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O jornalismo financiado pelo público finalmente chegou à grande imprensa. Cerca de 100 doadores colaboraram com dinheiro para que se concretizasse reportagem de Lindsey Hoshaw, publicada pelo New York Times, sobre a catástrofe ambiental provocada pelo lixo numa região bem específica do Oceano Pacífico.
A proeza é do Spot.us, organização sem fins lucrativos que aposta na ideia de que os leitores são os maiores interessados no trabalho jornalístico e, logo, teriam interesse em bancar reportagens.
Foi a entidade, criada por Dave Cohn após ganhar uma bolsa de US$ 370 mil, quem intermediou a negociação com o Times e garantiu a publicação da matéria numa vitrine privilegiada.
O jornalão se interessou de imediato pela reportagem, mas, como sempre, desde que não metesse a mão no bolso.
É um grande dia para os que acreditam, como eu, em novos modelos de financiamento para o combalido jornalismo.
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Grandes grupos de mídia estão apostando no outsourcing (a boa e velha terceirização) para reduzir seus custos.
Agora é o The New York Times quem anunciou que recorreu a uma cooperativa de jornalistas para prover conteúdo específico para a edição regional de Chicago do jornalão.
Antes do NYT, o Los Angeles Times já tinha fechado um acordo com o ProPublica, uma ONG que produz jornalismo investigativo, para melhorar seu conteúdo.
É uma tendência. Parece que investigar, e o custo que isso provoca dentro da redação, vai gradualmente se tornando uma tarefa para gente de fora do dia a dia do jornal.
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O brutal crescimento do tráfego marítimo no Brasil infografado pela edição de 18 de agosto de 1909 de O Estado de S. Paulo
O entendimento de que um infográfico deve usar conceitos de comparação e proporcionalidade é muito antigo, como prova gráfico publicado no jornal O Estado de S. Paulo na edição de 18 de agosto de 1909 (é o que você vê acima).
A relíquia está na web graças ao blog dos 100 anos que o jornal paulistano colocou no ar há semanas _e que poderia muito bem ser monetizado, desde que oferecido editado por temas e empacotado num outro formato. São poucos os conteúdos jornalísticos que podem ser cobrados na internet. Este é, certamente, um deles.

"Origem e Evolução dos Gráficos na Espanha, 1856-1936", Fermín Vílchez in Malofiej 14
Chiqui Esteban, diretor de novas narrativas do jornal on-line espanhol La Informacion, notou que essa produção do Estadão de cem anos atrás era bem parecida com o que se publicava na imprensa de seu país 20 anos depois (imagem ao lado).

O último grito: o infográfico em ondas do NYTimes, bom apenas porque é do NYTimes
Daqueles para a moda do gráfico em ondas difícil de entender mas considerado brilhante por ter sido executado pelo New York Times não foi um pulo. Demorou. Muitíssimo.
Como não foi menos árdua a chegada a trabalhos como os que reconstituem o acidente com o voo 3054 da TAM, infográfico mais acessado da história do El Pais.
Contra este último, o uso de linguagem de videogame para espetacularizar a notícia. De informação, pouco _ou nada, se levar-se em conta a situação em que o infográfico foi ar, sem vídeos ou áudios complementares adicionados bem depois.
Velho ou novo, o importante é que o infográfico não perca seu sentido de existir: expor, com clareza, dados que facilitem a compreensão da notícia.
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Na semana passada eu comentei aqui sobre um insight da indústria pornográfica, que em meio à queda de faturamento provocada pela abundância de conteúdo gratuito na web decidiu transformar o que tinha de mais valioso (seu elenco de atrizes) num produto comercializado em várias frentes.
A NY Mag sugeriu que grandes corporações jornalísticas deveriam fazer o mesmo com seu staff, ou seja, valorizar e administrar a carreira dos profissionais, gerenciando todo seu potencial criativo em iniciativas como livros, palestras e carreira acadêmica.
É um passo nessa direção que o New York Times acaba de anunciar. O jornal incluiu vários de seus jornalistas no projeto Knowledge Network. Eles ministrarão mais de uma dezena de cursos com inscrições de até US$ 185.
Além de fidelizar e aproximar o público leitor, o jornal conta com essa cartada como mais uma fonte de ingresso de recursos.
Outro exemplo nessa linha é do jornal americano Arizona Star, que converteu seu principal cartunista, Fitz, num produto. Suas ilustrações estão em camisas, cartões, bottons, mousepads etc que podem ser adquiridos no próprio serviço on-line da empresa.
Dois bons exemplos de monetização que estão ao mesmo tempo dentro e fora da redação.
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O que uma empresa jornalística pode aprender com a indústria pornô? Muita coisa, a julgar por matéria desta semana da NY Mag, a revista do New York Times.
O ponto de partida é reportagem do Los Angeles Times que dá conta de um sério declínio de faturamento, com o avanço tecnológico, de empreendimentos pornográficos por causa da distribuição farta e desenfreada de material gratuito na internet.
Crise, por sinal, idêntica à que passa a indústria do jornalismo em papel. Tanto que um executivo do ramo do entretenimento adulto citado pelo LA Times fala coisas que poderiam muito bem ter saído da boca de um diretor de redação qualquer. “Nunca tinha passado por nossas cabeças que competiríamos com pessoas que simplesmente fazem as coisas de graça”. É, o mundo mudou para todo mundo…
A indústria pornô, porém, está sendo mais rápida para se adaptar e recuperar capital. Como? Valorizando o que tem de melhor: seu elenco. Apostar no diferencial de profissionais talentosos e vendê-los ao mercado num pacote que inclui todas as suas incursões, de presença em festas e licenciamento de produtos a, claro, as vias de fato em cobiçados vídeos _estes não necessariamente o produto de maior arrecadação.
No jornalismo, sugere a NY Mag, grandes corporações deveriam fazer o mesmo com seu staff. Valorizar e administrar a carreira de promissores repórteres, gerenciando todo seu potencial criativo _em iniciativas multimídia, livros, palestras, carreira acadêmica etc.
É uma posição gerencial personalista, que não defendo, mas que parece estar funcionando no caso da indústria pornô, que criou astros e estrelas e agora fatura com o desejo por eles.
Mas notícia é perecível e descartável numa velocidade muito maior que pornografia (ou música, cujo modelo iTunes sempre é erroneamente citado como exemplo do que deveriam fazer os jornais).
Mas é uma estratégia.
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A dica é do ótimo blog Sans Serif: no romance “The Almighty” (que eu traduziria simplesmente por “Deus”), de Irving Wallace, o protagonista, Edward Armstead, herdará um jornal com a condição de que, por um período determinado, o veículo bata o New York Times em tiragem.
Para conseguir a façanha, Armstead contrata uma gangue que passa a apavorar a cidade e seus arredores. Seus crimes e atos de vandalismo, claro, eram cobertos em primeira mão pelo New York Record, o jornalzinho que, enfim, supera o NYT.
Leia também: Pesada, ruidosa e lerda, era assim que se transmitiam fotos na pedra lascada do jornalismo
Wallace Souza, apresentador de um programa policial na TV e deputado no Amazonas, é acusado de fazer exatamente o mesmo _excetuando-se a questão do jornal e da herança.
O caso nem é inédito: no ano passado falei sobre um jornalista que, ele próprio, assassinava mulheres e depois escrevia reportagens sobre os crimes _com exatidão tal que acabaram levando a polícia a enquadrá-lo.
É tão clichê dizer que a vida imita a arte, mas não me ocorre nada melhor agora.
Talvez, apenas o adendo de que a vida supera, e muito, a ficção.
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Apesar de os jornais brasileiros nem saberem do que se trata, já virou consenso planetário, entre quem estuda e analisa a influência das novas tecnologias, a necessidade de um editor de mídia social nas redações.
É o responsável pelo gerenciamento de comunidades do veículo na web (notadamente em sites de relacionamento como Facebook e Twitter, ou redes construídas em páginas como Flickr e Youtube), desenvolvendo técnicas de perseguir a audiência (como bem defende o amigo Sérgio Lüdtke), atender às necessidades do público e, claro, potencializar o interesse por seu conteúdo.
Greg Linch falou um pouco mais sobre o papel do editor de mídia social, esse desconhecido para uma grande maioria retrógrada de jornalistões. Inclusive contando, para isso, com opiniões bem pertinentes de Jennifer Preston, que exerce o cargo no New York Times.
A ideia de o editor ser um moderador, um facilitador, um incentivador e um educador também está perfeitamente em sintonia com o que o trabalho jornalístico hoje, em plena era da conversação, exige dos profissionais que estão na linha de frente do diálogo e compartilhamento de informações com o público.
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O jornalista norte-americano David Rohde, repórter do New York Times, contou com uma autêntica força-tarefa capitaneada por seu jornal para evitar que notícias sobre seu sequestro pela milícia Talebã chegassem à internet (o jornal português Público explica a lógica por trás disso).
Nos jornais, já é quase uma praxe: há um espírito de corpo que evita, nesses casos, noticiar sequestros de jornalistas _o mesmo cuidado, como já se cansou de ver (embora tenha sido ampliado drasticamente nos últimos anos), não vale quando se trata de um cidadão “comum”, digamos.
Mas hoje não existe apenas a imprensa formal. Mais, a informal tem mais força e penetração. Daí o NYT precisou falar com Jimmy Wales (o criador da Wikipedia) em pessoa para censurar e bloquear o verbete de Rohde na enciclopédia colaborativa on-line.
Deu certo: reverteram várias vezes menções sobre o sequestro até que Rohde fugiu do cativeiro _e agora pode contar sua própria história.
Para benefício também da Wikipedia, que liberou a adição de trechos sobre o assunto.
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Os jornais nunca gastaram tanto com impressão e distribuição de seu produto como agora. E é exatamente isso o que está fazendo balançar o secular modelo que garantiu seu domínio por séculos.
A conclusão é de um estudo da agência de classificação financeira Moody’s de autoria de John Puchalla.
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Segundo o documento, a combinação folha de pagamento, mais impressão, mais logística de distribuição consome 70% das receitas dos periódicos.
Triste, porque apenas 14% deste montante é convertido em produção efetiva de conteúdo. É muito pouco e, nas palavras de Puchalla, explica a “desconexão estrutural” pela qual passam os meios impressos hoje _não há dados no Brasil, mas estima-se que os gastos operacionais, incluindo salários, ultrapassem 50% da receita (há ainda a parcela investida em publicidade, que nos EUA é de 16%).
A Moody’s fala claramente que a saúde destas empresas está ameaçada citando que as companhias que abriram o capital na bolsa, caso do New York Times, estão abaixo do nível para atrair qualquer investimento.
O economista, entretanto, não acredita no fim do jornal impresso ou das revistas. Crê num modelo híbrido de valorização de conteúdos em papel e on-line, mas desde que a imprensa seja capaz de monetizar suas operações na web.
É um caminho árduo.
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