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Entradas etiquetadas como ‘microblogging’

Mais conversas sobre a publicação pessoal

Outubro 18, 2009 · 3 Comentários

Na sexta-feira encerrei mais um pequeno curso (uma conversa, na verdade) sobre a era da publicação pessoal para a 48ª turma de trainees da Folha de S.Paulo.

É um pessoal que me pareceu bastante ciente sobre os novos desafios que a tecnologia impôs à profissão.

Os slides da aula (agradecimento especial ao amigo Sérgio Lüdtke)

O roteiro de links

Depois de uma sessão mais teórica, na semana passada, desta vez nos agarramos a exemplos (bons e ruins) de conversação e abertura para participação do público no mainstream.

Delícia lembrar o dia em que a ex-plateia, revoltada com o descaso e a ineficiência do veículo que acompanhavam, deu o troco e fez uma grande organização pagar muito caro.

Ou ainda perceber que, na lógica das redes sociais, as pessoas vêm sempre antes das instituições (algo que já virou um corolário, né?).

Mais: que o Twitter, diferentemente de todas as outras mídias sociais, não é construído com base em relações de afetividade e amizade. Todo o oposto: seu inimigo pode estar seguindo você.

Enfim, temos muito a aprender.

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‘E o prêmio Pulitzer de tweets investigativos vai para…’

Setembro 18, 2009 · 1 Comentário

Ilustração: John Cole, The Times-Tribune

Ilustração: John Cole, The Times-Tribune

Abril de 2012, Universidade de Columbia (EUA). O apresentador checa seu smartphone para anunciar o vencedor da categoria “tweets investigativos” do Prêmio Pulitzer, a mais renomada distinção do jornalismo.

Exageros e ironias de cartum à parte, 2012 me parece muito tarde para um prêmio do tipo. Não haverá mais tweet, mas outra coisa (the next big thing?).

Agora, quanto à piada da brevidade do texto: é possível investigar e colocar pulgas atrás de várias orelhas em 140 caracteres. Não duvide disso. Afora o fato certo e sabido de um tweet levar a outro rincão, ou seja, uma página com o tamanho que se necessite.

A propósito, a ilustração de John Cole, do The Times-Tribune (Pennsylvania), abre o Nieman Report desta estação. O assunto é jornalismo e mídia social. Ótimas reflexões, para imprimir e ler.

(via @agranado)

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E na vida real, para que servem as redes sociais?

Agosto 20, 2009 · 6 Comentários

Até que ponto uma manifestação nascida na web, mais especificamente em redes sociais, tem o poder de alterar a vida real?

É uma questão crucial para gente, como eu, que aposta todas as fichas na capacidade da internet de interligar pessoas e provocar transformações de verdade.

Hoje incorporo, mais uma vez, Andrew Keen (claro, sempre ele) para lançar uma provocação sobre essa pretensão. Keen lembra da avalanche de protestos virtuais _notadamente via microblog e sites de relacionamento como o Facebook_ após a polêmica reeleição de Mahmoud Ahmadinejad para mais um mandato presidencial no Irã.

O que sobrou daquele barulho todo? “O patético simbolismo de avatares tingidos de verde no Twitter e um grupo de oposicionistas ocidentais que insiste em manter ‘Teerã’ como sua localização no perfil do site”, ataca.

Eu acrescento ainda a mobilização virtual por conta do golpe em Honduras. Enquanto no microblog as discussões pegam fogo claramente com a premissa de que se está denunciando a ilegalidade ao mundo, o movimento que apeou Manuel Zelaya do poder completa, em dias, dois meses. Impávido como Muhammad Ali.

Evidente que a pequena reflexão de Keen, como lhe é hábito, exclui do campo de visão o extraordinário incremento que as redes sociais, e a era da publicação pessoal, deram à difusão e a interpretação da informação. Sem contar que a web é, sob qualquer métrica, o meio de comunicação mais eficiente da história da humanidade para mobilizar e organizar pessoas.

Enquanto isso, nós aqui achando que colocar o #forasarney no Trending Topics do Twitter nos dará alguma reputação e notoriedade. E Sarney inaugurando site pago com dinheiro público para se defender.

Só a constatação, para diminuir um pouco nossa empolgação, de que não se pode chamar de revolucionário quem, efetivamente, ainda não fez uma revolução de carne e osso.

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E se o homem chegasse hoje à Lua?

Julho 21, 2009 · Deixe um comentário

A Slate, um produto bem representativo da era da web (a revista de atualidades e cultura foi criada em 1996 e sempre teve como mérito cobrir as tendências da vida em rede), produziu um vídeo bem divertido sobre como teria sido a repercussão (especialmente na internet) caso o homem tivesse chegado apenas hoje, não há 40 anos, à Lua.

Imagine, claro, o Twitter “baleiando”, Youtube e Flickr forrado de imagens e até manchete no Huffington Post (o site/blog de Arianna Huffington que é outro exemplo emblemático da era da conversação e troca de informações via computador).

A ficção não está muito distante da realidade. Basta lembrar a morte de Michael Jackson, um acontecimento com alcance global como seria a conquista da Lua hoje.

(via Tiago Dória)

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O desespero com a perda do monopólio

Julho 11, 2009 · 13 Comentários

É incrível a incapacidade de algumas pessoas compreenderem a evolução da conversação com o avanço tecnológico.

Ontem via um programa esportivo na Bandeirantes (sim, eu sou da antiga) que passou todo um trecho discutindo a comunicação pública do presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, sobre o desacordo com o técnico Muricy Ramalho.

O não negócio foi publicado via microblog (no Twitter, mais especificamente) na madrugada de sexta-feira _aliás, Belluzzo (que segue Britney Spears, isso é mais grave) promete anunciar o nome do novo técnico na própria ferramenta.

Vai daí que o entendimento do povo da Band é que o economista-dirigente fez “uma molecagem”. “Twitter é coisa de criança, meu fillho adolscente me perguntou hoje cedo se eu queria ter uma conta no site”, afirmou um jornalista (sei quem é, mas não vale a pena notibilizá-lo).

Quer dizer que mais uma vez está se discutindo o mensageiro, não a mensagem?

O ambiente de comunicação mudou, a imprensa deixou de ser o filtro universal entre os acontecimentos e o público, e jornalistas do mainstream insistem em ignorar isso?

Que diferença faz, sinceramente, se um anúncio oficial é feito via microblog ou entrevista coletiva? Eu explico: é que ele foi feito para todos, ao mesmo tempo, não apenas para um grupo seleto que se acostumou a monopolizar as informação.

Meu deus, está cheio de gente que simplesmente não quer enxergar. Jornalistas, não acordaram ainda, é?

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Mesmo sem estar jogando, tomei o cartão vermelho

Julho 7, 2009 · 1 Comentário

A sensação é a mesma de se tomar um cartão vermelho sem ter entrado em campo: estou de férias, belo e faceiro, bastante distante (não totalmente separado) do computador e, de repente, fico sabendo que minha conta de microblog no site Twitter foi suspensa.

Daí toca descobrir o que aconteceu. A empresa falou em “erro humano”.

Ficou uma sensação de transgressão mesmo sem eu saber o que tinha feito…

Enfim, esse tipo de pane apenas nos relembra como é frágil o sistema de compartilhamento de dados, como um todo, na internet.

Do dia para a noite você vira vilão e fica sem acesso a informações colocadas no ar por você mesmo. Insano.

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Um dia de Michael Jackson

Junho 26, 2009 · 11 Comentários

Michael Jackson morreu. Isso sim é notícia. É seguramente o morto mais ilustre (no sentido de alcance global) da minha existência como jornalista, iniciada em 1990. Gênio e louco, teve uma relevância incrível.

E foi uma morte, apesar de inesperada, lenta. Começou com a notícia da internação às pressas, após o cantor ser socorrido “sem respirar” por paramédicos. Às 18h06 já havia matérias sobre o assunto, que bombou na web nos minutos seguintes.

Leia notícias sobre a morte de Michael Jackson

Às 19h20, o site norte-americano TMZ, que cobre celebridades, cravou o passamento (é o pior eufemismo possível para morte). O Twitter, essa máquina de rumores que espalha o mal e o bem, tornou celébre o desconhecido TMZ _propriedade da Warner Bros., um cachorro grande do entretenimento.

Eu diria que foi chute, mas tecnicamente tem de ser considerado furo. E coube ao TMZ a primícia. O site, criticado por incentivar o trabalho de paparazzi mas que possui no currículo outros furos, foi quem noticiou primeiro a tragédia.

Em 17 minutos, o Los Angeles Times, em post publicado num blog de música do jornal, dava a mesma informação. O LA Times ainda tentou, numa sacanagem clássica da internet, se apropriar do furo, atualizando a matéria que falava da internação _publicada uma hora e catorze minutos antes (repare no link da URL, que traz o título original e entrega o truque).

Depois, como ficou feio, o jornal colocou um “update” logo após o título (modificado) que sentenciava a morte do astro do pop.

Só quando o LA Times deu, a CNN virou seu título na tela, citando o jornal e falando em morte (até então, o máximo que se tinha chegado era “coma”). Eram 19h43.

Mas faltava a confirmação oficial. Não, não a de médicos ou legistas, num comunicado oficial. Faltava a chancela da imprensa formal. Ela veio apenas às 20h22, quando a CNN confirmou o óbito com fontes próprias e, enfim, assumiu a informação.

O Jornal Nacional já estava no ar, com os apresentadores fazendo o possível para manter em voo um Boeing sem combustível. Só às 20h29, um minuto antes de entrar no ar o programa gratuito do PSDB (escancarando a vocação do partido em ser figurante), William Bonner, citando a CNN, deu a notícia da morte de Jackson.

A parada do telejornal se mostrou providencial. Às 21h01, entrou no ar último bloco do programa, editado de forma bem satisfatória. Repare no final: Fátima Bernardes errou, dizendo que a emissora daria novas informações “a qualquer momento ou no Jornal Nacional”, no que foi socorrida pelo marido, “no Jornal da Globo”, disse Bonner, que foi além: “Estamos todos abalados com a notícia de última hora”.

Pano rápido.

Hoje é o dia de ver como os jornais impressos vão se sair. Minha única certeza é que quem não manchetou com o assunto cometeu um erro grotesco. Dois jornalões não tinham feito isso até a hora que vi… E outro, ainda aguardo confirmação porque só acredito vendo, teria perpetrado “Peter Pan morreu”.

Se você leu essa manchete em algum lugar, me avise com urgência.

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Clóvis Rossi e Eugênio Bucci debatem o jornalismo

Junho 16, 2009 · Deixe um comentário

A convite da CBN, Clóvis Rossi e Eugênio Bucci debateram os destinos do jornal impresso (e, consequentemente, do jornalismo) no programa Notícia em Foco, que vai ao ar sempre às segundas, às 19h.

O tema foi a sustentabilidade do negócio jornal.

Bucci imagina um mundo em que as empresas jornalísticas serão sustentadas “pelo menos em parte” por seus leitores. Motivo: manter a independência do veículo (quer dizer então que até hoje ela nunca existiu de fato?). Rossi diz que uma mudança desse tipo levaria mais tempo do que os anos que ainda têm a viver _ele tem 66.

O tema nada mais é do que um desdobramento do micropagamento, a bobagem lançada nos últimos meses como um último apelo pela grande imprensa _especialmente a dos EUA e Europa, esta sim verdadeiramente ameaçada de extinção. Mais do que o micropagamento, a doação (ainda inviável, por questão cultural e burocrática, no Brasil).

Sobre a produção jornalística colaborativa on-line, o colunista e repórter especial da Folha de s.Paulo deu um exemplo bizarro. “Se um blog me recomendasse, digamos que no dia 14 de setembro do ano passado, que eu investisse em ações do Lehman Brothers, quem eu iria processar?” (a falência do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, é apontada como um dos estopins da crise financeira global).

Não entendi, porque eu tampouco teria respaldo jurídico para processar um jornalão que fizesse o mesmo.

Ou teria?

Bucci, professor de Jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e com um vasta experiência no mainstream como jornalista, bateu muito na tecla do financiamento público do jornalismo _pelo público, não pelo poder público.

Falou-se também do polêmico blog Fatos e Dados, com a qual a Petrobras decidiu vazar conteúdo de reportagens ainda em andamento. Seu pleno direito, diga-se de passagem. A argumentação, por sinal, é excelente.

Até o microblog, quem diria, foi parar na conversa. “O meu papel não é gritar que caiu um avião. É dizer porque caiu o avião”, encerrou Rossi. “Contando calmamente, no ouvido do leitor”.

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É hoje: STF julga obrigatoriedade do diploma e Lei de Imprensa

Abril 1, 2009 · Deixe um comentário

Hoje, a partir das 14h, o (STF) Supremo Tribunal Federal julga duas matérias que têm tudo a ver conosco: a inconstitucionalidade de vários dispositivos da Lei de Imprensa e a obrigatoriedade de um diploma em jornalismo para exercer a profissão.

Reitero o que sempre disse: numa era em que qualquer cidadão desempenha a função, parece anacrônico ainda debater o tema. Afinal, apurar/analisar/difundir notícias é direito fundamental da pessoa.

As mídias do judiciário (TV e rádio) transmitirão a sessão. No microblog, a agência Radioweb anuncia a twitagem em tempo real. Mas vamos ver que bicho dá.

Enquanto isso, fique com Sérgio Lüdtke, um dos pioneiros da web no Brasil, que fala sobre ambas as coisas em texto muito lúcido na comunidade Interatores, que reúne o povo de mídias digitais.

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Twitter: conversação privada ou pública?

Março 31, 2009 · 3 Comentários

Esta é uma bela discussão: aquilo que você escreve no microblog (seus tweets, portanto) estão protegidos sob a lei do copyright? Trata-se de comunicação pública ou privada?

A pergunta do Mark Cuban é interessante: o cara foi a um jogo de basquete nos EUA e postou mensagens no Twitter. Uma delas foi parar num programa da ESPN sem o consentimento dele. E agora?

Num momento em que o sinônimo de microblog já melou julgamento e provocou punição a dirigente que criticou árbitro (isso sem contar que já rendeu processo por calúnia e difamação), parece mais que evidente que o que é dito ali equivale a uma declaração em praça pública ou publicada num jornal ou exibida na televisão. Falou, assuma.

Mas falta o selo da Justiça para confirmar isso, né?

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