Webmanario

Entradas etiquetadas como ‘jornalismo impresso’

Alemanha ganha primeiro jornal impresso personalizado do mundo

Outubro 16, 2009 · 5 Comentários

Uma dupla de jovens empresários alemães apresentou esta semana um projeto mirabolante: o do “primeiro jornal personalizado da Europa“. Parece loucura, e é.

O Niiu, que será lançado na segunda quinzena de novembro, se propõe a ser uma miscelânea de reportagens publicadas pelas edições on-line de veículos alemães e internacionais.

Cada assinante (que pagará 1,20 euros por edição) escolhe, no dia anterior, que tipo de notícia quer ver no seu jornal na manhã seguinte.

A premissa do ousado projeto é superquestionável: “as pessoas preferem ler em papel”, diz Wanja Soeren Oberhof, 23, um dos donos da ideia (ao lado de Hendrik Tiedemann, 27).  É?

A duplinha de aventureiros diz que, para os anunciantes, seu produto é um prato cheio, porque podem alcançar exatamente o público que almejam.

 Como aventura, o Niiu me parece sensacional _é desse tipo de experimento que sacamos conclusões para o futuro do negócio jornal. Como produto, entretanto, tem tudo para naufragar.

Volto ao assunto quando ele fechar as portas.

(via 233 Grados)

Categorias: Blogando · Sobrevivência na Rede
Etiquetado: , , , , , ,

Olimpíada-16 e Copa-14 dão sobrevida aos jornais impressos brasileiros

Outubro 3, 2009 · 4 Comentários

Repare na quantidade de anúncios dos jornais impressos deste sábado relacionados à escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

A Folha de S.Paulo, por exemplo, editou um caderno especial de 20 páginas _nenhuma delas “limpa”, como falamos no jargão (ou seja, todas com anúncios, vários de página inteira).

Somada a realização da Copa do Mundo de futebol, em 2014, estes próximos sete anos com direito aos dois maiores eventos esportivos no país prometem ser de bonança para o jornalismo impresso, ainda o porto seguro das verbas publicitárias (públicas e privadas).

Pela amostra dos diários deste sábado, os periódicos de papel brasileiros terão pela frente um período bastante auspicioso do ponto de vista de acúmulo de receitas. É um respiro num cenário de crise, enxugamento e queda de circulação.

Categorias: Blogando
Etiquetado: , , , , , , , , ,

Alguns ótimos exemplos de bom jornalismo visual

Setembro 6, 2009 · 3 Comentários

Trabalho do brasileiro Gerson Mora no portfólio do Visual Editors

Trabalho do brasileiro Gerson Mora no portfólio do Visual Editors

Não, o jornalismo visual estático não morreu. Ainda que tenham diminuído os espaços para sua veiculação _claro, os produtos impressos passam pela maior crise de sua história.

Aqui, numa cortesia do Visual Editors, você confere o que de melhor está sendo feito no mundo para transmitir informação via imagens.

Tem muita coisa nesse portfólio eletrônico, vale a pena dar uma olhada detalhada.

Categorias: Blogando
Etiquetado: , , , , ,

O jornal de 17 milhões de exemplares por dia

Setembro 2, 2009 · 1 Comentário

Escrito em hindi, o Dainik Jagran atinge 55 milhões de leitores por edição

Escrito em hindi, o Dainik Jagran atinge 55 milhões de leitores por edição

Durante décadas (e isso persiste até hoje) a resposta à pergunta “qual o jornal de maior tiragem no mundo?” era fácil: o japonês Asahi Shimbun e seus 8 milhões de exemplares diários.

Pois estamos todos desatualizados.

O diário mais vendido do planeta, e já há algum tempo, é o indiano Dainik Jagran (“A Verdade”), que põe nas ruas todos os dias impressionantes 17 milhões de cópias _um alcance de quase 55 milhões de leitores. O jornal é escrito em hindi, língua dominada por 41% dos 1,2 bilhão de habitantes do país asiático.

O Financial Times relata que o negócio do jornal anda de vento em popa, impulsionado por um crescente grupo de engajados políticos e recém-alfabetizados: ele faturou 15% a mais no último quadrimestre, com relação ao lucro auferido no mesmo período do ano passado.

Sim, a Índia (como Brasil e China) ainda não conhece a crise dos jornais impressos como se vê nos EUA e na Europa. Claro, há milhares de pessoas saindo da linha de pobreza todos os dias e conquistando só agora acesso a informação paga.

Os números indianos são especialmente pedagógicos nesse aspecto: em 1976, só 35% da população era alfabetizada. Hoje, esse número dobrou.

Longa vida ao Dainik Jagran.

Categorias: Blogando
Etiquetado: , , , , , , , , ,

Blog revela o offline de um produto on-line

Agosto 25, 2009 · 1 Comentário

Contar o que acontece offline numa redação on-line. É esta a proposta de Darío Gallo, editor geral da página na web do Perfil, um dos grandes jornais argentinos, no blog Redacción Abierta.

Além de revelar as agruras nossas de cada dia nesta difícil tarefa de comunicar 24 horas por dia, sete dias por semana, Gallo _que é um veterano jornalista do meio impresso_ também faz excelentes reflexões.

Como esta: o que acontece quando o papel leva um furo de um meio digital? Ele é transparente ao recuperar o assunto para seu público? Qual o timing que o leva a entrar numa história inicialmente publicada pelo jornalismo on-line?

Perguntas que, sabemos, aqui no Brasil têm respostas bem desagradáveis _minha conclusão pessoal é que os meios digitais ainda são tratados como menores pelo jornalismo impresso, o que é um erro crasso. Conheço até um editor que usa, com frequência, a expressão “isso é notícia de internet”.

Ora, é notícia ou não é notícia? A plataforma não tem nada a ver com isso…

Categorias: Blogando
Etiquetado: , , , , , , , , ,

Só o deadline está sempre na mesma

Agosto 11, 2009 · 8 Comentários

Comecei no jornalismo diário em 1990, na Folha da Tarde, jornal que mais tarde, numa quase fusão com o Notícias Populares, gerou o Agora (o NP, na verdade, fechou dois anos depois da mudança de nome da FT, mas isso proporcionou uma absorção de parte de seu cardápio pelo único jornal popular que seria publicado dali por diante pelo Grupo Folha).

Era uma época bem diferente.

Pra começar, na entrada da redação tinha um pote forrado de fichas telefônicas _claro, não havia celular, e contato entre base e repórter só era possível se este último fosse a um orelhão dar sinal de vida.

Muitas vezes, esta ligação servia como modo de transmissão da matéria. Explico: muitas das coisas que fazíamos na rua tinham de ser simplesmente ditadas, porque não havia outro modo de passar a informação à redação.

Ficávamos mais tempo na rua, disparado. A verdade é que a rua era o refúgio do repórter. Hoje, monitorado o tempo inteiro, virou um calvário documentado em tempo real.

O contato externo com o jornal era exíguo. Ou envolvia um mensageiro portador de rolos de filmes, documentos e manuscritos _seja motorista, amigo fazendo um favor, o que seja_, ou era todo feito por telefone. Jornais mais diligentes usavam radiotransmissores, conhecidos como walkie-talkie (o fax, diga-se, apareceria pouco depois).

O dia a dia de produção do jornal envolvia ainda tarefas demoradas, como o past-up (a montagem manual, com cola Pritt e estilete, de cada página da edição), a transformação daquilo em chapa, a preparação da rotativa, bem menos expedita do que nos tempos de hoje, e a própria rodagem da edição _nem é preciso dizer que o equipamento atualmente disponível para as editoras imprime até dez vezes mais rápido a mesma quantidade de papel.

Você já deve estar aí rindo de tanta dificuldade, pensando em como era fazer jornalismo na era da pedra lascada (e olha que nem citei a inexistência da internet _ou do Google, como queira).

Mas tem uma coisa que não mudou em nada de lá para cá: o horário do fechamento.

É sério, alguém, me explica: por que, com tanto avanço tecnológico notório e a olhos vistos, o deadline, o maldito deadline, é praticamente o mesmo em 2009 como era em 1990?

Não é balela, eu vi: em alguns casos, como o das edições de domingo, o limite para concluir a edição era mais extenso há 19 anos do que atualmente. É, na minha eleição, o maior mistério que permeia o jornalismo impresso.

Se todos os gargalos se abriram, porque só o horário do fechamento não reagiu?

Categorias: Vida de jornalista
Etiquetado: , , , , , , , , , , ,

O que é uma cidade sem um jornal?

Agosto 10, 2009 · Deixe um comentário

Retrato sombrio: uma banca de jornal nos EUA (Foto: Bruce Gilden/Magnum, for The New York Times)

Retrato sombrio: uma banca de jornal nos EUA (Foto: Bruce Gilden/Magnum, for The New York Times)

A Revista do New York Times traz em sua edição mais recente a história de Brian Tierney, que toca na corda-bamba dois jornais diários na Filadélfia (Inquirer e Daily News).

É um belo relato dos nossos tempos. Para ler com calma.

Categorias: Vida de jornalista
Etiquetado: , , , , ,

Um produto jornalístico que não se preocupa com quem lê

Julho 24, 2009 · 2 Comentários

“Blockbuster mentality” ou relevância jornalística? Que caminho seguir quando se faz jornalismo na internet?

Eu costumo dizer que não pode ser o objetivo de ninguém manter um site que não seja acessado. Seria frustrante profissionalmente e uma catástrofe em termos de negócio.

Ao mesmo tempo, abandonar os preceitos do bom jornalismo apenas em troca de cliques a mais, convenhamos, é desabonador.

Temos observado, na web, os dois lados da moeda.

Não vejo absolutamente nenhum problema em se pensar o conteúdo a partir do interesse do leitor. É assim que se começa a desenhar um veículo sintonizado com sua audiência.

Agora, fazer como diz que faz o NYT (segundo o editor de área Jim Roberts, nenhuma decisão tomada leva em consideração o comportamento do usuário) é ridículo ou mentira.

Não é possível editar um site noticioso sem a participação dos leitores. Senhores, isso se chama jornal impresso, produto bem por isso em desuso.

Categorias: Sobrevivência na Rede
Etiquetado: , , , , , ,

Nós não precisamos de manchetes, não é?

Junho 14, 2009 · 4 Comentários

O Webmanario perguntou nas últimas três semanas a seus leitores se um jornal impresso precisa ter manchete sempre. Trocando em miúdos: se é obrigatório, a quem faz jornalismo em papel, determinar que um assunto é mais importante do que outros na construção de uma primeira página.

A maioria absoluta (61%) optou pelas duas alternativas que se complementavam, “Depende: desde que tenha uma informação realmente relevante”, que recebeu 34% das escolhas, e “Não, a manchete é uma convenção. O importante é distribuir bem os assuntos na primeira página”, com 27% _registre-se que a alternativa “Claro, jornal sem manchete está incompleto” alcançou 26% das preferências (“Não sei, nunca tinha pensado nisso” bateu em 13%).

Leia também: Reinventar o jornalismo ou o jornalista?

Quando eu respondo “não” ou “depende” à indagação “um jornal impresso precisa ter manchete sempre?”, eu claramente estou refutando um modelo que vigora desde que o jornalismo é jornalismo. Seria hora da tal da reinvenção?

houve jornal sem manchete, mas era dia 26 de dezembro, pleno Natal. Conta como ousadia, claro, mas reforça bastante a citação do colega Roger Modkovski de que “os jornais partem do falso pressuposto de que todos os dias há acontecimentos a serem noticiados”.

Tudo bem, ousado. Mas porque prescindir de um assunto capaz de chamar mais atenção e, portanto, ser mais promissor como produto?

Tanto é verdade que os jornais não podem navegar ao sabor dos acontecimentos como é mais que sabido que é preciso possuir na agulha material especial/investigativo para tirar o veículo da agenda. São esses os tais “diferenciais” que, além de pautar o jornalismo eletrônico, seguram uma manchete.

Mas ok, a pergunta da enquete _criticada por conter poucas opções e respostas muito fechadas_ era ainda mais existencial. Precisamos viver sob o domínio da manchete? E, além disso, qual a autoridade de quem manchetou?

Vinicius Bruno me lembrou que o “gatekeeping”, ou a escolha do que entra na edição, é meramente subjetivo. Quem é você para me dizer o que é mais importante? “Eu sou o editor, sou preparado e pago para isso, e se o leitor não gostou é porque ele é um idiota”, respondeu, certa vez, Paulo Francis.

Brilhante, mas talvez só Francis tivesse essa autoridade _acho que nem ele.

A semana de reflexão sobre o aconteceu ontem termina hoje. Foram dias de intenso debate e troca de informação. Em todas as frentes on-line.

Onde, aliás, esta conversação prossegue.

Categorias: Blogando
Etiquetado: , , , , , , , , , , , ,

O jornal vai dormir internet, a internet acorda jornal

Junho 12, 2009 · 3 Comentários

“O jornal vai dormir internet; a internet acorda jornal”. A frase é recorrente em meus cursos de jornalismo on-line, e a cada dia tem se mostrado mais verdadeira.

O jornal dorme internet porque absorve naturalmente, durante o dia, hardnews e features publicadas pelos veículos on-line. Ao mesmo tempo, estes ainda não sabem como movimentar suas capas nas primeiras horas da manhã sem beber nas páginas dos impressos e suas investigações exclusivas.

Já houve quem disse (e fico devendo esses insights, os acharei) que, se subitamente o jornalismo impresso acabasse hoje, portais e sites de notícias teriam graves dificuldades em mudar suas capas pela manhã até que, e ao sabor dos acontecimentos, alguma coisa acontecesse.

A blogosfera, então, perderia boa parte de sua munição _repare como, via de regra, o que estimulam posts e comentários são textos publicados em produtos em papel.

É claro que tudo isso, além de polêmico, carece de comprovação científica. Eu creio, vejamos mais para a frente como demonstro.

Jornalismo é jornalismo, não importa a plataforma. É por isso que on-line e papel têm de se complementar de fato. Entendendo o melhor de cada _e oficializando o que já acontece na prática.

Leia também: Aconteceu ontem: análise e opinião resolvem?

Como avançar sem desinformar

Alguns escritos sobre o estado do jornal impresso

Nada mais desatualizado do que o jornal de hoje

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

Categorias: Blogando
Etiquetado: , , , , , ,