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Como o Google Wave está contribuindo para o jornalismo?
Leah Betancurt cita, em bom artigo no Mashable, pelo menos quatro grandes áreas onde já é possível perceber interferências do produto, saudado como uma grande plataforma colaborativa _e, de fato, um instrumento interessante para agregar sua audiência num espaço público.
1. Para engajar o público e gerar mais participação;
2. Como “praças públicas”, ou Ágoras modernas;
3. No planejamento de novas ferramentas para as redações;
4. Para incentivar a criação de novas ondas por meio de insights em blogs;
No Brasil, a revista Época foi o primeiro veículo do mainstream a criar um Wave público. A descrição do produto vai bem ao encontro do que citou Betancourt.
ATUALIZAÇÃO: A Dora Matos, nos comentários, mostra que o Guardian também já abriu o olho para a novidade. E Sérgio Lüdtke, o comandante de Época On-line e cabeça por trás do Wave do veículo, responde ao meu chamamento e nos conta a quantas anda a experiência por lá.
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Pede-se melhorar o termo “jornalismo” na Wikipedia.
Várias coisas erradas, clichês, bobagens… e uma bibliografia de meter medo.
Vou começar a meter a mão. Sugiro um mutirão. Vamos ver até onde vai o poder da inteligência coletiva num ambiente tão controlado.
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Muito legal a iniciativa do jornal O Globo na campanha “Dois Gritando“, que tenta incentivar o jornalismo hiperlocal e a colaboração, contando para isso com a participação de seus leitores.
Pelos próximos três meses, o jornal vai publicar reportagens exclusivas baseadas em informações prestadas ou sugeridas por seus clientes. Trinta e seis temas (favelização e rua sem calçamento são dois exemplos) foram destacados inicialmente, mas o leitor pode incluir outros.
É o tipo de iniciativa adequada à necessidade de conversação com o público, mas me preocupa seu caráter temporário. Não podemos nos dispor a ouvir as pessoas por apenas três meses: é um trabalho de formiguinha interminável.
Se bem que O Globo é, de longe, o jornal brasileiro com maior diálogo com seu público. Basta lembrar das vezes em que material do Eu Repórter, o canal permanente de participação do periódico, apareceu nas páginas do produto impresso.
De toda forma, uma vez mais é O Globo _até por sua característica provinciana, mesmo sendo um jornalão_ quem se mostra mais preocupado com o que as pessoas estão falando, discutindo e se incomodando.
Aliás, sobre o provincianismo que citei acima: está certíssimo. Jornais com pretensões de alcance nacional, em geral, não conseguem atingir seus objetivos fora da sede e, ainda por cima, decepcionam o leitor da cidade onde são publicados. Em resumo: não consegue cobrir o país adequadamente, e ainda deixa brechas locais porque tem de gastar papel com assuntos gerais nacionais.
Passou da hora de derrubar esse tabu.
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Hoje um amigo jornalista me contou o pedido de socorro de um colega de trabalho da área de tecnologia de informação, instado em sua faculdade a entrevistar alguém para uma tarefa acadêmica.
Curioso, mas as pessoas sempre querem agir como jornalistas. O colega do amigo, leigo, queria saber quais os formatos de entrevista e como fazê-las.
Meio chato, porque a mobilização sem vícios é, sempre, mais útil. E o que garante o mosaico que dá origem à verdadeira colaboração que está por trás do conceito de jornalismo participativo.
O que você, cidadão, quer realmente saber? Sempre renderá mais do que simplesmente reproduzir hábitos e indagações de repórteres profissionais. Repórteres ganham a vida pra perguntar, você não. Pergunte o que quiser saber, de verdade. Funcionará bem melhor. Não há liturgia, apenas pergunta boa e pergunta ruim.
No geral, o jornalista tem um propósito: seu lide. A informação ou frase que resolverá a principal tarefa do dia.
O restante da humanidade, que também diariamente analisa, apura e difunde informação), não tem essa amarra formal. Ideias preconcebidas sobre o que são perguntas ou respostas, definitivamente, nada acrescentam ao processo.
Amador ou profissional, o jornalismo é, e faz tempo, uma conversa em que se buscam versões, explicações e análises.
Deixem o lado chato e protocolar com a gente e cuidem do resto.
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Nova York arrasada: foto do acervo do museu que lembra o maior acontecimento jornalístico de todos os tempos _e também o mais registrado por não jornalistas da história
É consenso acadêmico que os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, mais especificamente os que tiveram o World Trade Center como alvo, são o evento mais registrado de todos os tempos. Foi o momento em que todos os olhos do mundo estavam voltados para aquelas duas torres glamourosas que, de repente, ruíram.
“Dizem que 11/9 foi o acontecimento mais registrado digitalmente em nossa história. E nós estamos convidando as pessoas a nos ajudar a contar essa história”, conta Alice Greenwald, diretora do museu que recordará a data _e que será inaugurado apenas em 2012.
Porém já está no ar, sob a chancela da curadoria do novo museu, um site provisório com centenas de registros dos ataques, num belo exemplo de convivência pro-am _material profissional e amador mesclado, jornalistas e testemunhas contando juntos um fato histórico que mudou a humanidade.
O museu tem um projeto, o Make History, que conclama os cidadãos a encaminhar registros que, seja por descuido, esquecimento, falta de iniciativa ou luto familiar, estejam depositados em algum cartão fotográfico ou disco rígido.
O material que já está no ar é muito bom e nos relembra, fortemente, o dia em que o jornalismo cidadão foi notado. É um momento decisivo para o que viria a acontecer ao próprio jornalismo nos anos seguintes.
A coleção tem registros não mostrados na televisão, como restos de corpos, uma poltrona de avião, fotos de família. Arrasador.
Mas um museu sempre quer mais relíquias.
Nada mais adequado que recorrer a quem melhor cobriu o fato _o cidadão, atônito diante do cataclisma.
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Essa é muito boa para a pequena coleção de argumentos dos que costumam desvalorizar o jornalismo cidadão por uma suposta falta de credibilidade: no domingo, o iReport, espaço colaborativo da CNN, deixou passar uma história sobre Randall Stephenson, CEO da AT&T, que teria sido encontrado morto em sua “mansão multimilionária”.
Era mentira, um trote, mas o mais curioso é que a AT&T (provedor de acesso à web mais utilizado nos Estados Unidos) tomou suas próprias providências e bloqueou um dos fóruns mais movimentados da web americana na qual a informação já bombava e era debatida com fervor (do iReport a “notícia” foi excluída rapidamente).
Não foi a primeira vez que o iReport foi ludibriado por, digamos, engraçadinhos.
Evidente que a possibilidade de trotes não é uma exclusividade da era da conversação e altíssima tecnologia _eu vou voltar no tempo só até 1983, quando internet era um termo usado apenas por militares e alguns acadêmicos, para citar o caso Boimate, no qual a revista Veja foi enganada por uma brincadeira de 1º de abril.
São inúmeros esses “descuidos” editorais que remontam, certamente, à própria época de Gutemberg.
Não têm a ver, portanto, com a produção colaborativa de notícias. Mas é sempre bom repetir e reforçar, porque senão vai aparecer gente dizendo “tá vendo? eu sabia!”.
Isso não exclui a possibilidade de se fazer uma reflexão sobre qual o melhor processo de inserção do público dentro do noticiário.
O iReport, como se sabe, não possui moderação nem edição posterior, ou seja, as notícias ali publicadas (salvo se são mentirosas _mas de fácil checagem, convenhamos, senão jamais serão descobertas) não passam por qualquer jornalista profissional antes de ir ao ar.
Algumas, de tão boas, vão parar no site da CNN em pessoa (a empresa afirma que, até hoje, de quase 321 mil textos postados, 699 chegaram ao mainstream).
Pessoalmente, eu prefiro a mediação e a convivência pro-am, quer dizer, entre profissionais e amadores, o que dá origem ao jornalismo que conceituo como participativo _ou seja, o público efetivamente está participando de um processo. Falamos mais disso em breve.
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Desde ontem, com Carlos Eduardo Lins da Silva (ombudsman da Folha de S.Paulo), iniciamos aqui uma conversa sobre formas de o jornal impresso apresentar o noticiário a fim de se diferenciar de internet/tv, que exploram exaustivamente os mesmos fatos horas antes.
Silva contou que é recorrente a reclamação, por parte dos leitores da Folha, de que o jornal não trouxe fatos novos nem sequer avançou, publicando meramente o que já havia sido visto/lido pelo público no dia anterior.
Pesa contra o desprendimento ao “aconteceu ontem”, antes de mais nada, o próprio DNA do produto jornal, nascido para relatar e documentar a jornada que passou. Poucos jornalistas conceberiam um publicação diária que fugisse ao registro destacado do dia anterior. Mas, e o público?
Leia também: nada mais desatualizado do que o jornal de hoje
Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?
Pode-se dizer que é uma patologia do jornalismo.
O advento da internet teve muito mais impacto na audiência dos jornais do que o rádio e televisão porque, diferentemente de dois antecessores, a web deu ao consumidor de notícias a possibilidade de escolher onde e quando consumi-la.
Essa sim é a grande novidade que a revolução tecnológica trouxe ao exercício do jornalismo. Hoje não é mais necessário aguardar o momento em que jornal/tv/rádio vão transmitir notícias. Um sequenciado e curto apertar de botões leva o freguês a um destino ainda melhor: a exata notícia que procura. Afora o fato dele próprio ser capaz de apurar/produzir/difundir a informação que lhe convenha.
O triunfo da navegação por mecanismos de busca (eufemismo para Google), essa sim, expôs a grande ferida do jornalismo impresso: a desatualização.
Soluções óbvias são oferecer conteúdo diferenciado proveniente de investigação (o bom e velho furo) e tratamento analítico e opinativo ao noticiário.
Mas o que fazer com o “aconteceu ontem”?
Volto ao assunto nesta terça.
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E, com o fim da Lei de Imprensa, há um grande vazio.
Vazio porque, por pior que fosse a Lei, era uma lei.
O jornalismo é uma atividade tão específica que, evidente, não está contida em sua plenitude nos (também retrógrados e impostos) códigos Civil e Penal. Jornalismo não aparece nem nos formulários de compras on-line _acabamos, todos, relegados ao item ‘outros’.
Em inglês, a Associated Press relata o fim da Lei da Imprensa
A mesma reportagem da AP, traduzida para o espanhol
A decisão do STF dá um poder tremendo aos tribunais de primeira instância, onde é sabido que a influência local é ainda mais desavergonhada.
É verdade, cansei de testemunhar derrapadas e erros grosseiros em reportagens. Algumas delas, inclusive, protagonizadas por mim. Mas a Lei de Imprensa que acaba de ser enterrada na cesta de lixo da história não dava conta do trabalho de reparação.
Mas a ausência de uma legislação específica sobre a atuação da imprensa formal consegue ser ainda pior. É um tema que a jornalismo tem de discutir para, no mínimo, impor limites e definir padronização de processos (como o direito de resposta).
Indo mais longe: o ato de apurar/analisar/difundir notícias é tão antigo quanto a própria humanidade. Foi potencializado pelas ferramentas da nossa era, que deu uma imprensa pessoal a cada um de nós.
Estaríamos, portanto, sujeitos a uma espécie de lei de imprensa se a nova legislação (e eu espero que ela exista) for feita sob a luz da nova ordem informacional?
Duvido. Será mais atraso.
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Os pesquisadores da USP Beth Saad e Francisco Madureira (sim, meu amigo Madu, também editor de tecnologia do UOL) apresentaram (Beth representou a dupla) um interessante trabalho no Simpósio Internacional de Jornalismo On-line, realizado em Austin (Texas) no final de semana.
O paper analisa detalhadamente o estado atual do jornalismo cidadão nos principais portais de internet do Brasil. Vale a leitura.
Os outros papers do simpósio também já estão disponíveis na web.
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Participei na noite desta terça-feira da 13º Semana da Comunicação da UNG, a Universidade de Guarulhos.
Foi mais um diálogo sobre a conversação e outras modificações que a tecnologia impôs ao jornalismo. Como você pode ver pelos slides, não muito diferente do papo que mantive em outras faculdades (e mesmo dentro da Folha de S.Paulo) recentemente.
Hoje foi um pouco diferente porque havia a necessidade de dar ênfase ao jornalismo esportivo _que, afinal de contas, é o que desempenho no dia a dia. Daí eu sempre dou um jeito de cutucar quem gosta de esportes, mas não de jornalismo, e tentar afastá-lo o quanto antes da profissão. “Façam educação física, gestão em marketing esportivo, sei lá, tantas carreiras…”, digo.
Exibi ainda uns títulos ruins (eles estão por toda parte, é só procurar) e tive de tempo de discursar contra a obrigatoriedade do diploma para se trabalhar na profissão.
Muita gente não gostou do que ouviu.
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