Webmanário

Entries tagged as ‘jornalismo no cinema’

A morte do escudeiro maltrapilho

Março 31, 2008 · Não Há Comentários

Falamos deles outro dia, quando abordamos a representação do jornalista no cinema, e ontem morreu Dith Pran, fotógrafo cambojano que era o protótipo do escudeiro leal, maltrapilho e disposto a morrer para ajudar seu parceiro jornalista. Um personagem que virou clichê nos filmes dos anos 80, mas que neste caso era verdadeiro.

Pran foi tradutor e faz-tudo do jornalista do The New York Times Sydney Schamberg, enviado ao Cambodja em 1975 para cobrir o golpe que colocou no poder o marxista sanguinário Pol Pot. Como conhecia os atalhos, Pran levou o repórter americano a locais onde se acumulavam caveiras e corpos (como mostra este documentário).

Impedido de deixar o país (só Schamberg pôde sair do Cambodja, e lamentou para o resto da vida ter deixado o amigo para trás), Pran foi preso e torturado por quatro anos, até que se conseguiu passar por um iletrado camponês (o regime de Pol Pot matava as pessoas que pareciam esclarecidas) e fugiu para os EUA, onde acabou contratado pelo NYT e criou uma fundação para ajudar as famílias das vítimas do genocídio.

Da cama do hospital, onde lutava contra o câncer, Pran deu uma entrevista ao NYT poucos dias antes de morrer.

É uma coincidência, já que na quarta passada, e também de câncer, morria Philip Jones Griffiths, fotógrafo que teve papel importante na Guerra do Vietnã.

Categorias: Altas imagens... · Blogando · Vídeos
Tagged: , , , , , , ,

Cidadão Kane no Unifai

Março 24, 2008 · 1 Comentário

Nesta sexta (28/3), no período da aula de Edição II, vamos exibir Citizen Kane (com legendas em português). Além de, provavelmente, tratar-se do maior filme já concebido e rodado, é o maior filme sobre jornalismo jamais realizado.

É a história de Charles Forster Kane, fictício magnata da imprensa idealizado por Orson Welles _que negou até a morte ter se inspirado no verdadeiro William Randolph Hearst, este sim magnata de carne e osso.

Difícil dissociar Kane e Hearst: “Rosebud“, por exemplo (nome que permeia a trama), seria o apelido que o ricaço deu à periquita da segunda mulher…

Categorias: Blogando · Vídeos
Tagged: , , , ,

O Jornalismo no Cinema 3

Março 12, 2008 · 3 Comentários

Houve um tempo (que durou pelo menos uma década, infelizmente) em que o jornalismo, para Hollywood, só era digno de virar filme se contasse as agruras de um correspondente numa zona de conflito. Um cara empoeirado, fudido da vida, condenado a viver eternamente longe de casa, sem banho, cheirando a… vocês sabem.

Esse cara normalmente era fotógrafo (e sempre empunhando a máquina de forma equivocada, reparem), cobria desavenças bélicas no Terceiro Mundo e desenvolvia amizade fraternal com seus intérpretes/guias _estes, sempre empapados em suor, paus pra toda obra e capazes de arriscar a vida por uma reportagem. Às vezes, quando a guia era mulher ou a repórter da agência concorrente atraente, ainda rolava um algo mais.

Assim é O ano em que vivemos em perigo (The Year of Living Dangerously, 1982), ambientado na Indonésia do ditador Sukarno, com o regime à beira do colapso (1965, portanto). Ganhou um Oscar.

Os gritos do silêncio (The Killing Fields, 1984) repetiu a fórmula, mandou o enviado ao Cambodja, fez a platéia chorar e faturou três estatuetas.

Em 1986, El Salvador, o martírio de um povo (Salvador) relata como um frila beberrão e fracassado aproveita a guerra civil no país centro-americano para tentar relançar sua carreira. Aqui, além do amigo fiel suado, tem a coleguinha cheirosinha e instigante também.

Essas representações também têm responsabilidade pelo fato de tantos jornalistas empregados hoje na grande mídia considerarem, pra valer, que a profissão só faz algum sentido se o repórter viaja. Para eles, ser repórter em São Paulo é chato…

Ainda fazem filmes assim, é incrível. Harrison’s Flowers, de 2000, é sobre um fictício fotógrafo que acaba ferido e fica entre a vida e a morte na guerra da Bósnia. A mulher dele, a bela Andie McDowell, ultrapassa todos os obstáculos e tenta localizar e socorrer o amado. A coisa mais chata a superar é o personagem de Adrian Brody, que interpreta um fotógrafo da AP. Como todo fotógrafo, ele é conceitual, se orienta pela luz e dá todos _absolutamente todos_ os conselhos errados. Pela Andie, minha paixão da adolescência (meu deus, com quantos anos então estará essa mulher?), veja o trailer (quem descobrir o nome desse filme em português me avisa?):

Categorias: Mural · Vídeos
Tagged: , , , , ,

O Jornalismo no Cinema 2

Março 11, 2008 · Não Há Comentários

Esse é um filmaço, como se diz por aí: Todos os homens do presidente (All the president’s men, 1976).

Reconstitui todos os acontecimentos que levaram à renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon, com ênfase no trabalho de investigação jornalística dos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein _que se tornariam célebres.

Outra coisa legal é a representação das pressões que um jornalista recebe no exercício da profissão. Aqui isso é mostrado de forma bem crível.

Categorias: Mural · Vídeos
Tagged: , , , ,

O Jornalismo no Cinema 1

Março 10, 2008 · Não Há Comentários

Como nesta sexta o assunto é o texto A dupla falta do editor de jornal, das nossas amigas professoras Beatriz Marroco e Christa Berger, vamos lembrar um pouco nesta semana das representações de editores, repórteres e do trabalho jornalístico no cinema _citado, afinal, no texto em questão.

O óbvio é sempre começar com Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941), então vamos iniciar por Quase Famosos (Almost Famous, 2000).

Além da trilha sonora pra lá de legal (é difícil errar tendo o começo dos 70 como ambiente…), conta as agruras de um moleque de 16 anos que cobriu uma turnê de uma bandinha hype para a prestigiosa revista “Rolling Stone”. Mostra relação editor-repórter, e num tempo em que máquina de escrever e telefone com disco (e não teclado) eram o máximo.

É a história dos primórdios de Lester Bangs, um cara que revolucionou a cobertura musical. Ele morreu de overdose por uso de drogas em 1982.

Categorias: Vídeos
Tagged: , , , , ,