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Entradas etiquetadas como ‘redes sociais’

Acabou a comunicação de cima para baixo

Junho 20, 2009 · Deixe um comentário

Quando Clay Shirky fala, é melhor ouvi-lo.

O jornalista e professor da Universidade de Nova York _e hoje uma das principais autoridades em vida digital e as mudanças provocadas pela tecnologia_ faz uma bela análise sobre como redes sociais construídas em torno de sites de relacionamento (como Twitter e Facebook) e mensagens de texto (os populares torpedos) estão destruindo o conceito de comunicação imposto de cima para baixo, especialmente por governos autoritários que exercem rígido controle sobre a imprensa, digamos, “formal”.

É o que estamos assistindo no Irã, onde o povo protesta, na rede e nas ruas, contra o resultado das eleições que deram mais um mandato a Mahmoud Ahmadinejad.

Engraçado que ainda há empresas jornalísticas, dentro e fora do mainstream, que agem como esses governos autoritários. E que acreditam piamente serem o filtro universal entre os acontecimentos e seus leitores. Coitadinhos.

(via Certamente!)

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Como a internet mudou radicalmente a economia da notícia

Junho 5, 2009 · Deixe um comentário

O professor Paul Bradshaw, maníaco do avanço tecnológico e da comunicação on-line, descreveu, em 12 pontos, as mudanças mais significativas que a internet provocou no que ele chama de “economia da notícia”.

Recomendo a leitura integral do artigo, mas vou destacar algumas coisas que me chamaram a atenção.

Leia também: jornalista brasileira desafia bloqueio chinês à internet

Decisão judicial impede jornalistas de entrar onde ‘público em geral’ é barrado

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

Primeiro que, pícaro, Bradshaw celebra o fim dos monopólios _e também a criação de outros.

É evidente que o enterro do monopólio que menos interessava (o do jornalista como filtro universal entre os acontecimentos e o público) transformou definitivamente a profissão.

Mas o surgimento de monoculturas como Google e Facebook, para citar só duas, apenas mantiveram o status quo.

Bradshaw cita dois aspectos também importantes da revolução provocada pela tecnologia: primeiro, a explosão do consumo de notícias. Nunca se teve tanto ao alcance de tantos e por tão pouco (invariavelmente, zero). Depois, ele presume que a web deu a quem trabalha com notícias a noção exata de sua audiência (quem é, de onde vem, para onde vai).

Isso não é exatamente verdade: a internet é o meio pior auditado da história da comunicação. Basta dizer que, até hoje, não há consenso sobre a padronização a ser seguida num quesito simples como a avaliação do tamanho da audiência.

Mas tudo bem: tecnicamente, os meios existem. Os homens é que ainda não se entenderam.

A mudança mais importante, segundo ele, foi o surgimento de uma nova moeda, baseada em reputação, conhecimento e rede de conexões. Muito verdade. E tem tanto jornalista que ainda não percebeu isso…

O que mais será que mudou no jornalismo com a revolução tecnológica?

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Publicar só boas notícias é uma saída para o jornalismo?

Março 23, 2009 · 19 Comentários

O ponto de vista não é propriamente novo, mas é normal ressurgir em tempos sombrios, como o atual, de depressão após a turbulência econômica. Estou falando do uso da boa notícia como válvula de escape no jornalismo.

Mais de uma pesquisa já apontou que, além de saturadas das notícias, as pessoas estão especialmente saturadas de notícias ruins (seja o crash economômico ou mundo cão construído por pedófilos e assassinos).

É sobre isso que Paul Lamb escreve, citando como exemplos redes sociais construídas em torno de temas edificantes e até um projeto de jornalismo cidadão que só aceita “notícias felizes“.

Lembrei que a Folha de S.Paulo, há anos, chamava na primeira página sob o chapéu “boa notícia” a pauta “otimista” da edição do dia. No rádio, a CBN até hoje possui seção semelhante.

Resolveria o problema do declínio do jornalismo impresso? Respondo com uma reflexão: ele (o jornalismo) não estaria se desvirtuando caso optasse por uma agenda desse tipo?

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A primeira foto, na verdade, era a segunda…

Janeiro 16, 2009 · 6 Comentários

A aeronave pousada no Hudson, antes da chegada de balsas que ajudaram no resgate _de onde jornalista cidadão fez a segunda foto do incidente em Nova York

A aeronave pousada no Hudson, antes da chegada de balsas que ajudaram no resgate _de onde jornalista cidadão fez a segunda foto do incidente em Nova York

Nada como um incidente urbano (ou seja, com várias testemunhas) para recolocar o jornalismo cidadão e a comunicação em rede sob os holofotes. Desta vez, foi por muito pouco: o pouso forçado do avião em Nova York teve, talvez, uma única incidência registrada por uma pessoa comum antes da chegada, em peso, da grande mídia.

Registrada não, corrijo: publicada on-line (no caso, numa página do Flickr). Parece-me óbvio que outras tantas pessoas focalizaram a cena, ocorrida em pleno rio Hudson, só na frente da Ilha de Manhattam, diante de centenas de prédios de escritórios e janelas forradas de curiosos munidos de celulares e câmeras digitais.

A maioria destes flagrantes, porém, não chegam à Web porque seus autores fracassam ao compartilhar o conteúdo. Sua colaboração para em obstáculos pessoais, técnicos e circunstanciais.

Quando surgiu a segunda foto pública do acidente (confundida por gente muito experiente na Web como a primeira), já existiam imagens de agências de notícias (a Associated Press capitaneando) e câmeras de TV a vivo transmitindo o resgate dos 150 passageiros, todos com vida _essa sim a grande notícia do quase desastre.

Claramente esse pouso bem-sucedido esteve no limiar de derrubar o paradigma que minha amiga Mindy McAdams tão bem decretou, com minha total concordância: o breaking news (a notícia de última hora) estará on-line, sempre, antes do rádio e da TV e será sempre coberto, inicialmente, por jornalistas não-profissionais.

Quase que essa afirmação cai. Por minutos (normalmente leva dezenas, e bota dezenas, deles).

Nosso velho conhecido, o jornalista português Alex Gamela montou uma linha do tempo do incidente do ponto de vista do Twitter, o site de microblog mais acessado do mundo. Ali, 140 caracteres bastam quando se preenche o espaço com links úteis. É a expansão da informação, algo que nossos sites noticiosos desconhecem por medo de levar o usuário alhures e nunca mais recuperá-lo _sendo que é exatamente a prestação desse serviço um dos mais potenciais agregadores de público.

Minha curiosidade, desta vez, foi notar amadores (nota: gente que não é jornalista) disputarem ombro a ombro um furo. A agilidade das pessoas está cada vez mais impressionante.

E quem deu a informação primeiro (ao menos em imagem publicada on-line, vamos especificar bem)? Esta foto, tirada antes que a chegasse a balsa de onde este aqui registrou o resgate dos passageiros.

Aliás, a própria linha do tempo de Gamela registra a aparição desta foto primeiro (por acaso, transmitida por mim).

O público que publica, mais uma vez, mostrou-se útil para a imprensa tradicional. Cabe a ela colocar essa gente de vez para dentro do noticiário.

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Discussões para dar e vender

Janeiro 13, 2009 · 7 Comentários

Tem duas discussões bacanas correndo soltas na rede e eu, que gosto de sempre meter a colher, não perdi a oportunidade.

No Novo em Folha, a Ana Estela relembra o caso da frila de O Globo, agora cobrindo o conflito no Oriente Médio, que postou barbaridades (eram suas opiniões pessoais) num blog próprio. Olha só que loucura.

Eu sempre falo uma coisa: tome cuidado com sua vida pregressa on-line. O jornalismo é uma atividade pública. Usar um site pessoal para tomar posições políticas, religiosas e até sobre futebol (sobre futebol, aliás, evite, sua vida pode virar um inferno) exige ter a consciência de que certamente haverá um ônus.

O meu, quando critico veículos jornalísticos aqui, pode significar entrar na lista negra deles, não?

Pelos comentários lá no Novo em Folha, o povo acha que tudo bem, que seria uma invasão tomar uma publicação pessoal como algo público. Eu acho ótimo ter opinião. Mas lembre-se: é provável que a sua fique eternizada na rede e crie, no mínimo, algum tipo de obstáculo ou reparo ao seu desempenho profissional.

Em outra frente, estamos debatendo no Libellus, da Ana Brambilla, o discurso no microblog.

O ponto de partida foi um post da Ana _quem mais conhece sobre jornalismo colaborativo no Brasil_ comentando o levantamento de que 35% dos usuários do Twitter (o site de microblog mais acessado) tem até dez “seguidores”.

A minha posição (por ora, a discussão prossegue): eu tendo a relacionar a baixa conectividade a outros usuários como reflexo da qualidade da micropostagem _ou à ausência dela.

Na medida em que o que vc posta é útil (isso em primeiro lugar), interessante (do ponto de vista intelectual) ou divertido (sim, há espaço para humor no microblog), a teia tende a crescer.

E você, o que é que acha?

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Enxurrada de redes sociais

Novembro 26, 2008 · 1 Comentário

A Telefónica inaugurou, na Espanha (ainda sem previsão de chegada ao Brasil), a era das redes sociais corporativas. Com o Keteke, a empresa pretende reunir usuários do sistema de telefonia celular que estejam dispostos a se juntar em comunidades e trocar fotos, vídeos e informações.

Isso vai além do conceito de oferecer serviços e cobrar por eles, como já abordamos aqui. E tem bastante a ver com jornalismo, se pensarmos em antecipar tendências.

Veja, 70% dos espanhóis acessa ou já acessou uma rede social. É a quinta nação com mais usuários deste tipo de plataforma. O Brasil é o segundo, quase empatado com o líder, Canadá.

Isso significa que deveremos assistir, nos próximos meses, a uma enxurrada de novas redes sociais, várias delas postas no ar por grandes grupos de comunicação e tecnologia.

Reunir pessoas em torno de interesses comuns (e eles podem, por que não, ser notícias) é mais do que um negócio para vender acesso móvel ou na Web. É o caminho mais rápido para comunicar e mobilizar. Quem já percebeu isso, caso de Barack Obama, sabe muito bem do que estamos falando.

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Política via teclado

Outubro 29, 2008 · Deixe um comentário

A última edição da Wired (aquela revista maluca referência na Web e que em papel tem um design pra lá de arrojado, do tipo ame-o ou deixe-o) conta em detalhes uma história cujo moral você já imagina: turbinado pelo poder mobilizador das redes sociais, alguém fez alguma coisa acontecer.

O alguém em questão é o ativista político egípcio Ahmed Daher, 27, engenheiro civil de profissão. Milita partidariamente desde a vida off-line, sempre contra a Situação _o Egito é governado pelo mesmo mandatário, Hosni Mubarak, desde que Daher nasceu.

Ligado ao partido El-Ghad, o mais estruturado opositor do militar Mubarak, Daher utilizou o Facebook (rede social de quem volta e meia o Orkut, um de seus concorrentes menos expressivos, copia utilitários) para organizar um protesto pacífico no Cairo.

Em questão de dias, arregimentou mais de 70 mil pessoas para sua comunidade no site de relacionamento, foi perseguido, ameaçado e preso. A manifestação (e sua mensagem por democracia no país africano) foi um sucesso. O mensageiro, definitivamente, ajudou.

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Revista ‘atualiza’ reportagem de 2005

Junho 3, 2008 · Deixe um comentário

Interessante exercício fez a revista Business Week, que decidiu agora revisitar uma reportagem de capa de 2005 (”Os blogs vão mudar o seu negócio”). Constatação: não são apenas os blogs, mas as redes sociais _como Orkut, Facebook, You Tube e também os blogs_ que estão mudando a vida das empresas.

O veredicto é que as companhias estão perdendo o controle não apenas sobre seus funcionários (que usam a Internet para distribuir informações), mas também sobre os consumidores, que agora têm um poder muito maior de organização e, por causa disso, voz ativa nas corporações.

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Na hora da tragédia, as redes sociais funcionam

Maio 2, 2008 · 6 Comentários

Numa conversa na semana passada com o novo grupo de trainees da Folha de S.Paulo, fui confrontado num determinado momento (era o dia seguinte ao abalo sísmico sentido em São Paulo) com a opinião que, passado o hype, as pessoas se voltavam para a grande mídia em busca de informações apuradas _eu dizia que o microblogging tinha dado o “furo” sobre o tremor.

É, em resumo, a mesma opinião que Francisco Madureira, do Clico, Logo Existo, expressou.

Discordei. Insisto que procura o mainstream quem está habituado a ele _e, idem, fica na blogosfera, microblogging, redes sociais etc quem é usuário deles.

Um estudo publicado hoje na prestigiosa revista New Scientist joga luz num ângulo interessante desta questão.

Analisando dados após duas grandes tragédias nos EUA (os incêndios na Califórnia e o tiroteio em Virginia Tech), a professora Leysia Palen, da Universidade do Colorado, concluiu que os usuários da Internet foram capazes de prover informação fidedigna e relevante de forma mais rápida e precisa que fontes oficiais como a Cruz Vermelha, a Polícia ou os Bombeiros.

No caso do tiroteio em Virginia, a Wikipedia já dispunha, 90 minutos depois dos fatos, da relação dos mortos no massacre _coisa que o serviço público demorou horas para coletar e divulgar.

Nas redes sociais, como o Facebook, idem: informações disponibilizadas tempos depois por órgãos públicos já circulavam em questão de minutos na Web.

E o que o mainstream tem a ver com isso? Simples: paquidérmicos e desconhecedores das funcionalidades da rede, os jornais têm nas fontes oficiais seu objeto quase único de checagem de informações. A mídia que não acompanhou a circulação de notícias pela Internet nessas tragédias também informou mal _e a passos de tartaruga_ o seu público.

É preciso acontecer uma tragédia para que se perceba isso?

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O que os futuros jornalistas deveriam aprender na faculdade?

Abril 17, 2008 · 10 Comentários

Com a palavra, a professora americana Amy Gahran, que tem defendido (assim como eu) uma forte ênfase nas novas ferramentas on-line _e na habilidade gerencial dos alunos em admistrar idéias e negócios na rede.

O aspecto “econômico” das idéias de Gahran foi muitíssimo bem comentado pelo jornalista José Renato Salatiel.

A parte jornalística deixa comigo: a professora aponta, por exemplo, que simulações com ferramentas de administração de conteúdo são indispensáveis (como o trabalho com blogs que desenvolvemos em Jornalismo On-line).

Sua sugestão é que os alunos, reunidos em grupo, passem ao menos dois semestres alimentando e melhorando seus blogs _notadamente integrando-os a serviços como Flickr e Delicious.

Imersão em mídias portáteis, como estamos fazendo com o Twitter e com o Telog, é outra exigência atualíssima e indispensável.

Gahran cita como exercícios a inscrição a serviços de SMS disponíveis no mercado (para que possam ser criticados e avaliados pelos alunos) e também incentiva a participação em canais de colaboração dos grandes portais. Exatamente como fiz, pregando no deserto…

Outro ponto importante é o uso das mídias sociais (Facebook, Myspace, Orkut -arghhhhh!!!!) como instrumento de pauta e apuração, promoção do próprio trabalho e possibilidades de alcance externo.

Finalmente, entender a notícia como ponto de partida de um diálogo, não mais um discurso de mão única, é uma habilidade desejável no mundo jornalístico redesenhado pela tecnologia.

Agora, se você não souber como fazer um lide, meu amigo, desista.

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