Entradas etiquetadas como ‘El Pais’

Um veículo modesto, bem longe da badalação do homônimo rico e congêneres; Uma ideia de trazer conceitos mais vanguardistas ao surrado jornalismo nosso de cada dia. É o que basta.
O El Pais, de Cáli (terceiro maior jornal da Colômbia), inaugurou um canal para, segundo o próprio periódico, impactar a audiência “a nível gráfico, visual e jornalístico”.
Basicamente, propostas de novas narrativas jornalísticas. Um nome pomposo, que tenho usado sempre, mas que significa apenas deixar um pouco de lado a ditadura do texto e explorar outros recursos da web (todos, como vídeo, áudio, grafismos etc). A fórmula aqui é até surrada (a história de 11 personagens da noite calenha), mas isso pouco importa.
Se o El Pais daqui faz, com a estrutura que você já pode imaginar, a gente também consegue. Nem que seja pelo institucional, é obrigatório ter experiências assim em nossos veículos.
E há gente bastante importante no Brasil que, infelizmente, ainda está com o pé no freio quando a conversa vai para esse lado de fazer algo que transcenda (e ao mesmo tempo valorize mais) o papel.
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O brutal crescimento do tráfego marítimo no Brasil infografado pela edição de 18 de agosto de 1909 de O Estado de S. Paulo
O entendimento de que um infográfico deve usar conceitos de comparação e proporcionalidade é muito antigo, como prova gráfico publicado no jornal O Estado de S. Paulo na edição de 18 de agosto de 1909 (é o que você vê acima).
A relíquia está na web graças ao blog dos 100 anos que o jornal paulistano colocou no ar há semanas _e que poderia muito bem ser monetizado, desde que oferecido editado por temas e empacotado num outro formato. São poucos os conteúdos jornalísticos que podem ser cobrados na internet. Este é, certamente, um deles.

"Origem e Evolução dos Gráficos na Espanha, 1856-1936", Fermín Vílchez in Malofiej 14
Chiqui Esteban, diretor de novas narrativas do jornal on-line espanhol La Informacion, notou que essa produção do Estadão de cem anos atrás era bem parecida com o que se publicava na imprensa de seu país 20 anos depois (imagem ao lado).

O último grito: o infográfico em ondas do NYTimes, bom apenas porque é do NYTimes
Daqueles para a moda do gráfico em ondas difícil de entender mas considerado brilhante por ter sido executado pelo New York Times não foi um pulo. Demorou. Muitíssimo.
Como não foi menos árdua a chegada a trabalhos como os que reconstituem o acidente com o voo 3054 da TAM, infográfico mais acessado da história do El Pais.
Contra este último, o uso de linguagem de videogame para espetacularizar a notícia. De informação, pouco _ou nada, se levar-se em conta a situação em que o infográfico foi ar, sem vídeos ou áudios complementares adicionados bem depois.
Velho ou novo, o importante é que o infográfico não perca seu sentido de existir: expor, com clareza, dados que facilitem a compreensão da notícia.
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Pagar para conseguir informação privilegiada é falta de ética?
É exatamente essa a discussão que está acontecendo agora na Grã-Bretanha, à raiz do escândalo dos gastos dos deputados da Câmara dos Comuns (como num determinado país que a gente conhece, eles tinham despesas pessoais cobertas pelo erário).
Ocorre que existe a certeza de que o Telegraph, jornalão conservador de Londres, pagou para conseguir os CDs que continham os dados comprometedores. Mais: o veículo sabia, ainda, que a informação havia sido surrupiada por um funcionário do Parlamento, ou seja, era produto de roubo.
A Scotland Yard, polícia inglesa, se recusou a investigar a procedência da informação usando a mesma justificativa dada pelo jornal (“trata-se de atuação em prol do interesse público”).
É verdade, mas fazer jornal não corresponde a uma luta de vale-tudo. Pelo contrário: quem cobra ética tem de praticá-la cotidianamente.
Na Espanha, conta o El Pais em extensa reportagem sobre o tema, é comum pagar por fotos de filhos recém-nascidos de estrelas de TV ou cobertura de casamento de celebridades. É exatamente o que ocorre no Brasil, onde revistas como Contigo e Caras enchem os bolsos de suas fontes em busca de “exclusividade”.
Porém (e é assim no Brasil também) a imprensa dita “de credibilidade” evita recorrer ao expediente. Nos EUA também é assim. Tanto que, quando pagam, os meios mais tradicionais fazem o possível para esconder _caso recente da CNN, que após várias negativas admitiu ter desembolsado US$ 22 mil por um vídeo da Al-Qaeda (mas acredita-se que tenha sido muito mais).
Se uma emissora de TV quer transmitir um evento com exclusividade, ela paga ao detentor dos direitos. É possível estabelecer algum tipo de comparação entre isso e dar dinheiro a pessoas que oferecem furos? Difícil, eu não consigo.
É certo que mais imoral ainda é receber para não publicar uma informação _e isso, infelizmente, também é recorrente no jornalismo mundial.
Contudo, pagar por uma entrevista, dossiê ou seja lá o que for, certamente, está bem distante da transparência e dos princípios éticos que deveriam nortear o jornalismo profissional.
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Juan Ruiz Cruz, um dos fundadores do inquieto jornal espanhol El Pais, esteve na Folha de S.Paulo nesta semana conversando com a redação.
Quem conta é a Cristina Moreno de Castro, toda prolífica no Novo em Folha, um blog de verdade sobre ensino do jornalismo e mídia.
Não fui e explico o motivo: era das 19h às 20h, justamente o meu pico de fechamento…
Curioso que Cruz citou a poesia como um caminho para escrever melhor. A capacidade de sintetização do gênero é exemplar, em sua opinião. Eu, que nunca tinha pensado nisso, acho um disparate. Mas, quem sabe. Vale avaliar.
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Costuma-se falar muito sobre o papel do repórter num jornal. Claro, é o cara que está na linha de frente da notícia. Sente-se muito a falta do repórter, especialmente em produtos on-line. Mas peralá, esse é o único cara da redação que está na rua? Eu também estou, oras. Só ele fala com pessoas e detecta coisas? Afe…
A questão, quando analisamos a crise do jornalismo mundial (financeira e de credibilidade), provavelmente passa pela falta de reportagem, não necessariamente de repórteres. Em jornalismo, assim como todo mundo edita, todos têm de sentir o pulso das ruas, nem que seja na esquina da própria casa, no supermercado, no trânsito.
Imagine um jornal produzido e fechado integralmente por repórteres. Ele jamais iria às bancas. O repórter tem, por definição (e com as devidas exceções), uma visão limitada e centrada em seu foco de atuação (é a tal da setorização, tão boa e, ao mesmo tempo, tão ruim).
Quem amarra os assuntos e liga os pontos é a turma do fechamento, do ar-condicionado. É o editor e seus fechadores (sejam redatores, assistentes ou o que seja). Bem diz minha colega Ana Estela que a tarefa de quem liga os pontos é tão nobre quanto. Porém relegada ao último plano, porque seu nome quase não aparece.
Dane-se meu nome.
Sem ovos não há omelete, eu sei. Mas os caras da “bunda na cadeira” podem perfeitamente apurar, aparar arestas, propor sinapses. O repórter também, claro. Mas normalmente ele está sendo cozido numa caldeira que contém todo o caldo informativo.
O trabalho de acabamento, a ourivesaria, como bem diz meu editor José Henrique Mariante, é da turma de cá.
Eu exijo mais reconhecimento ao povo do fechamento. Juan Luis Cebrián, uma das cabeças pensantes do El Pais (um diário que há décadas tenta fugir do hard news e oferecer conteúdo diferenciado), fala, como a Ana, da importância de quem burila o material a ser publicado a partir do bruto apurado pelo repórter.
Sintam falta de reportagem, não de repórteres. Todo jornalista tem a obrigação de apurar. Faz parte do metiê. Se falta apuração no produto jornalístico que você lê, a culpa é de todo mundo.
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Um trabalho de fôlego bastante elucidativo. É assim o “Documental Multimedia Redacciones Online“, que passeia por seis veículos de Argentina e Espanha (ABC, Clarín, Critica, Cronista, El Pais, El Mundo e Perfil) para relatar suas experiências de integração papel e on-line e convergência entre plataformas.
Nem é preciso dizer que, pela importância dos veículos visitados (Clarín e El Pais, por exemplo, são provavelmente os dois cases mais bem-sucedidos de fusão de conteúdos), o site é um achado.
Traz, em vídeos, entrevistas de jornalistas, histórico das experiências, fotos para exibir a logistica das redações…
Enfim, ajuda a elucidar um pouco essa dúvida que atormenta os jornais mundiais: afinal de contas, vale a pena juntar suas redações?
Via e-cuaderno.
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O El Pais, jornal espanhol com só 33 anos de vida e uma imensa influência (além de vanguardista da migração para a Internet), faz barulho para anunciar sua “refundação”.
Basicamente é aquele velho mantra: as redações papel e on-line foram unificadas, uma resposta ao “fim da indústria dos jornais”, como pontua o texto que avisa os leitores sobre a mudança.
Suzana Barbosa faz um bom resumo da mudança (que na prática só entra em vigor em março) no Blog do Gjol.
Principal executivo da empresa, Juan Luis Cebrián reuniu a redação e, entre outras coisas, previu a morte do jornal “como o conhecemos” para daqui a 15 anos. Mais: disse que o modelo de negócios dos jornais impressos é “antiquado, obsoleto e esclerosado”.
O mais grave do discurso: “isto é um plano de sobrevivência”.
Curioso ver sites especializados na cobertura de mídia tratando a coisa como “El Pais obriga seus jornalistas de papel e on-line a unificarem-se num única redação“. Ué, trata-se de uma condenação? De uma pena? Ou de um caminho natural?
Agora, de nada adianta juntar as redações e, como vi em experiências em grandes jornais do Brasil, deixar o povo de on-line num lado da bancada e os do papel na outra. Quero saber exatamente até que ponto esse discurso sairá do papel e se transformará, de fato, num case de convergência. Digo que ainda não há exemplo, ao menos bem-acabado, no mundo.
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Discutir questões sobre a infografia multimídia e tendências dos infográficos, além de exibir uma coleção de bons e maus exemplos, é o objetivo do site Dmultimidia, de Carlos Gaméz Kindelán, que é o editor de infografia do jornal espanhol El Pais.
É mais uma voz para discutir boas alternativas para a agradável exibição de conteúdo jornalístico.
A dica é do blog do Gjol.
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Jornal com apenas 32 anos de vida e prestígio que o coloca entre os maiores do mundo, o espanhol El Pais encarou sem sustos uma greve que teve a adesão de cerca de 80% de sua redação.
A estratégia foi reduzir o número de cadernos da edição nacional, o que, convenhamos, é uma tarefa bastante fácil nesta época de final de ano. Além, é claro, de forçar a utilização das indefectíveis (e modorrentas) matérias de agências de notícias.
Ontem, a publicação bateu bumbo sobre o fato de ter chegado com normalidade aos pontos de venda. A paralisação, portanto, foi um fiasco.
No início da greve, que durou dois dias (sexta e sábado), o jornal chegou a publicar uma matéria onde detalhava o custo total de sua redação.
Mais uma derrota para esta combalida categoria.
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Nicolás Scheck, Adhemar Valles, Alec Duarte e Raul Tavani no Los Leños, em Montevidéu
Tirando eu, esta aí de cima é verdadeiramente uma mesa de notáveis. No sentido horário, da esquerda para a direita, Nicolás Scheck (um dos herdeiros do jornal uruguaio El Pais), Adhemar Valles, diretor adjunto do jornal, e Raúl Tavani, o mais brilhante cronista esportivo do país.
Juntos compartimos um assado no clássico Los Leños, em pleno centro de Montevidéu, numa conversa de horas temperada com jornalismo e futebol.
Falamos das tiragens dos jornais brasileiros _os hoje modestos 300 mil da Folha de S.Paulo (para quem já vendeu 1 milhão de exemplares nos anos 90), por exemplo, são demasiado para os padrões uruguaios. o El Pais só anabolizou suas vendas com uma série de fotografias históricas compradas de um arquivo independente e “esquecido”. Hoje, este suplemento semanal é coqueluche por estas bandas (por sinal, outro dia recusaram-se a me vender o jornal numa banca porque a coleção de fotos já tinha acabado…).
Cidade 12 vezes menor que São Paulo, Montevidéu tem, além do El Pais, mais dois jornais, os tablóides El Observador e La República. É evidente que, pelo próprio tamanho do país, todos eles são nacionais. Apesar disso, meus companheiros de churrasco acham que falta concorrência no mercado.
Pode ser uma opinião de quem veste demasiadamente a camisa, mas de fato o El Pais parece anos-luz à frente de seus competidores diretos.
Do jornalismo, a conversa foi para o futebol. E como não relembrar casos do goleiro Manga, que defendeu o Nacional (um dos dois maiores clubes uruguaios) na década de 70 e até hoje é considerado um dos maiores ídolos da equipe. Manga não pagava nem o combustível do carro. Parava nos postos, pedia para encherem o tanque, dizia “eu sou o Manguinha” e ia embora. Todo um personagem…
O final ideal para a turnê sul-americana deste blog, que a partir de agora volta a se ocupar de temas nacionais.
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