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Entradas etiquetadas como ‘jornalismo on-line’

A convivência forçada de uma integração de redações

Novembro 23, 2009 · Deixe um comentário

O que acontece quando um grande jornal resolve integrar suas equipes on-line e off-line, e o povo do papel toma conta do produto?

Às vezes, coisas muito ruins, como o choque de culturas que o Washington Post vive exatamente neste momento.

Recentemente, dois dos maiores jornais do Brasil, Folha de S.Paulo e O Globo, decidiram integrar fisicamente suas redações, movimento que já havia sido feito anos antes por O Estado de S.Paulo.

Em todas, porém, aparentemente cada equipe segue trabalhando a sua maneira. Não é o ideal, mas nota-se boa vontade.

No Washington Post, a integração está sendo bem mais traumática. Papel e on-line viviam em mundos totalmente separados (inclusive em prédios distintos separados por um rio) e foram forçados a conviver juntos.

Essa história vai longe.

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Banner on-line completa 15 anos hoje

Outubro 27, 2009 · 6 Comentários

Hoje o banner publicitário na internet completa 15 anos. Em 27 de outubro de 1994, o site HotWired (a primeira revista web da história, fundada em 1994) criou o formato, cobrando US$ 60 mil (os valores são da época) da AT&T por 24 semanas de exibição.

No início, a novidade provocou problemas hoje inimagináveis. Claro, boa parte dos potenciais anunciantes nem sequer possuía um site. Logo, linkar pra onde o banner? Alguns optaram por sites ainda em construção, estratégia certamente catastrófica.

Saudado como a grande possibilidade de monetização das operações digitais, o banner ainda persiste, hoje sem carregar o peso dessa (falsa) responsabilidade.   Pudera: Jakob Nielsen, mestre da usabilidade, comprovou em suas pesquisas que o usuário simplesmente ignora essas mensagens publicitárias _tudo que está fora do campo de visão do padrão f é como se não existisse.

Amado e odiado, o banner veio pra ficar? Não responda ainda: a publicidade on-line também evoluiu. E está descobrindo maneiras mais efetivas de chamar a sua atenção.

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O retrógrado entrave sindicalista

Outubro 1, 2009 · 8 Comentários

Perguntei a Leonardo Dresch (a cabeça por trás da produção multimídia do jornal O Globo) por que os fotógrafos de jornais não se engajam no mix de conteúdos e, falando objetivamente, abracem a produção dos vídeos nossos de cada dia.

Falei disso há pouco tempo, e houve polêmica porque faltou o “fotógrafos de jornais” em meu discurso.

“A construção narrativa quem faz melhor é o réporter”, disse Dresch, que também é fotógrafo.Eu rebato com “mas são profissionais de imagem, deveriam se interessar por essa fronteira”.

Dresch levanta outro aspecto, este sindical: a organização que representa os fotógrafos é, em sua percepção (e compartilho isso), mais forte que a entidade de classe dos jornalistas. “Entidade de classe”, para dizer a verdade, é o termo certo.

Mas daí me lembro de Ronaldo Bernardi e seu incrível registro do mundo animal que levou um ano da apuração à concretização. Lembra? Claro: é aquele vídeo da tartaruga que ataca e come uma pomba.

A constatação óbvia é que os afinados com o discurso sindicalista estão ficando pra trás.

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E o R7, heim?

Setembro 28, 2009 · 10 Comentários

O Brasil ganhou um novo portal de notícias,  o R7, que tem por trás a Rede Record _e, claro, o dinheiro da Igreja Universal do Reino de Deus.

O site, nitidamente, prioriza notícias de entretenimento e parece formulado para o público das classes B e C (mas isso é uma suposição minha, não possuo esta informação).

De resto, fica a sensação de mais do mesmo, ou seja, que o R7 não apresentará nenhuma novidade nem acrescentará algo ao panorama on-line brasileiro. Pouco para algo que foi tratado, pela Record, como uma espécie de descoberta da internet.

Falamos em breve sobre isso.

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Sem rumo, jornais dão de graça o que poderiam cobrar

Setembro 24, 2009 · 7 Comentários

Olha só como os jornais singram sem rumo: o ABC, um dos maiores periódicos da Espanha, acaba de colocar no ar uma hemeroteca digitalizada com todas as edições de seus 118 anos.

É o típico produto que pode ser cobrado na web, um plus que os usuários interessados pagam felizes da vida.

Leia também: Só 5% do público aceita pagar por conteúdo na internet

Recomenda-se apenas uma edição temática para reunir, num mesmo pacote, matérias relacionadas (exemplo: a cobertura da Guerra Civil Espanhola, ou 100 textos de um determinado articulista notório etc).

Mas não: o trabalho brutal de digitalizar tudo, algo inimitável e que pertence apenas ao ABC, está aí, disponível de graça. Enquanto isso, o jornal quer cobrar por hard news, que todo mundo tem.

Vai entender.

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‘Na internet, ninguém sabe que você é um cachorro’

Setembro 14, 2009 · 2 Comentários

cartum_cachorro_internet

O tema é velho e batido, e a charge, tola e infantil.

Porém chama a atenção que o anonimato na internet (um problema ainda atual e mais grave sobretudo no jornalismo on-line) tenha sido abordado em 1993, quando a rede mal dava seus primeiros passos _nos EUA, por que a novidade só chegou para valer no Brasil três anos depois.

“Na internet, ninguém sabe que você é um cachorro”, diz o cartum de Peter Steiner, publicado pela The New Yorker, uma das revistas mais legais do mundo.

O que mudou de lá para cá: a evolução da construção da reputação on-line forçaria os dois cachorros a se exibir, se eles realmente quisessem ter alguma relevância. A conexão entre real e virtual é absoluta.

Hoje, em vez de se esconder sob suas verdadeiras indentidades, eles teriam orgulho de latir au-aus para uma plateia.

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Levantamento relaciona queda do PIB global a iniciativas de cobrança por conteúdo on-line

Setembro 12, 2009 · Deixe um comentário

grafico_ley_pago_contenidos

Muito oportuno o levantamento de Ramón Salaverría, que usando dados do FMI _e bastante conhecimento sobre a vida pregressa da internet_ estabeleceu uma relação entre PIB global e iniciativas de cobrança por conteúdo on-line, como a que assistimos agora, desde 1996.

À ela, Salaverría deu o nome de Lei do Pagamento por Conteúdos On-line, cuja premissa básica é: “o número de iniciativas para implantar conteúdos pagos em meios digitais é inversamente proporcional à evolução do PIB nos países ocidentais”.

O gráfico elaborado por ele (e que você vê acima) é lapidar para comprovar a tese.

Salaverría deixa ainda a pergunta: recuperada a economia após o crack do subprime, desistirão os grandes grupos jornalísticos (que pediram ajuda até do Google) da nova investida monetarista contra o que os usuários da web há anos estão acostumados a ter de graça?

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O dia em que o jornalismo cidadão foi notado

Setembro 11, 2009 · 3 Comentários

Nova York arrasada: foto do acervo do museu que lembra o maior acontecimento jornalístico de todos os tempos _e também o mais registrado por não jornalistas na história

Nova York arrasada: foto do acervo do museu que lembra o maior acontecimento jornalístico de todos os tempos _e também o mais registrado por não jornalistas da história

É consenso acadêmico que os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, mais especificamente os que tiveram o World Trade Center como alvo, são o evento mais registrado de todos os tempos. Foi o momento em que todos os olhos do mundo estavam voltados para aquelas duas torres glamourosas que, de repente, ruíram.

“Dizem que 11/9 foi o acontecimento mais registrado digitalmente em nossa história. E nós estamos convidando as pessoas a nos ajudar a contar essa história”, conta Alice Greenwald, diretora do museu que recordará a data _e que será inaugurado apenas em 2012.

Porém já está no ar, sob a chancela da curadoria do novo museu, um site provisório com centenas de registros dos ataques, num belo exemplo de convivência pro-am _material profissional e amador mesclado, jornalistas e testemunhas contando juntos um fato histórico que mudou a humanidade.

O museu tem um projeto, o Make History, que conclama os cidadãos a encaminhar registros que, seja por descuido, esquecimento, falta de iniciativa ou luto familiar, estejam depositados em algum cartão fotográfico ou disco rígido.

O material que já está no ar é muito bom e nos relembra, fortemente, o dia em que o jornalismo cidadão foi notado. É um momento decisivo para o que viria a acontecer ao próprio jornalismo nos anos seguintes.

A coleção tem registros não mostrados na televisão, como restos de corpos, uma poltrona de avião, fotos de família. Arrasador.

Mas um museu sempre quer mais relíquias.

Nada mais adequado que recorrer a quem melhor cobriu o fato _o cidadão, atônito diante do cataclisma.

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Percepções sobre o jornalismo on-line: o Manifesto Internet

Setembro 10, 2009 · 2 Comentários

Já foi traduzido para o português (e outros sete idiomas) o trabalho de 15 blogueiros alemães que se transformou no “Manifesto Internet“, uma lista de 17 percepções sobre o funcionamento do jornalismo on-line hoje e a plataforma que o acolheu.

Vale a penar perder um tepinho lendo o receituário. Não é uma bobagem com recomendações de autoajuda para você tirar seu veículo (e seu trabalho) da crise.

São, como eu disse, boas percepções sobre o que a internet fez com o jornalismo _e o que o jornalismo pode fazer com ela.

Eu gosto muito do item 16: “A qualidade permanece como a mais importante das qualidades”.

É isso que a gente não pode perder de vista.

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Datablog: uma base de dados colaborativa

Setembro 4, 2009 · 1 Comentário

datablog_guardianO Guardian tem um produto muito bacana, o Datablog.

A ideia é reunir, numa plataforma com ordem cronológica reversa e diálogo via comentários, toda quantidade de dados que possam ser úteis para a interpretação de uma notícia _papel que o jornalismo se atrasou em assumir.

Dados atualizados sobre a epidemia de gripe suína, o mercado global da pesca, as reservas de combustível, o tamanho do buraco na camada de ozônio…

É tudo open source, ou seja, pode ser copiado e aperfeiçoado pelos usuários, que por sua vez são convidados a compartilhar as descobertas que fizeram partindo do conteúdo postado no blog, gerenciado pela redação do jornal britânico.

Seu índice remissivo, porém, é pouco amigável e cumpridor de seu papel.

Mas já que o assunto são bases de dados, lembrei do jornal holandês NRC Handelsblad e seu ótimo mapa interativo da crise econômica. Tudo disposto de forma simples e bem rápida de achar.

São dois ótimos exemplos de boas respostas de jornais impressos às possibilidades da produção de conteúdo na web.

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