A obra estuda em profundidade oito casos de jornais que optaram por integrar suas redações em papel e on-line. São eles: Daily Telegraph, Tampa News Center, Schibsted, O Estado de S.Paulo, The New York Times, Guardian, Clarín e Financial Times.
O estudo de cases é muito relevante neste momento, em que diversos outros veículos estão optando pela fusão de conteúdos para, enfim, atingir a tão sonhada convergência (quando todo o trabalho jornalístico é pensado em várias dimensões e plataformas).
ATUALIZAÇÃO: Minha amiga Ana Estela, aí embaixo, nos comentários, faz uma observação bem importante: “Era bom ressalvar que o livro é francamente integracionista e que tem gente ali no meio que vende consultoria para quem quer fazer Redações integradas… Ou não?”
Sim, completamente. Salaverría, por exemplo, viaja o mundo vendendo um modelo que não foi ele quem criou. Tem sido assim com alguns outros personagens de Navarra: ocuparam bastante espaço, mas com um discurso difuso e que, muitas vezes, assemelha-se a autoajuda.
Recém imprimi, então as impressões ficam para depois.
Só uma, que dá para dizer de cara: sinto falta da versão em livro. A Web é muito legal, mas há coisas que merecem uma encadernação para serem consultadas a posteriori _e, porque não, off-line.
Federico Noguera colocou na rede uma relação de livros em espanhol sobre jornalismo on-line, blogagem e participação que podem ser encontrados de graça na Web.
O caderno Mais, da Folha de S.Paulo, trouxe neste final de semana a resenha de três livros que discutem o presente e o futuro de nosso profissão. O texto é assinado por John Lloyd, colaborador do Financial Times e pesquisador.
“SuperMedia” [ed. WileyBlackwell, 216 págs., 14,99, R$ 53], “Can You Trust the Media?” [Você Pode Confiar na Mídia?, Icon Books, 256 págs., 12,99, R$ 46] e “UK Confidential” [Reino Unido Confidencial, Instituto Demos, Charlie Edwards e Catherine Fieschi (org.), 184 págs., 10, R$ 36] discutem, à sua maneira, os limites e as vantagens da tecnologia para aquilo que se convencionou chamar de novo jornalismo.
Aliás, o próprio Lloyd assume que ainda não há um nome para explicar exatamente o que está ocorrendo na era da publicação pessoal e do noticiário on-line.
Outra constatação bacana que não é nova, mas é sempre legal de lembrar, é a semelhança entre essa nova era e o tempo dos panfletistas e dos primeiros jornais. Diz Lloyd: “os blogs e a web marcam um retorno ao jornalismo dos séculos 17 e 18 -um período empreendedor, no qual pessoas que tinham algo a dizer montavam seus negócios e publicavam panfletos e boletins noticiosos”.
Ficam aí as sugestões de leitura para o final do ano.
É uma obra coletiva que reúne os trabalhos de 11 pesquisadores de seis universidades. A ênfase é a análise do noticiário hiperlocal e um raio-x específico da plataforma blog, de fato o único formato verdadeiramente inovador que, por ora, a rede deixa como legado.
Vale a pena ler. E o livro (na verdade um manual sobre como se virar com câmeras digitais, filmadoras e outras bossas tecnológicas), relembrando, está disponível para download gratuito.
Nesta sexta (14/3), enfim, discutiremos o texto “A dupla falta do editor de jornal” , a representação no Cinema dessa figura polêmica do jornalismo, o jornal sem manchete de Alberto Dines em 1973 e mais. Afinal, para ser um bom editor é necessário ter sido repórter?
Dicas de navegação para o segundo tempo da aula:
1. As lembranças de Alberto Dines sobre a histórica capa sem manchete. Leia, se informe, pesquise mais.
2. De novo: vamos a um site noticioso (Estadão, G1, Terra, Folha ou UOL) e vamos deixar uma opinião numa notícia.
3. A quantas anda a leitura dos manuais do Wikinotícias? Apressem-se, está chegando a hora de escrevermos lá pra valer. Quem já quiser arriscar hoje, ótimo.
Os manuais: de Redação, de Estilo, de Edição, de Conteúdo e O que não é o Wikinotícias.
4. Como nosso próximo encontro (culpa do feriado) será só no dia 28, leiam até lá o texto bacana “A pirâmide deitada de João Canavilhas“. Cuma? Isso, começamos a tratar de edição on-line.
Houve um tempo (que durou pelo menos uma década, infelizmente) em que o jornalismo, para Hollywood, só era digno de virar filme se contasse as agruras de um correspondente numa zona de conflito. Um cara empoeirado, fudido da vida, condenado a viver eternamente longe de casa, sem banho, cheirando a… vocês sabem.
Esse cara normalmente era fotógrafo (e sempre empunhando a máquina de forma equivocada, reparem), cobria desavenças bélicas no Terceiro Mundo e desenvolvia amizade fraternal com seus intérpretes/guias _estes, sempre empapados em suor, paus pra toda obra e capazes de arriscar a vida por uma reportagem. Às vezes, quando a guia era mulher ou a repórter da agência concorrente atraente, ainda rolava um algo mais.
Assim é O ano em que vivemos em perigo (The Year of Living Dangerously, 1982), ambientado na Indonésia do ditador Sukarno, com o regime à beira do colapso (1965, portanto). Ganhou um Oscar.
Os gritos do silêncio (The Killing Fields, 1984) repetiu a fórmula, mandou o enviado ao Cambodja, fez a platéia chorar e faturou três estatuetas.
Em 1986, El Salvador, o martírio de um povo (Salvador) relata como um frila beberrão e fracassado aproveita a guerra civil no país centro-americano para tentar relançar sua carreira. Aqui, além do amigo fiel suado, tem a coleguinha cheirosinha e instigante também.
Essas representações também têm responsabilidade pelo fato de tantos jornalistas empregados hoje na grande mídia considerarem, pra valer, que a profissão só faz algum sentido se o repórter viaja. Para eles, ser repórter em São Paulo é chato…
Ainda fazem filmes assim, é incrível. Harrison’s Flowers, de 2000, é sobre um fictício fotógrafo que acaba ferido e fica entre a vida e a morte na guerra da Bósnia. A mulher dele, a bela Andie McDowell, ultrapassa todos os obstáculos e tenta localizar e socorrer o amado. A coisa mais chata a superar é o personagem de Adrian Brody, que interpreta um fotógrafo da AP. Como todo fotógrafo, ele é conceitual, se orienta pela luz e dá todos _absolutamente todos_ os conselhos errados. Pela Andie, minha paixão da adolescência (meu deus, com quantos anos então estará essa mulher?), veja o trailer (quem descobrir o nome desse filme em português me avisa?):
Reconstitui todos os acontecimentos que levaram à renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon, com ênfase no trabalho de investigação jornalística dos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein _que se tornariam célebres.
Outra coisa legal é a representação das pressões que um jornalista recebe no exercício da profissão. Aqui isso é mostrado de forma bem crível.
Como nesta sexta o assunto é o texto A dupla falta do editor de jornal, das nossas amigas professoras Beatriz Marroco e Christa Berger, vamos lembrar um pouco nesta semana das representações de editores, repórteres e do trabalho jornalístico no cinema _citado, afinal, no texto em questão.
O óbvio é sempre começar com Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941), então vamos iniciar por Quase Famosos (Almost Famous, 2000).
Além da trilha sonora pra lá de legal (é difícil errar tendo o começo dos 70 como ambiente…), conta as agruras de um moleque de 16 anos que cobriu uma turnê de uma bandinha hype para a prestigiosa revista “Rolling Stone”. Mostra relação editor-repórter, e num tempo em que máquina de escrever e telefone com disco (e não teclado) eram o máximo.
É a história dos primórdios de Lester Bangs, um cara que revolucionou a cobertura musical. Ele morreu de overdose por uso de drogas em 1982.