Entradas etiquetadas como ‘crise dos jornais’

Lan house num bairro brasileiro qualquer: acelerando a lei de Mutter?
Alan Mutter relacionou a queda da circulação dos jornais ao avanço da banda larga residencial. Segundo seus estudos, é fato: quando essa penetração ultrapassa 30%, os jornais estão definitivamente feridos de morte.
Daí vejo fotos como a acima, tirada de uma apresentação do publicitário Michel Lent, e fico pensando se o buraco não é bem mais embaixo.
Explico: será que o acesso localizado à web, digo na rua, não pode acelerar esse processo?
Bem possível.
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Uma dupla de jovens empresários alemães apresentou esta semana um projeto mirabolante: o do “primeiro jornal personalizado da Europa“. Parece loucura, e é.
O Niiu, que será lançado na segunda quinzena de novembro, se propõe a ser uma miscelânea de reportagens publicadas pelas edições on-line de veículos alemães e internacionais.
Cada assinante (que pagará 1,20 euros por edição) escolhe, no dia anterior, que tipo de notícia quer ver no seu jornal na manhã seguinte.
A premissa do ousado projeto é superquestionável: “as pessoas preferem ler em papel”, diz Wanja Soeren Oberhof, 23, um dos donos da ideia (ao lado de Hendrik Tiedemann, 27). É?
A duplinha de aventureiros diz que, para os anunciantes, seu produto é um prato cheio, porque podem alcançar exatamente o público que almejam.
Como aventura, o Niiu me parece sensacional _é desse tipo de experimento que sacamos conclusões para o futuro do negócio jornal. Como produto, entretanto, tem tudo para naufragar.
Volto ao assunto quando ele fechar as portas.
(via 233 Grados)
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Rick Edmonds fez as contas e chegou a um número impressionante: os jornais americanos reduziram seu investimento em jornalismo em pelo menos US$ 1,6 bilhão anualmente.
É um retrato nu e cru da crise porque passam os impressos diários nos Estados Unidos, país que perde um jornal a cada três meses, em média.
Ao mesmo tempo, Edmonds detecta impressionantes investimentos em empreendimentos on-line ou projetos que contam com a participação de estudantes ou organizações não governamentais.
Isso sim é uma boa notícia.
(via @agranado)
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Repare na quantidade de anúncios dos jornais impressos deste sábado relacionados à escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
A Folha de S.Paulo, por exemplo, editou um caderno especial de 20 páginas _nenhuma delas “limpa”, como falamos no jargão (ou seja, todas com anúncios, vários de página inteira).
Somada a realização da Copa do Mundo de futebol, em 2014, estes próximos sete anos com direito aos dois maiores eventos esportivos no país prometem ser de bonança para o jornalismo impresso, ainda o porto seguro das verbas publicitárias (públicas e privadas).
Pela amostra dos diários deste sábado, os periódicos de papel brasileiros terão pela frente um período bastante auspicioso do ponto de vista de acúmulo de receitas. É um respiro num cenário de crise, enxugamento e queda de circulação.
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"Eu estou ótimo, mas o Clark Kent não consegue encontrar um jornal que esteja contratando" (charge da New Yorker)
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Uma belíssima galeria de fotos históricas da revista Life remete ao tempo em que os jornais impressos tinham toda a relevância do mundo.
Ainda que seja inegável que tenham perdido muita, não se desfizeram de toda ela.
Ou se desfizeram?
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Muito oportuno o levantamento de Ramón Salaverría, que usando dados do FMI _e bastante conhecimento sobre a vida pregressa da internet_ estabeleceu uma relação entre PIB global e iniciativas de cobrança por conteúdo on-line, como a que assistimos agora, desde 1996.
À ela, Salaverría deu o nome de Lei do Pagamento por Conteúdos On-line, cuja premissa básica é: “o número de iniciativas para implantar conteúdos pagos em meios digitais é inversamente proporcional à evolução do PIB nos países ocidentais”.
O gráfico elaborado por ele (e que você vê acima) é lapidar para comprovar a tese.
Salaverría deixa ainda a pergunta: recuperada a economia após o crack do subprime, desistirão os grandes grupos jornalísticos (que pediram ajuda até do Google) da nova investida monetarista contra o que os usuários da web há anos estão acostumados a ter de graça?
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Já foi traduzido para o português (e outros sete idiomas) o trabalho de 15 blogueiros alemães que se transformou no “Manifesto Internet“, uma lista de 17 percepções sobre o funcionamento do jornalismo on-line hoje e a plataforma que o acolheu.
Vale a penar perder um tepinho lendo o receituário. Não é uma bobagem com recomendações de autoajuda para você tirar seu veículo (e seu trabalho) da crise.
São, como eu disse, boas percepções sobre o que a internet fez com o jornalismo _e o que o jornalismo pode fazer com ela.
Eu gosto muito do item 16: “A qualidade permanece como a mais importante das qualidades”.
É isso que a gente não pode perder de vista.
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Começou o “ou dá ou desce” no jornalismo impresso do hemisfério norte _por enquanto é só por lá, nossa sentença chegará em mais alguns anos.
O La Presse, “maior jornal em francês do continente americano” (como se isso fosse alguma coisa), apresentou à sua equipe o dilema: ou aceita aumento da jornada de trabalho e perda de benefícios ou o jornal fecha as portas em 1º de dezembro.
O corte de custos presumido pelo veículo para garantir sua sobrevivência é de US$ 11 milhões, incluídas aí ao menos 100 demissões num total de 700 funcionários.
No Brasil, este tipo de barganha não é possível, o que torna ainda mais criativa a tarefa de pensar como empresários e jornalistas negociarão num cenário de terra arrasada.
Desde Getúlio Vargas, não se pode rebaixar salários ou regatear o cumprimento de obrigações trabalhistas _conte nos dedos das mãos os países que dão essa salvaguarda.
Como nós somos eles amanhã, há de se pensar: faz sentido flexibilizar as leis que regem o contrato capital-trabalho, e dar uma chance à redução de danos do desemprego, ou o melhor é brigar por direitos consolidados?
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Escrito em hindi, o Dainik Jagran atinge 55 milhões de leitores por edição
Durante décadas (e isso persiste até hoje) a resposta à pergunta “qual o jornal de maior tiragem no mundo?” era fácil: o japonês Asahi Shimbun e seus 8 milhões de exemplares diários.
Pois estamos todos desatualizados.
O diário mais vendido do planeta, e já há algum tempo, é o indiano Dainik Jagran (“A Verdade”), que põe nas ruas todos os dias impressionantes 17 milhões de cópias _um alcance de quase 55 milhões de leitores. O jornal é escrito em hindi, língua dominada por 41% dos 1,2 bilhão de habitantes do país asiático.
O Financial Times relata que o negócio do jornal anda de vento em popa, impulsionado por um crescente grupo de engajados políticos e recém-alfabetizados: ele faturou 15% a mais no último quadrimestre, com relação ao lucro auferido no mesmo período do ano passado.
Sim, a Índia (como Brasil e China) ainda não conhece a crise dos jornais impressos como se vê nos EUA e na Europa. Claro, há milhares de pessoas saindo da linha de pobreza todos os dias e conquistando só agora acesso a informação paga.
Os números indianos são especialmente pedagógicos nesse aspecto: em 1976, só 35% da população era alfabetizada. Hoje, esse número dobrou.
Longa vida ao Dainik Jagran.
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