Entradas etiquetadas como ‘jornalismo’
Pede-se melhorar o termo “jornalismo” na Wikipedia.
Várias coisas erradas, clichês, bobagens… e uma bibliografia de meter medo.
Vou começar a meter a mão. Sugiro um mutirão. Vamos ver até onde vai o poder da inteligência coletiva num ambiente tão controlado.
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Muito do que Lula tem dito sobre o trabalho da imprensa não só faz bastante sentido como, temos de admitir, está correto.
Como num evento com catadores de papel, na semana passada, quando o presidente disse que a mídia “já não decide mais, porque o povo não quer mais intermediários”.
Eu não diria nem que não quer, mas a verdade é que ele não precisa. O avanço tecnológico e a comunicação em rede permitiu isso, a comunicação direta entre governante e governado. Ou não foi essa a mensagem transmitida por Barack Obama na campanha eleitoral do ano passado?
No mesmo evento, Lula pediu aos repórteres que não interpretassem fatos. Outra recomendação, direcionada a um repórter, que parece correta, não?
Interpretar (diferente de fazer sinapses e mostrar situações) é um papel um pouco mais acima na cadeia produtiva do jornalismo.
Agora, quando diz que o papel da imprensa não é fiscalizar, mas informar, como em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Lula extrapola o bom-senso. É ambos, senhor presidente.
Mas não acho que devemos atirar pedras pelo conjunto da obra de suas opiniões sobre nossa profissão. Pelo contrário, elas estão alinhadas com o planeta Terra em 2009.
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O Houaiss tem uma estranha visão sobre jornalismo
Ontem eu contei aqui que decidi ir ao dicionário Aurélio checar a definição de jornalismo _e que me decepcionei com o que encontrei.
Daí a Karina Padial, que é repórter da revista Imprensa, teve uma ideia ainda melhor: conferir, em outros dois dicionários nacionais, acepções para o termo. E os resultados foram ainda mais assustadores.
Enquanto o Aurélio patina ao limitar o campo de atuação da atividade, o Houaiss perpetra uma definição verdadeiramente assustadora. É o item três do verbete, que você vê reproduzido no início deste texto. Segundo ele, jornalismo também pode ser a “abordagem superficial de um tema, menos interessada em esclarecê-lo do que em agradar o gosto e os interesses populares que estão na moda”. É?

Curto e grosso: o Michaelis quase não tem palavras para definir o jornalismo
Lacônica e minimalista, a definição do Michaelis (justamente por isso) acaba sendo a que diz menos bobagem.
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Jornalismo [De jornal2 + -ismo.]
S. m. 1. Atividade profissional da área de Comunicação Social (q. v.) que visa à elaboração de notícias para publicação em jornal, revista, rádio, televisão, etc., acompanhadas ou não de comentários.
2. Os conhecimentos relativos ao jornalismo (1).
3. Os jornalistas: 2
Inspirado por um post da brilhante Mindy McAdams, decidi ir ao dicionário para checar a definição da palavra “jornalismo”. E, assim como ela, também me decepcionei com o que encontrei.
Para começo de conversa, o Aurélio diz expressamente que se trata de uma “atividade profissional”, o que já sabemos que não é verdadeiro. Ou será que as tantas experiências de jornalismo cidadão não serviram para nada?
Outra bola fora do dicionário é cravar que a atividade “visa à elaboração de notícias para publicação em jornais” e outras plataformas. Uma meia verdade, mas que exclui uma série de outras atividades jornalísticas mais ou menos recentes _como organizar dados, por exemplo.
Além disso, o dicionário se esquece de citar justamente a mídia mais importante de todas, que além de conter todas as outras em si ainda mudou radicalmente a forma como o ser humano se comunica.
Eu ainda prefiro a singeleza de dizer que jornalismo é o ato de apurar/analisar/difundir notícias. Simples assim.
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Para que a ficção seja ficção, o jornalismo deve ser a verdade.
A ficção é o contraste sem o qual a imprensa não pode existir.
Interessantes palavras do escritor mexicano Carlos Fuentes.
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Enciclopédia, uma barreira de livros: voltei aos tempos da Barsa
É emblemático: o jornalismo acaba de ganhar uma enciclopédia. Um enciclopédia mesmo, em papel _e bota papel nisso: são seis volumes, 3 mil páginas e 350 verbetes assinados por acadêmicos.
É como se eu voltasse ao tempo da Barsa e seus vendedores de porta em porta (eu vi, e negociei, com esses caras, hoje extintos).
“Várias editoras ainda investem em trabalhos multiautorais e multivolume considerando que edição e design cuidadoso permanece tendo valor mesmo na era eletrônica”, conta Christian Sterling, jornalista e professor da Universidade George Washington, nos EUA. Ele passou quatro anos debruçado nisso.
A pesada e espaçosa coleção sai agora, no final do mês, sob o selo da Sage. Preço: US$ 795, mas com a promoção de lançamento, custa módicos US$ 630.
Vale quanto pesa?
Não dá para deixar de pensar que, enquanto discutimos novos formatos jornalísticos e empacotamento otimizado para notícias no ambiente on-line, alguém aparece reunindo toda essa discussão numa coisa anacrônica como uma enciclopédia impressa.
Ao mesmo tempo, se a questão é só de plataformas, tanto faz.
Mas confesso que me choca ver essa barreira de livros que compõem a coleção.
Sterling avisa que a obra estará disponível on-line (onde enfim poderá ser consultada), mas não esclarece em que condições.
Vou me beliscar pra ter certeza de não estar sonhando.
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Quem acha que, no jornalismo, só o repórter é importante não pode deixar de ler o perfil que Célia Chaim fez, para o Jornalistas&Cia, de Ricardo Kotscho. O especial tem até receita de goulash.
Você bem sabe que eu discordo da afirmação, mas não há dúvida alguma que, entre os repórteres, Kotscho é o maior.
Avesso às novas tecnologias, atualmente ele assina uma coluna eletrônica no portal Ig.
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Demitidos pelo Los Angeles Times (que promoveu um banho de sangue com mais de 500 cortes até anunciar, com orgulho, que sua operação on-line se banca) criaram um shopping center da notícia cujo principal diferencial é a experiência.
Explico: a ideia do The Journalism Shop não é nada revolucionária. Trata-se de uma cooperativa de freelancers (não apenas jornalistas, mas designers e relações públicas), reunidos num site, onde oferecem seus serviços.
A lista é extensa: apuração, reportagem, livros, edição, design, marketing, etc.
A diferença aqui é quem oferece o serviço. “Somos jornalistas experientes demitidos pelo Times. Temos veteranos em jornalismo político, matérias investigativas e cobertura de moda. As perdas do Los Angeles Times podem ser seu ganho”.
Num tempo em que a média de idade das redações (de todas elas, em todo o mundo) despencou vertiginosamente, será que a experiência voltará a ser um bem valorizado?
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O episódio da demissão de Vanderlei Luxemburgo do Palmeiras mais uma vez exibiu um aspecto importante do avanço tecnológico que provocou mudanças profundas no exercício do jornalismo.
É, talvez, a principal consequência da era da conversação e da publicação pessoal: cada cidadão possui, agora, sua própria imprensa. E pode se dirigir ao público sem a necessidade de utilizar a imprensa como filtro dos acontecimentos.
Foi assim com o ex-treinador do Palmeiras: à 0h44 de sexta para sábado, ele decidiu tornar a dispensa pública num canal pessoal (no caso, seu blog) _pouco depois, recorreu também ao microblog para dar a mesma informação.
A partir daí, foi a imprensa, vendida, quem saiu correndo atrás da bombástica informação.
Só para se lembrar que hoje não possui mais o monopólio sobre a notícia.
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Existe “jornalismo humorístico”?
O professor José Luis Orihuela crê que sim. Tanto que há uma peça do gênero entre os trabalhos finais de seus alunos neste semestre em Navarra.
Nada contra o humor (aliás, o jornalismo precisa de doses dele), mas discordo. No máximo admito formatos humorísticos com linguagem jornalística _caso do bobagento CQC, várias vezes confundido com jornalismo.
Aliás, sobre o CQC: algumas vezes já me perguntaram se eu teria coragem de fazer as perguntas que alguns dos “repórteres” do programa perpetram. Claro que não, né gente, afinal de contas eu sou jornalista, não humorista. São funções bem diferentes. Se vivesse de piada, certamente eu seria ainda mais inconveniente.
Fazer graça com as notícias, via de regra, não tem a menor graça.
Olha o caso do The Onion, considerado o principal exemplo de esculhambação do noticiário: “Desastre da Air France foi causado por queda de avião“.
Nossa, estou rolando de tanto rir.
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