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Entries tagged as ‘jornalismo on-line’

Parlamento britânico pega o jornalismo on-line no pulo

Julho 1, 2008 · 2 Comentários

Acabo de ver no Twitter de Fernando Zamith um interessante relatório da Câmara dos Lordes (o Parlamento britânico) que clama por mais qualidade no jornalismo on-line do Reino Unido.

Eu também clamaria por mais qualidade daqueles que nos governam, mas o relatório não é de todo absurdo. Por exemplo, cita que os portais da Internet estão completamente a reboque de releases e agências de notícias, publicando _todos_ matérias absolutamente iguais.

Outra constatação dos lordes que é real: “muito do noticiário disponível na Internet (…) não é novo, é reembalado de outros veículos”.

Além disso, Lorde Fowler, relator do documento, cita que a expansão dos serviços jornalísticos on-line não veio acompanhada de postos de trabalho condizentes com seu novo tamanho.

Importante: todas essas observações valem tanto para a Inglaterra quanto para o Brasil. Estamos, portanto, navegando no mesmo barco da mediocridade.

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O Terra corrigiu, sim, seu erro; corrijo agora o meu

Maio 22, 2008 · 2 Comentários

Sim, o Terra embarcou na barriga histórica do avião que não houve, mas eu cometi um erro grave _e uma injustiça_ ao afirmar categoricamente que não existiu correção do deslize.

Sim, ela houve.

Agradeço à Cuca Fromer, gerente editorial do portal, que me alertou atenciosamente sobre a lamentável omissão que cometi.

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O dia em que a imprensa apurou a imprensa

Maio 22, 2008 · 3 Comentários

Não bastasse o papelão na cobertura do falso acidente de avião ontem em São Paulo, algumas redações insistiram na mentira nas horas que se seguiram à tragédia que vitimou o bom jornalismo. Algumas (caso do Terra) nem sequer publicaram correção (veja errata).

Disse a redação do IG que a notícia sobre a queda do avião da Pantanal tinha partido da assessoria de comunicação da Infraero _é exatamente a justificativa da Globonews, origem do erro crasso copiado em série sem checagem pelos portais.

Nos bastidores, porém, conta-se que ninguém, em nenhum portal que embarcou na barriga, tirou o telefone do gancho e fez qualquer ligação. A informação categórica da rede de TV fechada bastou. Conhecendo a “apuração-cópia” como a que vi por dentro de um portal, não duvido.

Mário Vítor Santos, ombudsman do portal, ouviu Léa Cavallero, responsável pela assessoria da Infraero. Seu depoimento é destruidor. Fala em despreparo e conclui com um brilhante “foi um caso da imprensa apurando a imprensa”.

Santos termina apontando diretamente para a redação do próprio portal. “A apuração foi precária, a confirmação foi mambembe, os critérios para que a notícia chegue ao leitor foram frouxos. O iG precisa submetê-los a uma completa revisão para garantir que entrega aos internautas notícias dignas do nome.”

Construtivo, o Comunique-se bolou uma matéria com dicas para a cobertura de supostos acidentes aéreos (incluindo os contatos telefônicos das assessorias das principais autoridades aeroportuárias). Esperemos que ela seja lida e seguida à risca da próxima vez.

Repetindo: enquanto os portais de Internet se preocuparem mais com a concorrência do que com seu público, esse tipo de absurdo irá se repetir.

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A barriga repercute

Maio 21, 2008 · Não Há Comentários

“A prática de cozinhar e assumir informações (certas ou erradas) da TV e rádio é comum em portais da Internet, mas não deveria ser adotada pelo UOL.”

A barriga sobre o avião que não houve segue repercutindo. A frase acima é da ombudskvinna (sim, é esse o feminino de ombudsman) do UOL, Tereza Rangel.

Deixei claro, no post anterior, que discordo dessa visão. Não vejo como “cozinhar”, mas como atribuir. Foi isso até que fez o portal se salvar em parte, na minha opinião, da catastrófica terça-feira do avião inexistente.

Mário Vitor Santos, ombudsman do IG, comentou a derrapada.

O Comunique-se também discute o tema (exige senha) .

Falamos mais nesta quarta.

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O avião não era avião, e o jornalismo on-line coleciona mais um papelão

Maio 21, 2008 · 10 Comentários

O jornalismo on-line protagonizou mais um papelão nesta terça-feira no episódio do avião que teria caído em Moema, na zona sul de São Paulo. No início das contas, era apenas um incêndio que nem sequer feridos graves deixou.

Coube aos portais Terra e IG, especialistas neste tipo de precipitação, o novo avanço de sinal ao cravarem, sem citar fonte alguma, que uma aeronave tinha despencado sobre prédios na maior cidade do país (veja as duas reproduções de tela que acompanham este post).

Tudo bem que a barriga de verdade partiu da Globonews, que anunciou o suposto acidente (e o registrou em gerador de caracteres, com todas as letras) usando a Infraero como fonte noticiosa _o que a empresa negou com veemência, conforme mostra ótima linha do tempo editada pelo site da Revista Imprensa.

Por que o jornalismo on-line, então, embarcou na barriga dos outros?

É característica desta mídia (com a qual concordo), inspirada no padrão médio de acesso de seus usuários (a maior parte deles em horário de expediente), ver TV, ouvir rádio e ler jornais e revistas para seu público, refletindo este conteúdo na rede. São, sim, tarefas importantes e necessárias.

Citar estes veículos como “fonte”, portanto, é altamente legítimo e, ao final das contas, uma prestação de serviço ao consumidor _o UOL, por exemplo, manchetou com “Avião da Pantanal cai na zona sul de SP, diz TV”, cuidado que seus concorrentes não tiveram.

Posso falar com conhecimento de causa sobre o Terra, onde trabalhei por quase três anos em três funções diferentes. A direção editorial da empresa construiu o site em cima de uma agilidade que não corresponde à necessidade ou expectativa do internauta. Ninguém fica atualizando portais para ver quem deu primeiro determinada notícia.

Esse fenômeno é comentado por Paulo Pinheiro (outro ex-Terra, aliás) no texto “A ditadura do ctrl c + ctrl v“, em que toca na ferida ao constatar, com absoluta correção, que os portais da Web se preocupam muito mais com a concorrência do que com seu público leitor.

No Terra, isso chega a níveis absurdos. Profissionais são pressionados a atualizarem capas mesmo sem disporem de material suficiente _a boa e velha apuração_ recorrendo, para isso, a simplesmente copiar outros veículos. Essa política já culminou com demissões sumárias e até abandono de emprego (sim, um jornalista se levantou e foi embora ao receber uma ordem absurda do gênero).

Não existisse essa urgência criada por uma velocidade em que as pessoas não estão (nem jamais estarão), neste momento trataríamos aqui apenas da gravíssima barriga da Globonews _essa sim notável por se tratar de um produto tão cuidadoso (e ao mesmo tempo ágil) na divulgação de notícias.

Em tempo: Folha Online e G1, ao chamarem por “Incêndio atinge prédio na zona sul de SP”, sem mais esclarecimentos, escaparam incólumes do papelão.

Em tempo II: o blog do Gjol conta que até no exterior a barriga dos sites brasileiros provocou estragos.

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Os hábitos de leitura on-line revistos e ampliados

Maio 6, 2008 · Não Há Comentários

Saiu hoje um novo estudo sobre as características da leitura on-line. Nosso amigo Jakob Nielsen, um especialista no assunto, analisou o trabalho de pesquisadores alemães para dar uma atualizada em seus escritos, que já têm mais de dez anos.

A conclusão agora é que as descobertas de 1997 ainda estão valendo, com o acréscimo da seguinte constatação, feita após a análise da leitura de 59.573 page views: na média, um ser humano lê apenas 20% das palavras escritas num texto emitido por um monitor (o máximo que esse número chega é 28%).

Isso confirma a descoberta do próprio Nielsen, de que as pessoas simplesmente não lêem quando estão no computador, mas escaneiam palavras.

Outro dado bacana levantado pelos pesquisadores alemães é que o “back” (essa função aí no canto superior esquerdo do seu navegador e que serve para voltar à página visitada imediatamente antes) foi relegada à terceira mais clicada pelos internautas, atrás do hiperlink e, agora, de botões diversos que novas plataformas espalharam pelas páginas. 

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Washington Post: um case de divergência de mídias

Abril 26, 2008 · Não Há Comentários

Um rio separa duas redações em Washington. O inusitado é que falamos de um mesmo jornal: o Washington Post. Para ele, a convergência passou longe. Não está nem sequer nos planos da empresa, ao menos a médio prazo, unificar as equipes impressa e on-line.

Não que a distância física _no caso, são alguns quilômetros, com o rio Potomac como divisor simbólico_ seja impedimento para o trabalho integrado entre as plataformas. Apesar de tendência mundial, não é a regra no Brasil, por exemplo.

Agora, o que está acontecendo no Washington Post, conforme relato imperdível do jornal semanal Washington City Paper, é surreal.

A matéria começa com um exemplo emblemático: em fevereiro, duas repórteres da versão impressa trabalhavam numa história de maus tratos e descalabro administrativo num hospital militar da cidade que tratava de soldados feridos no Iraque e no Afeganistão.

O jornal publicou a primeira reportagem sobre o caso (viraria uma série especial) em 18 de fevereiro. Pois bem: na noite da véspera, um vídeo em que Dana Priest (uma das repórteres) narrava como ratos e baratas tinham feito do hospital seu hábitat foi ao ar na Internet. Não no Post, mas no site da rede de TV NBC, para quem a jornalista também colabora.

O caso revolve um rancor freqüente: muitos jornalistas de papel ainda vêem os sites de seus veículos como concorrentes. Termos como “eles”, para se referir aos profissionais do on-line da mesma casa, são freqüentes, lá e cá.

Para o Post (não só, por sinal), o abismo entre suas equipes significa custos extras que, em tempos de orçamento apertado, são injustificáveis. Traduzindo: é comum o jornal ter dois repórteres numa mesma pauta. Exatamente como ocorre no Brasil.

Casos como o do Post não são uma argumentação definitiva pró unificação _deve haver coisas boas na separação, tanto que o jornal de Washington é um dos mais inovadores e criativos da web.

Mas servem pra fazer a gente pensar.

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O Oscar do on-line só enxerga o texto

Abril 15, 2008 · 3 Comentários

Saíram os “Oscar” do jornalismo nos EUA, concedidos pela Society of Professional Journalists. O quesito on-line eu deixo para o professor Mindy McAdams comentar.

Iniciativa louvável, porém com desvios: há prêmios, por exemplo, para textos não concebidos originalmente para o tempo real, como reportagem da Reuters sobre os mórmons de Salt Lake City (distribuída e publicada por jornais em papel no mundo todo).

Outra coisa notável: webdesign e usabilidade não contaram absolutamente nada no prêmio. Apenas o conteúdo. A matéria que ganhou a distinção mais importante é um horror sob o ponto de vista destas coisas tão importantes quanto o texto on-line.

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Atenção, Jakob Nielsen está falando

Abril 14, 2008 · Não Há Comentários

Mestre Jakob Nielsen sai da tumba para apresentar mais um informe sobre usabilidade.

Desta vez, o “ómi” critica a distribuição de conteúdo por páginas de Internet escolhidas a dedo. E o recado é claro para quem edita: o uso de uma palavra, num pé de lista de notícias qualquer, pode fazer a diferença.

Combatido (ainda bem), Nielsen ainda dá as cartas.

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Jornalismo cidadão atira para todo lado

Abril 14, 2008 · 2 Comentários

A participação da “ex-audiência” no jornalismo (o principal assunto sobre a profissão agora e pelas próximas duas décadas) ainda é heterogênea e sem critérios.

Uma análise detalhada do site coreano Ohmynews, bastante citado como a experiência mais bem sucedida de jornalismo colaborativo, evidencia claramente que não há rumo. Às vezes, valoriza-se o diferencial para escancarar a alardeada ruptura com a grande imprensa (que doravante quero chamar de mainstream, posso?). Noutras, concorre-se pobremente com ela.

Projetos participativos em português, então, são ainda mais inanimados. O Wikinotícias, com média de oito textos (ou notas?) publicados por dia e administrado por cães de guarda de sua própria comunidade, ainda é inqualificável.

Estruturado de forma diferente (há a mediação profissional sobre o trabalho do amador), o Brasilwiki aparenta ter mais solidez. Porém sofre do mesmo mal do site asiático, sua confessa fonte de inspiração.

Ao anunciar, em sua fundação, que “cada cidadão é um repórter” e que sua plataforma era claramente uma oposição ao mainstream, o Ohmynews explicitou que manchetes como a desta madrugada são seu business.

No caso, um texto pessoal impressionista, com incômodo nariz de cera, mas um ótimo diferencial do noticiário da grande mídia: um cara contando que a cidade inglesa em que viveu, Dewsbury, tem o inacreditável poder de atrair tragédias. Foram vários os casos Isabella Nardoni no município. O mais recente (nem tão fresco assim, é do início de fevereiro…) é citado en passant pelo autor no oitavo parágrafo.

No dia em que as autoridades do Banco Mundial previram que a incontrolável alta dos preços dos alimentos vai provocar guerra e fome no mundo (NOTA: eram as manchetes de CNN e BBC por toda tarde/noite/madrugada deste domingo para segunda), não havia uma única notícia relacionada ao tema na trincheira do Ohmynews.

Tudo bem, se a missão da experiência é deixar de lado o hard news e incentivar sides ou análises.

Mas um passeio aleatório a outro setor do site, o canal de esportes, faz a incongruência saltar os olhos. É o caso do texto que conta as vitórias de Serena Williams e Nikolay Davidenko no Masters de Miami _ainda por cima publicado três dias após o fim do torneio.

Ou o relato da partida Colo Colo x Boca Juniors, com direito a descrição de lances e ficha técnica, tal qual centenas de outros produzidos pela grande mídia no mesmo dia.

Peralá: mas a colaboração é ou não é de hard news? É o que o usuário quiser, então? Cadê a mediação?

Aos experimentos pro-am de jornalismo colaborativo falta uma figura indispensável à tarefa profissional de coletar/filtrar/divulgar dados: a pauta, o roteiro de temas de interesse premente.

Um projeto que contemple a seleção de temas semanais/diários a serem abraçados pelos colaboradores, dentro de suas possibilidades, é factível. Quem não puder se comprometer a fazer, que não manifeste o desejo de desenvolver um texto. Agindo antes, os mediadores poderão obter resultados melhores.

De cara, isso é a solução para a vontade incontrolável de vestir um cachecol ao abrir sites como Ohmynews ou Brasilwiki, quase sempre dissociados do dia-a-dia em suas manchetes (mas, em suas listas de notícias, reféns dele).

E o papo ainda nem chegou à catastrófica colaboração oferecida pelos portais noticiosos.

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