Entradas etiquetadas como ‘futuro do jornalismo’
Pelo menos 15 mil jornalistas já perderam o emprego neste ano nos EUA. A cifra está bastante próxima de igualar (ou até mesmo superar) o banho de sangue do ano passado, quando 16 mil colegas foram para o olho da rua.
Alan Mutter, autor de brilhante estudo que relaciona a penetração da banda larga residencial ao declínio das tiragens dos veículos impressos, faz uma reflexão não sobre quem já estava no mercado, mas que diz respeito a toda uma geração de jornalistas que está saindo das universidades e, agora, encontra muito mais dificuldades para começar na profissão numa única função _é a profusão de frilas substituindo o trabalho regular numa redação.
Para ele, a sociedade como um todo sentirá essa lacuna. “Essa perda”, diz ele, “privará, no futuro, os cidadãos dos insights que só podem ser entregues por profissionais que se dedicam a um trabalho”.
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Há tempos eu tinha determinado a mim mesmo escrever algumas linhas sobre o trabalho de curadoria de conteúdo na web, um aspecto novo e que me parece altamente relevante com o buzz das mídias sociais e sua integração cada vez maior ao nosso cotidiano.
Vai daí que encontrei uma descrição, feita por Rohit Bhargava, que considerei bem próxima da conceituação que daria ao termo “curador de conteúdo”.
Numa tradução livre, é essa:
“Especialistas preveem que, num futuro bem próximo, o conteúdo na web irá duplicar a cada 72 horas.
A análise pura e simples de um algoritmo não será mais suficiente para encontrar o que estamos procurando.
Para satisfazer a sede das pessoas por bom conteúdo em qualquer assunto que você possa imaginar, precisaremos de uma nova categoria de trabalho individual, de alguém cujo trabalho não seja produzir mais conteúdo, mas contextualizar e dar sentido a todo o conteúdo que os outros estão criando.
Alguém que encontre o conteúdo mais relevante e o passe adiante. Essas pessoas são os curadores de conteúdo, que coletarão e compartilharão coisas, fazendo o papel de “editores cidadãos”, publicando antologias altamente valiosas de material produzido na rede.
Esses curadores trarão mais utilidade e ordem às mídias sociais. Ajudarão, ainda, a estabelecer uma nova sistemática de conversação entre empresas e consumidores baseada em conteúdo de valor, e não mais apenas na criação de mensagens publicitárias.”
Coisas para o presente imediato que são legais para a gente ir pensando seriamente.
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Qual o futuro dos blogs? É uma discussão importante, especialmente num momento em que as redes sociais estão, em boa medida, tomando o lugar dos diários pessoais e inserindo a conversação num aspecto verdadeiramente público e de duas mãos.
A conversa foi um dos temas centrais do World Blogging Forum, encontro realizado na segunda quinzena de novembro em Bucareste (Romênia).
Três conclusões básicas: os blogs, em sua maioria, não serão rentáveis; os governos e o poder político entrarão com força total nessa seara tentando utilizar a plataforma em seu benefício; e as redes sociais, com o Twitter na linha de frente, representarão uma ameaça à relevância da ferramenta.
Esta última, aliás, já se nota: há tempos os comentários se mudaram dos blogs para as redes sociais, O público discute em tempo real as observações/divagações dos blogueiros, sem precisar passar pela moderação no próprio blog gerador do conteúdo.
A blogagem em países não democráticos, porém, tende a manter sua importância especialmente na esfera externa, onde o resto da informação é blindada e nunca chega, ou demora muitíssimo a chegar.
Quem nos conta esse relato é Darío Gallo, editor geral do noticioso argentino Perfil.com.
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Surgiu na Espanha uma proposta interessante que vai na linha dos clubes de leitores recentemente criados por Washington Post, Guardian e Times.
O jornalista Arcadi Espada está pedindo 50 euros de leitores interessados em fundar um diário digital. A esse grupo de fundadores do Factual estão reservadas uma série de benefícios durante o primeiro ano de funcionamento do novo veículo, entre os quais visitas à redação e acesso irrestrito ao conteúdo.
Num momento em que a fidelização do leitorado tem sido debatida como uma das saídas para a crise dos jornais, é um processo a ser acompanhado de perto.
Se funcionar, será outra demonstração de que o público está realmente disposto a financiar o jornalismo. A partir daí a conversa poderá passar a ser outra.
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O jornalismo financiado pelo público finalmente chegou à grande imprensa. Cerca de 100 doadores colaboraram com dinheiro para que se concretizasse reportagem de Lindsey Hoshaw, publicada pelo New York Times, sobre a catástrofe ambiental provocada pelo lixo numa região bem específica do Oceano Pacífico.
A proeza é do Spot.us, organização sem fins lucrativos que aposta na ideia de que os leitores são os maiores interessados no trabalho jornalístico e, logo, teriam interesse em bancar reportagens.
Foi a entidade, criada por Dave Cohn após ganhar uma bolsa de US$ 370 mil, quem intermediou a negociação com o Times e garantiu a publicação da matéria numa vitrine privilegiada.
O jornalão se interessou de imediato pela reportagem, mas, como sempre, desde que não metesse a mão no bolso.
É um grande dia para os que acreditam, como eu, em novos modelos de financiamento para o combalido jornalismo.
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Já faz algum tempo que tenho ressaltado a importância de projetos multimídia (especificamente aqueles que abraçam novas narrativas jornalísticas na web) para que nossa profissão desfrute a era digital e dê algum tipo de resposta aos que questionam o seu futuro.
E vejam que maneira interessante o Jornal do Commercio, de Recife, escolheu para contar uma história sobre o uso da bicicleta como alternativa ao carro e ao trânsito das grandes cidades.
Linguagem de HQ que agrega fotonovela, vídeos, fotos, edição jornalística e até making of (talvez o trecho menos bem-sucedido). Os créditos são de Julliana de Melo e Sidclei Sobral.
Lembrei da tão criticada HQ do G1 sobre a morte de Michael Jackson, que eu achei boa pra dedéu. Critique-se a espetacularização ou o traço sem acabamento (os dois poréns que mais ouvi sobre esse trabalho), mas não se pode deixar de valorizar a iniciativa. Estamos, o jornalismo, precisando dessas coisas, gente.
O jornalismo deve se apropriar de linguagens velhas e novas, até das antes consideradas não jornalísticas, para narrar fatos de forma mais atual e apropriada às plataformas hoje existentes.
Quem descobriu a contribuição do Jornal do Commercio, e também elogiou, foi o Fernando Firmino, uma das maiores autoridades em jornalismo móvel (e seus dispositivos) no Brasil.
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Ideias novas são sempre bem-vindas.
Vem da Holanda, capitaneada pela Telegraaf (um dos gigantes do ramo de jornais e revistas no país), uma sugestão para facilitar a leitura dos diários em ambientes densamente povoados, como o transporte público.
O jornal vertical, de fato, parece ser o formato que melhor resolveu o problema de virar as páginas de uma publicação (o vídeo acima é autoexplicativo).
Tudo bem que as demonstrações deste tipo de produto são sempre caricatas e mais próximas de uma comédia pastelão.
E tudo bem também que o jornal impresso, ainda mais na Europa, está cada vez mais distante das mãos das pessoas em trânsito.
Até porque o celular resolve essa parada com muito mais rapidez e otimização de espaço.
Mas boas ideias são sempre boas ideias.
A dica é da Adriana Salles Gomes e de seu ótimo Update ou Die.
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O infográfico abaixo fala por si só. Jason Preston, de quem emprestei a referência, diz que não é uma boa ideia ser o Los Angeles Times nestes tempos bicudos. Por outro lado, ser o Wall Street Journal parece ser uma ótima num momento em que os impressos perdem inegavelmente a relevância.

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Grandes grupos de mídia estão apostando no outsourcing (a boa e velha terceirização) para reduzir seus custos.
Agora é o The New York Times quem anunciou que recorreu a uma cooperativa de jornalistas para prover conteúdo específico para a edição regional de Chicago do jornalão.
Antes do NYT, o Los Angeles Times já tinha fechado um acordo com o ProPublica, uma ONG que produz jornalismo investigativo, para melhorar seu conteúdo.
É uma tendência. Parece que investigar, e o custo que isso provoca dentro da redação, vai gradualmente se tornando uma tarefa para gente de fora do dia a dia do jornal.
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Um olhar mais profundo na relação (ou interseção) entre games e jornalismo, procurando compreender a forma como os jogos on-line podem ser usados no campo jornalístico e noticioso.
É esta a proposta que está sendo desenvolvida na Georgia Tech _e que tem tudo a ver com a era da conversação e das novas narrativas jornalísticas, uma espécie de obsessão de minha pesquisa acadêmica nos últimos meses.
O trabalho na universidade americana começou bem, encontrando e analisando o jogo do “menino do balão”, um assunto que dominou o noticiário na semana passada e tem repercussões até agora, com a provável imputação penal dos pais da criança _que jamais esteve à deriva num balão, como eles fizeram acreditar.
Eu creio piamente no game, que já é a principal indústria do mundo, como um aspecto importante na renovação das maneiras como contamos histórias ao nosso leitor/usuário. Esse é apenas mais um exemplo.
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