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Uma biópsia de um jornal sem vida (o moribundo Columbia Daily Tribune) e uma releitura do atestado de óbito do Rocky Mountain News (finado desde 27 de fevereiro deste ano). Textos que nos fazem pensar sobre o que andamos fazendo _e tudo aquilo que deixamos de fazer.
Uma edição aleatória do Daily foi analisada por Clay Shirky, nascido na cidadezinha de 100 mil habitantes no Missouri. Naquele dia, seis repórteres assinaram as únicas oito reportagens produzidas pela equipe do jornal. Todo o resto, excluindo o caderno de Esporte, era de autoria da AP.
E por que apenas seis repórteres? O resto estaria envolvido em outras tarefas ou investigações? “Não”, revela Shirky, “é que o jornal, que tem 59 funcionários, possui apenas seis repórteres”.
Em outro texto, John Temple, que foi publisher do Rocky Mountain News, faz um mea-culpa sobre o fim do periódico de 150 anos. “Nós enxergamos o site do jornal como uma versão eletrônica do jornal, sem vida própria”.
Em resumo, o povo do RMN pensou a web como espaço para exibir a edição impressa, não como um canal de novas oportunidades e plataformas. Temple também descobriu tarde demais que o ex-plateia agora quer é interferir no processo. “Hoje os consumidores exigem serviços quando, onde e como eles quiserem, e querem ter o poder de participar, não apenas de receber conteúdo”, disse.
Conclusão: investir em produção de conteúdo impresso e experimentações de narrativas na web faz muitíssimo bem à saúde do seu jornal.
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Como se aproxima rapidamente a hora em que alguns dos principais jornais do mundo voltarão a cobrar por conteúdo (não deve passar do início do ano que vem, num movimento que inclusive pode ser considerado cartelização e, posteriormente, vetado), chega em boa hora pesquisa do site Paid Content que, como o nome diz, defende o tiro no pé e o suicídio de se cobrar por aquilo que há anos é de graça e, mais, que se pode encontrar em qualquer lugar na internet.
Mas enfim, o site perguntou o que as pessoas fariam se, de repente, a página de notícias preferida delas passasse a cobrar por conteúdo.
Bem, as respostas estão no quadro acima. Destaco que só 5% aceitariam pagar assim, na boa. E olha que esse levantamento foi feito na Grã-Bretanha. Aposto que, fosse no Brasil, a adesão ao conteúdo pago seria ainda menor.
Aproveitando o assunto, vale muito a pena ler (e ouvir, pois o áudio está disponível também) mais um pouco das opiniões de Clay Shirky, professor da Universidade de Nova York, sobre o assunto.
A frase emblemática deste colóquio: “Deixem mil flores para substituir os jornais, mas não criem um paredão pago em torno de um bem público”.
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Jorge Rocha, a propósito de festejar uma efeméride em seu “O Jornalismo Morreu!, provocou, e a vibrante Ana Brambilla, como sempre, comprou a briga cujas feridas Beth Saad já tinha exposto.
Em questão, reportagem do caderno Link, de O Estado de S.Paulo, dando conta da morte da blogosfera sob a alegação de que, por esgotamento da fórmula ou outras alternativas à plataforma, as pessoas simplesmente vão parar de blogar. Como se microblogar não fosse blogar.
Do ponto de vista da concepção da pauta, entendo perfeitamente a matéria. Assim como há gente, como Shirky, que recomenda a não utilização do termo ciberespaço (que originalmente significa um espaço diverso e separado do nosso, o que positivamente o ciberespaço não é), faz sentido pensar na obsolência do termo blogosfera a partir do momento em que todos publicamos o tempo todo.
A classificação, e só ela, provavelmente tenha sido passado para trás pela superpopulação num ambiente agora devidamente desbravado e absorvido. É o que pensa, também, a jornalista Alessandra Carvalho, outra convocada por Rocha a se manifestar sobre o tema.
Notem que, se há algum fim, ele é apenas semântico, de um termo. O ato de difundir/apurar/analisar informações via web não depende de mais de um movimento que ameaça abandonar o barco. O barco já está no meio do oceano.
Muito bem diz a Ana ao cravar que “entendo que ‘movimento’ seja um termo grandioso demais para designar os barulhos – ou mais uma vez, o buzz – produzido por um grupo de blogueiros que, em algum momento, quiseram ser ‘profissionais de uma ferramenta só’”.
Beth Saad vai adiante e realça o aspecto complementar das plataformas. “O que temos, claramente, é uma reconfiguração de objetivos, aonde o blog se identifica com o website de destino do usuário para aprofundamento da informação e conhecimento mais amplo da opinião autoral; o Twitter como a “plataforma de embarque” dos usuários da rede num dado tipo de conteúdo; e o Facebook e similares, como plataforma de diálogo e conversação complementar aos comentários postados no próprio blog – quase uma Ágora contemporânea.”
Se você vai deixar de blogar, certamente não será pela perda de eficiência da plataforma e sua incrível conectividade com redes sociais. Tudo é complementar. A mensagem se fragmentou em várias frentes.
O único problema nesse processo, de verdade, é você ficar sem palavras.
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Clay Shirky aborda neste artigo a incerteza sobre o futuro do jornalismo. São dois os pontos mais perturbadores: a mudança radical do comportamento do consumidor e o financiamento da atividade jornalística (que hoje persiste, em sua maioria, em fracassados modelos dos séculos passados).
“Jornalismo é mais do que disseminar notícias. É compartilhar percepções”.
Shirky discorre sobre o papel (fundamental) da internet nesse processo e arremata com uma comparação talvez ainda mais dura que a metáfora do cozinheiro à qual recorreu o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, na histórica votação que derrubou a exigência do diploma em jornalismo para o exercício da profissão.
“Jornalismo é como dirigir um carro. Não é uma profissão: nenhum certificado ou especialização é necessária para praticá-lo”.
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Quando Clay Shirky fala, é melhor ouvi-lo.
O jornalista e professor da Universidade de Nova York _e hoje uma das principais autoridades em vida digital e as mudanças provocadas pela tecnologia_ faz uma bela análise sobre como redes sociais construídas em torno de sites de relacionamento (como Twitter e Facebook) e mensagens de texto (os populares torpedos) estão destruindo o conceito de comunicação imposto de cima para baixo, especialmente por governos autoritários que exercem rígido controle sobre a imprensa, digamos, “formal”.
É o que estamos assistindo no Irã, onde o povo protesta, na rede e nas ruas, contra o resultado das eleições que deram mais um mandato a Mahmoud Ahmadinejad.
Engraçado que ainda há empresas jornalísticas, dentro e fora do mainstream, que agem como esses governos autoritários. E que acreditam piamente serem o filtro universal entre os acontecimentos e seus leitores. Coitadinhos.
(via Certamente!)
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Cresceu, nas últimas semanas, a discussão sobre a cobrança por conteúdo jornalístico na internet, por sinal uma grande bobagem que já foi testada e reprovada nos primórdios da web.
E não adianta comparar com o iTunes _afinal, notícia é perecível, ao contrário da música, executada milhares de vezes (logo, seu valor é imensamente superior).
Mesmo assim, me responda: você conhece alguém, no Brasil, que paga ao iTunes por música diante de tanta oferta gratuita? Um louco, talvez.
Daí aparece Clay Shirky, professor da Universidade de Nova York (o lugar para se aprender jornalismo hoje no mundo), contando que em 1993 uma investigação antipirataria identificou uma série de torneiras que vazavam, de forma ilegal, o protegido conteúdo da popular coluna humorística que Dave Berry publicava no jornal Miami Herald.
A força-tarefa achou muita coisa, desde material na usenet (espécie de avó da internet), a listas de e-mail com mais de 2 mil destinatários e até um garoto de 14 anos que copiava as colunas porque adorava Barry e queria “que mais gente lesse o que ele escreve”. Isso há 16 anos.
“Quando uma criança ameaça o seu negócio não porque te odeia, mas porque te ama, você tem um grave problema”, disse a Shirky Gordy Thompson, que na época era executivo dos negócios on- line do New York Times.
Pois é exatamente este grande problema que está encarando o jornalismo de frente. Por mais que você se feche em copas e exija moedinhas para liberar pílulas de conteúdo, ele estará circulando livremente na web por outras vias. Várias. Milhares. E principalmente por pessoas que acham o seu trabalho o máximo. Elas pagariam apenas para ter o prazer de distribuí-lo na rede, sem auferir qualquer lucro.
“A habilidade do público de compartilhar conteúdo não vai cair. Pelo contrário, se expandirá cada vez mais”, diz Shirky. É essa certeza que torna absolutamente inócuo qualquer modelo escorado em cobrança do usuário.
Jornais não vendem papel. Vendem notícia. Sobre isso, Shirky _autor do principal livro sobre a sociedade em rede em 2008, Here Comes Everybody_ é definitivo.
“A sociedade não precisa de jornais. Ela precisa de jornalismo“.
Mark Deuze, professor de jornalismo e novas mídias, também fala sobre o assunto em post recente de seu blog.
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Alvo de protesto espontâneo dos leitores, site reage e, de quebra, ainda adiciona usuários
Não deixou de ser engraçado, numa semana em que falei bastante de Jay Rosen, Clay Shirky e do poder de mobilização da ex-plateia na Web, que um movimento de usuários de um site noticioso tenha conseguido resolver um problema irritante: as notícias incompletas que o site G1 entregava, frequentemente, em seu canal de microblog.
Como um protesto bem-humorado, o #completeog1, surgido no final de fevereiro, chegou a seu ápice na tarde de ontem _quando aliás o Webmanário teve a maior audiência de sua história justamente por ter divulgado o movimento.
O que era até então um protesto silencioso se transformou, com o repasse frenético de mensagens, numa corrente que obrigou o G1 a tomar providências. Sua página no Twitter, desgovernada pelo prosaico motivo da perda de uma senha, foi enfim adequada a um padrão mínimo de qualidade _o erro, diga-se de passagem, perdurou por mais de um ano.
Precisou, porém, ocorrer uma revolução para que o descalabro fosse resolvido. E foi rápido: passaram-se apenas algumas horas entre o hype do #completeog1 e a primeira mensagem notando que algo estava diferente: sim, o G1 começava a adicionar usuários, o que nunca antes ocorrera.
Depois, mais um sintoma: mudou a url curta que acompanha os miniposts e, melhor, os erros tinham sumido.
A revolução, proposta e executada pelos usuários, tinha chegado ao fim com o melhor resultado possível. Espera-se que agora, com pessoas e não robôs, o microblog do G1 dialogue e se aproxime mais do seu público.
Para quem não achava que as pessoas, mobilizadas e em rede, são mais fortes que qualquer corporação (a máxima de Shirky, por sinal), fica aí um exemplo maravilhoso.
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Está ótima a discussão iniciada por Clay Shirky (autor do indispensável “Here Comes Everybody“) sobre a proposta de micropagamentos para salvar o jornalismo impresso _grosso modo, se você vai imprimir um conteúdo, pague US$ 0,50; se for ler na tela, US$ 0,20, e assim por diante.
É incrível, apesar de a Internet ter um passado tão recente, as pessoas não lembrarem que esse modelo já foi usado (e reprovado) nos primórdios.
Além da indisposição natural do internauta a não ser taxado pelo que sempre recebeu de graça, esconder seu conteúdo atrás de um paredão pago significa, também, sua morte on-line (fora das máquinas de busca, você não é indexado ou encontrado).
É o que nos relembra, agora, Shirky.
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Num ano em que pelo menos três livros importantes abordaram o assunto (os autores, Charlie Leadbeater, Clay Shirky e Jeff Howe), a colaboração na Web ganha agora também uma revista digital, a We. E consolida-se como “o tema” a ser tratado nos próximos meses.
O assunto da publicação é o mesmo em que as três obras giram em torno: o poder mobilizador que as novas tecnologias deram ao cidadão comum, e o que pode acontecer daqui para frente.
Aplicado ao jornalismo, o “crowdsourcing” tem todas as condições de mudar radicalmente o exercício da profissão. Por ora, temos apenas espasmos aqui e ali _e nada no Brasil, claro. Aqui tudo chega depois.
No primeiro número da We, cujo manifesto de apresentação embarca em conceitos surrados como “inteligência coletiva”, destaca-se uma entrevista (em vídeo) de Dan Gillmor, que ajudou a conceituar o jornalismo cidadão com o livro-referência “We the midia”.
O detalhe: na vida off-line, Gillmor colecionou fracassos e não conseguiu levar adiante nenhuma proposta de jornalimo colaborativo que iniciou _foram algumas. Como pensador, como prova a entrevista, segue na ponta dos cascos.
A We é uma dica do solerte Luis Orihuela e de seu e-Cuaderno.
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Aproveitando que estou no Uruguai (por isso o sumiço nesta terça, perdão), vou falar da Argentina _sim, este país oriental gravita em torno do que se passa do outro lado do rio da Prata.
Os últimos panelaços contra a intransigência do governo Cristina (Nestor??) Kirchner, que se recusa a dialogar com agricultores após aumentar subitamente os impostos sobre exportações, foram combinados via torpedos e correntes de e-mail. Mais de um provedor e operadora do país detectaram movimentação anormal de troca de mensagens nos últimos dias.
Era a conclamação para o protesto. O poder de mobilização do ser humano atual, plugado e ainda mais participativo, mais do que nunca ameaçador aos que acreditam que, dominando os meios de comunicação tradicionais, dominam o mundo.
Covardia, até. Argentino, quando o meio de comunicação mais rápido ainda era o pombo-correio, sempre foi um mestre em se aglutinar, especialmente se o motivo é reclamar do governo.
É como diz Clay Shirky em seu “Here Comes Everybody”: se você não sabe o que está passando no mundo on-line, pare tudo, permaneça off-line, entenda o que está rolando e, daí, volte à vida.
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