Entradas etiquetadas como ‘redes sociais’
Qual o futuro dos blogs? É uma discussão importante, especialmente num momento em que as redes sociais estão, em boa medida, tomando o lugar dos diários pessoais e inserindo a conversação num aspecto verdadeiramente público e de duas mãos.
A conversa foi um dos temas centrais do World Blogging Forum, encontro realizado na segunda quinzena de novembro em Bucareste (Romênia).
Três conclusões básicas: os blogs, em sua maioria, não serão rentáveis; os governos e o poder político entrarão com força total nessa seara tentando utilizar a plataforma em seu benefício; e as redes sociais, com o Twitter na linha de frente, representarão uma ameaça à relevância da ferramenta.
Esta última, aliás, já se nota: há tempos os comentários se mudaram dos blogs para as redes sociais, O público discute em tempo real as observações/divagações dos blogueiros, sem precisar passar pela moderação no próprio blog gerador do conteúdo.
A blogagem em países não democráticos, porém, tende a manter sua importância especialmente na esfera externa, onde o resto da informação é blindada e nunca chega, ou demora muitíssimo a chegar.
Quem nos conta esse relato é Darío Gallo, editor geral do noticioso argentino Perfil.com.
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Na sexta-feira encerrei mais um pequeno curso (uma conversa, na verdade) sobre a era da publicação pessoal para a 48ª turma de trainees da Folha de S.Paulo.
É um pessoal que me pareceu bastante ciente sobre os novos desafios que a tecnologia impôs à profissão.
Os slides da aula (agradecimento especial ao amigo Sérgio Lüdtke)
O roteiro de links
Depois de uma sessão mais teórica, na semana passada, desta vez nos agarramos a exemplos (bons e ruins) de conversação e abertura para participação do público no mainstream.
Delícia lembrar o dia em que a ex-plateia, revoltada com o descaso e a ineficiência do veículo que acompanhavam, deu o troco e fez uma grande organização pagar muito caro.
Ou ainda perceber que, na lógica das redes sociais, as pessoas vêm sempre antes das instituições (algo que já virou um corolário, né?).
Mais: que o Twitter, diferentemente de todas as outras mídias sociais, não é construído com base em relações de afetividade e amizade. Todo o oposto: seu inimigo pode estar seguindo você.
Enfim, temos muito a aprender.
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Na semana passada eu comentei aqui sobre um insight da indústria pornográfica, que em meio à queda de faturamento provocada pela abundância de conteúdo gratuito na web decidiu transformar o que tinha de mais valioso (seu elenco de atrizes) num produto comercializado em várias frentes.
A NY Mag sugeriu que grandes corporações jornalísticas deveriam fazer o mesmo com seu staff, ou seja, valorizar e administrar a carreira dos profissionais, gerenciando todo seu potencial criativo em iniciativas como livros, palestras e carreira acadêmica.
É um passo nessa direção que o New York Times acaba de anunciar. O jornal incluiu vários de seus jornalistas no projeto Knowledge Network. Eles ministrarão mais de uma dezena de cursos com inscrições de até US$ 185.
Além de fidelizar e aproximar o público leitor, o jornal conta com essa cartada como mais uma fonte de ingresso de recursos.
Outro exemplo nessa linha é do jornal americano Arizona Star, que converteu seu principal cartunista, Fitz, num produto. Suas ilustrações estão em camisas, cartões, bottons, mousepads etc que podem ser adquiridos no próprio serviço on-line da empresa.
Dois bons exemplos de monetização que estão ao mesmo tempo dentro e fora da redação.
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Jorge Rocha, a propósito de festejar uma efeméride em seu “O Jornalismo Morreu!, provocou, e a vibrante Ana Brambilla, como sempre, comprou a briga cujas feridas Beth Saad já tinha exposto.
Em questão, reportagem do caderno Link, de O Estado de S.Paulo, dando conta da morte da blogosfera sob a alegação de que, por esgotamento da fórmula ou outras alternativas à plataforma, as pessoas simplesmente vão parar de blogar. Como se microblogar não fosse blogar.
Do ponto de vista da concepção da pauta, entendo perfeitamente a matéria. Assim como há gente, como Shirky, que recomenda a não utilização do termo ciberespaço (que originalmente significa um espaço diverso e separado do nosso, o que positivamente o ciberespaço não é), faz sentido pensar na obsolência do termo blogosfera a partir do momento em que todos publicamos o tempo todo.
A classificação, e só ela, provavelmente tenha sido passado para trás pela superpopulação num ambiente agora devidamente desbravado e absorvido. É o que pensa, também, a jornalista Alessandra Carvalho, outra convocada por Rocha a se manifestar sobre o tema.
Notem que, se há algum fim, ele é apenas semântico, de um termo. O ato de difundir/apurar/analisar informações via web não depende de mais de um movimento que ameaça abandonar o barco. O barco já está no meio do oceano.
Muito bem diz a Ana ao cravar que “entendo que ‘movimento’ seja um termo grandioso demais para designar os barulhos – ou mais uma vez, o buzz – produzido por um grupo de blogueiros que, em algum momento, quiseram ser ‘profissionais de uma ferramenta só’”.
Beth Saad vai adiante e realça o aspecto complementar das plataformas. “O que temos, claramente, é uma reconfiguração de objetivos, aonde o blog se identifica com o website de destino do usuário para aprofundamento da informação e conhecimento mais amplo da opinião autoral; o Twitter como a “plataforma de embarque” dos usuários da rede num dado tipo de conteúdo; e o Facebook e similares, como plataforma de diálogo e conversação complementar aos comentários postados no próprio blog – quase uma Ágora contemporânea.”
Se você vai deixar de blogar, certamente não será pela perda de eficiência da plataforma e sua incrível conectividade com redes sociais. Tudo é complementar. A mensagem se fragmentou em várias frentes.
O único problema nesse processo, de verdade, é você ficar sem palavras.
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A IBM bancou um caríssimo estudo acadêmico estatístico-matemático cuja finalidade é descrever o processo de transmissão de informação em redes sociais.Isso vale para notícia, insight, fofoca.
O resultado é uma joia, sob qualquer ponto de vista, pois permite determinar as principais características que controlam que tipo de mensagem é propagada, por quais grupos e em que velocidade.
Para tal, Jose Luis Iribarren (um dos gerentes da IBM) facilitou dados e hábitos de 31 mil consumidores da companhia. O matemático Esteban Moro, da Universidade Carlos III, coordenou a tabulação. É a primeira vez que dados reais de propagação de informação são organizados mediante modelos matemáticos.
Pena que surgiu do marketing a demanda: o interesse da IBM é saber como distribuir melhor informação comercial entre seus clientes (diga-se, bem suscetíveis a virais). Aplicada ao jornalismo, a fórmula matemática pode ser um potencial agregador de audiência.
Bom saber que a matemática, essa (por mim) ignorada, tem algo a acrescentar nestes tempos de mudança.
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Quando Clay Shirky fala, é melhor ouvi-lo.
O jornalista e professor da Universidade de Nova York _e hoje uma das principais autoridades em vida digital e as mudanças provocadas pela tecnologia_ faz uma bela análise sobre como redes sociais construídas em torno de sites de relacionamento (como Twitter e Facebook) e mensagens de texto (os populares torpedos) estão destruindo o conceito de comunicação imposto de cima para baixo, especialmente por governos autoritários que exercem rígido controle sobre a imprensa, digamos, “formal”.
É o que estamos assistindo no Irã, onde o povo protesta, na rede e nas ruas, contra o resultado das eleições que deram mais um mandato a Mahmoud Ahmadinejad.
Engraçado que ainda há empresas jornalísticas, dentro e fora do mainstream, que agem como esses governos autoritários. E que acreditam piamente serem o filtro universal entre os acontecimentos e seus leitores. Coitadinhos.
(via Certamente!)
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O professor Paul Bradshaw, maníaco do avanço tecnológico e da comunicação on-line, descreveu, em 12 pontos, as mudanças mais significativas que a internet provocou no que ele chama de “economia da notícia”.
Recomendo a leitura integral do artigo, mas vou destacar algumas coisas que me chamaram a atenção.
Leia também: jornalista brasileira desafia bloqueio chinês à internet
Decisão judicial impede jornalistas de entrar onde ‘público em geral’ é barrado
Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?
Primeiro que, pícaro, Bradshaw celebra o fim dos monopólios _e também a criação de outros.
É evidente que o enterro do monopólio que menos interessava (o do jornalista como filtro universal entre os acontecimentos e o público) transformou definitivamente a profissão.
Mas o surgimento de monoculturas como Google e Facebook, para citar só duas, apenas mantiveram o status quo.
Bradshaw cita dois aspectos também importantes da revolução provocada pela tecnologia: primeiro, a explosão do consumo de notícias. Nunca se teve tanto ao alcance de tantos e por tão pouco (invariavelmente, zero). Depois, ele presume que a web deu a quem trabalha com notícias a noção exata de sua audiência (quem é, de onde vem, para onde vai).
Isso não é exatamente verdade: a internet é o meio pior auditado da história da comunicação. Basta dizer que, até hoje, não há consenso sobre a padronização a ser seguida num quesito simples como a avaliação do tamanho da audiência.
Mas tudo bem: tecnicamente, os meios existem. Os homens é que ainda não se entenderam.
A mudança mais importante, segundo ele, foi o surgimento de uma nova moeda, baseada em reputação, conhecimento e rede de conexões. Muito verdade. E tem tanto jornalista que ainda não percebeu isso…
O que mais será que mudou no jornalismo com a revolução tecnológica?
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O ponto de vista não é propriamente novo, mas é normal ressurgir em tempos sombrios, como o atual, de depressão após a turbulência econômica. Estou falando do uso da boa notícia como válvula de escape no jornalismo.
Mais de uma pesquisa já apontou que, além de saturadas das notícias, as pessoas estão especialmente saturadas de notícias ruins (seja o crash economômico ou mundo cão construído por pedófilos e assassinos).
É sobre isso que Paul Lamb escreve, citando como exemplos redes sociais construídas em torno de temas edificantes e até um projeto de jornalismo cidadão que só aceita “notícias felizes“.
Lembrei que a Folha de S.Paulo, há anos, chamava na primeira página sob o chapéu “boa notícia” a pauta “otimista” da edição do dia. No rádio, a CBN até hoje possui seção semelhante.
Resolveria o problema do declínio do jornalismo impresso? Respondo com uma reflexão: ele (o jornalismo) não estaria se desvirtuando caso optasse por uma agenda desse tipo?
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