presidente dos Estados Unidos.
É o que relata o enviado da revista Time, Michael Scherer.
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Depois de publicar a absurda condição, Scherer conta ter recebido um desmentido oficial, e a garantia de que todas as condições (só precisamos de uma, liberdade) serão dadas aos profissionais nesta cobertura em solo saudita.
Difícil de acreditar quando se trata de um país que permite, por lei federal, censurar reportagens que possam ser consideradas uma ameaça à “união” nacional.
Veremos o que acontece hoje.
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Olha só o que vai rolar em Alexandria, no Egito, entre 15 e 17 de julho: mais uma convenção de colaboradores-contribuintes dos projetos da Wikimedia Foundation.
O cenário é nobre: a biblioteca da cidade, presumivelmente fundada três séculos antes do nascimento de Jesus Cristo. Hoje, ela possui 400 mil publicações _entre eles papiros de valor inestimável.
As coisas Wiki (a Wikipedia é a mais notória delas) estão sempre tentando freqüentar o ambiente dos textos em papel. No início, a briga era para saber quem era a mais completa e confiável, a Enciclopédia Britannica ou a Wikipedia?
Jimmy Wales concluiu que um levantamento que levava em conta apenas assuntos científicos (os mais cascudos e passíveis de deslizes e polêmicas, é verdade) servia como resposta.
Daí a Wikipedia se achou a dona do mundo. E seus administradores (que zelam por 7 milhões de verbetes) se acharam no direito de conceder privilégios e serem ativistas, censores, intolerantes, soldados e, uma parcela expressiva, pouco afeitos ao idioma (qualquer um dos 201 em que o produto é confeccionado hoje).
A Wikipedia terá até uma edição em papel (sepultando o conceito wiki, que significa rapidez de atualização e, mais importante, por várias pessoas ao mesmo tempo e em todos os lugares). Ou seja: a Wiki se encaminha para ser só Pedia.
Como me demoro com aquele artigo sobre o lado B dos projetos da Wiki Foundation, comecem se deleitando com a interessante polêmica entre um site católico e a enciplopédia “livre”.
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Nesta sexta (4/4) vamos conversar mais um pouco sobre os exemplos que nosso amigo Charles Foster Kane nos deixou para o exercício do jornalismo.E, para não ficar só com o lado B, vamos relembrar um pouco mais a heróica resistência de editores brasileiros à ditadura militar contando, entre outras coisas, sobre as receitas de bolo e poemas que ocupavam as matérias censuradas pelo regime em “O Estado de S.Paulo”.
Depois falaremos sobre essa obsessão minha em tentar nos livrar da monocultura do Google (a conclusão vocês já sabem, é quase impossível), sobre como foi, no mundo, o “Dia sem Google” e porque, afinal, uma máquina de busca tem tanto a ver com jornalismo _até já comentei aqui: além da óbvia ferramenta de pesquisa para os jornalistas, estudos apontam que a cada dia que passa são os serviços de busca que levam os usuários às nossas matérias, não uma home page bonita e empolada.
Aproveitando que o papo foi para a web, conversaremos também sobre Jakob Nielsen, o papa da usabilidade (mas há bispos e cardeais bons também). Nielsen defende que nosso texto siga as regras da pirâmide invertida (mas ressalta a importância dos hiperlinks).
Não vejo choque, portanto, com o conceito da pirâmide deitada (proposta por Ramón Salaverría em 1999 e consolidada por João Canavilhas no texto que, enfim, discutiremos em sala de aula).
E as tarefas do segundo tempo, não rolam? Rolam sim:
1) Pesquise sobre o uso do Twitter, especialmente no jornalismo. Cadastre-se no site e tente enviar uma seqüência de três mensagens.
2) Já escreveu textos no Wikinotícias? Corra, senão a surpresa na prova no dia 18/4 será bem chatinha…
3) E os canais de jornalismo participativo nos sites brasileiros? Vimos, testamos, nos cadastramos? Não? Então vamos lá?
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