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Entries tagged as ‘jornalismo cidadão’

O conteúdo feito pelo usuário que os chineses gostam

Junho 13, 2008 · Não Há Comentários

Não há democracia na China, isso é fato.

E é engraçado como os meios de comunicação conseguem provar isso de forma cabal.

Quando o executivo Wei Wenhua foi brutalmente espancado e morto após filmar um confronto entre policiais e pessoas que protestavam contra a legalização de um depósito de lixo, a imprensa local passou batida. Nas horas vagas, Wei era blogueiro e “jornalista cidadão”, mas sua atividade era considerada “nociva” ao país.

Pois bem: hoje o “Diário do Povo”, jornal oficial do país, conta a história do estudante Zhang Qi, que após o terremoto de 12 de maio postou na Web informações sobre uma área próxima a sua casa que poderia servir como heliponto para as equipes de resgate, já que as estradas que levavam à região de Wenchuan tinham sido todas destruídas _é aquela história de as redes sociais funcionarem na hora da desgraça.

O jornal diz que Zhang é o exemplo de como a Internet pode ser usada para a disseminação de informação e informa que o país, com seus 1,3 bilhão de habitantes, possui 221 milhões de usuários ativos na rede.

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“Não é jornalismo, é fofoca”

Abril 18, 2008 · Não Há Comentários

Quem concorda com a frase-título, um ataque frontal ao jornalismo cidadão, é Tom Alderman, num texto publicado há pouco pelo Huffington Post (diga-se de passagem, uma das boas iniciativas tornadas possíveis pelas facilidades da tecnologia).

Para ele, o trabalho jornalístico desempenhado por cidadãos comuns remonta à revolução americana (é um senso comum, são várias as comparações entre os blogueiros de hoje e os panfletistas do século 18) e apenas foi recriado com o advento da Internet.

Alderman demonstra ter aquela sensação _que eu já confessei ter às vezes_ de que tudo não passa de uma estratégia da grande mídia para reduzir custos. Em vez de deslocar equipes de reportagens, mais motoristas e equipamentos ao lugar das pautas, convide seu público a relatar, fotografar e filmar os acontecimentos.

Isso se chama crowdsourcing, e tem gente bastante séria _como Jeff Howe, da Wired_ debatendo o assunto. Basicamente, é botar as pessoas para trabalhar de graça para você.

 O jornalista questiona a credibilidade de amadores e pergunta a quem a participação interessa. Daí, usa o professor da Universidade da Georgia David Hazinsk (ex-correspondente internacional da rede NBC) para dar o grande golpe. “Nem sequer é jornalismo, é fofoca”.

Alderman tem 30 anos de experiência no ramo e trabalhou em jornais, TVs e também em assessoria de imprensa. Esse currículo depõe contra sua opinião, pois são justamente os dinossauros do mainstream os que mais temem o avanço da ex-audiência no jornalismo. E tentam proteger, ao menos no campo das idéias, seus antigos domínios.

É sempre saudável ouvir o outro lado, especialmente nesta profissão.  

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Nós nunca seremos a mídia?

Abril 16, 2008 · 2 Comentários

Mais uma experiência de jornalismo cidadão está fazendo água. Agora é o canadense Nowpublic que, três anos e US$ 10 milhões investidos depois, se depara com uma encruzilhada: seus colaboradores são muitos passivos, e a maioria dos textos basicamente reproduzem matérias publicadas pelo mainstream.

É o que eu comentei outro dia sobre o Ohmynews, trincheira da colaboração na qual até relato de jogo de futebol com ficha técnica (algo nada original e que ainda por cima concorre com a grande mídia) é publicado.

Outro dia foi o Assigment Zero quem encerrou suas atividades, após anunciar uma revolução no jornalismo colaborativo. Depois, alguns de seus maiores entusiastas analisaram que a experiência “foi boa enquanto durou“.

Some-se a isso os fracassos consecutivos de Dan Gillmor, considerado o cara que melhor definiu a nova ordem na mídia mundial com seu livro “We the Media“, de 2004 _apesar de Chris Willis e Shayne Bowman (com prefácio de Gillmor!!!) terem detectado exatamente o mesmo movimento um ano antes na obra “We Media“.

Os projetos participativos sob o comando de Gillmor foram todos um fiasco, a ponto de gente colocar em dúvida essa coisa de “nós, a mídia“. Hoje, Gillmor bate ponto no Center for Citizen Media, que ainda não disse exatamente ao que veio.

Ainda acho que falta, aos projetos de jornalismo colaborativo, pautar os colaboradores, roteirizar o trabalho deles.

No jornalismo participativo isso é menos premente _manda quem quer e o que quer, e publica quem tem juízo.

Pior ainda é o ambiente sem moderação jornalística, ou coexistência pro-am. Nele, ainda impera um quê de vale-tudo, como evidenciam os sites que trabalham com a plataforma wiki e são gerenciados pelos próprios usuários.

O caminho para que nós sejamos, definitivamente, a mídia ainda é longo e mal foi percorrido…

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Jornalismo cidadão atira para todo lado

Abril 14, 2008 · 2 Comentários

A participação da “ex-audiência” no jornalismo (o principal assunto sobre a profissão agora e pelas próximas duas décadas) ainda é heterogênea e sem critérios.

Uma análise detalhada do site coreano Ohmynews, bastante citado como a experiência mais bem sucedida de jornalismo colaborativo, evidencia claramente que não há rumo. Às vezes, valoriza-se o diferencial para escancarar a alardeada ruptura com a grande imprensa (que doravante quero chamar de mainstream, posso?). Noutras, concorre-se pobremente com ela.

Projetos participativos em português, então, são ainda mais inanimados. O Wikinotícias, com média de oito textos (ou notas?) publicados por dia e administrado por cães de guarda de sua própria comunidade, ainda é inqualificável.

Estruturado de forma diferente (há a mediação profissional sobre o trabalho do amador), o Brasilwiki aparenta ter mais solidez. Porém sofre do mesmo mal do site asiático, sua confessa fonte de inspiração.

Ao anunciar, em sua fundação, que “cada cidadão é um repórter” e que sua plataforma era claramente uma oposição ao mainstream, o Ohmynews explicitou que manchetes como a desta madrugada são seu business.

No caso, um texto pessoal impressionista, com incômodo nariz de cera, mas um ótimo diferencial do noticiário da grande mídia: um cara contando que a cidade inglesa em que viveu, Dewsbury, tem o inacreditável poder de atrair tragédias. Foram vários os casos Isabella Nardoni no município. O mais recente (nem tão fresco assim, é do início de fevereiro…) é citado en passant pelo autor no oitavo parágrafo.

No dia em que as autoridades do Banco Mundial previram que a incontrolável alta dos preços dos alimentos vai provocar guerra e fome no mundo (NOTA: eram as manchetes de CNN e BBC por toda tarde/noite/madrugada deste domingo para segunda), não havia uma única notícia relacionada ao tema na trincheira do Ohmynews.

Tudo bem, se a missão da experiência é deixar de lado o hard news e incentivar sides ou análises.

Mas um passeio aleatório a outro setor do site, o canal de esportes, faz a incongruência saltar os olhos. É o caso do texto que conta as vitórias de Serena Williams e Nikolay Davidenko no Masters de Miami _ainda por cima publicado três dias após o fim do torneio.

Ou o relato da partida Colo Colo x Boca Juniors, com direito a descrição de lances e ficha técnica, tal qual centenas de outros produzidos pela grande mídia no mesmo dia.

Peralá: mas a colaboração é ou não é de hard news? É o que o usuário quiser, então? Cadê a mediação?

Aos experimentos pro-am de jornalismo colaborativo falta uma figura indispensável à tarefa profissional de coletar/filtrar/divulgar dados: a pauta, o roteiro de temas de interesse premente.

Um projeto que contemple a seleção de temas semanais/diários a serem abraçados pelos colaboradores, dentro de suas possibilidades, é factível. Quem não puder se comprometer a fazer, que não manifeste o desejo de desenvolver um texto. Agindo antes, os mediadores poderão obter resultados melhores.

De cara, isso é a solução para a vontade incontrolável de vestir um cachecol ao abrir sites como Ohmynews ou Brasilwiki, quase sempre dissociados do dia-a-dia em suas manchetes (mas, em suas listas de notícias, reféns dele).

E o papo ainda nem chegou à catastrófica colaboração oferecida pelos portais noticiosos.

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Há um século, decidiram ensinar jornalismo…

Março 26, 2008 · 4 Comentários

No dia 29 agora (neste sábado, portanto) completam-se 100 anos que dois jornalistas americanos, incentivados financeiramente pelo lendário Joseph Pulitzer, criaram a primeira escola de jornalismo do mundo, na Universidade de Missouri.

E até hoje a discussão persiste: e jornalismo lá se aprende na escola?

Para quem acha e defende que ”não” ou “em termos” (como eu _por mais paradoxal que isso possa soar), iniciativas atuais mostram que até quem não deveria está sendo instado a se sentar num banco escolar para aprender como se comporta (ou deveria se comportar) esse estranho ser chamado jornalista.

Travestidas de ação social libertária, tentam ensinar o modus operandi de repórteres e editores a cidadãos comuns interessados em práticas de jornalismo colaborativo.

Ou seja: até quem chegou (o “público antes conhecido como platéia“) para ajustar a madrasta agenda da mídia está sendo devidamente amestrado.

Mas afinal: jornalismo se aprende na escola?

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