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O teto da igreja caiu, mas onde estava o jornalista cidadão que não viu?

Janeiro 19, 2009 · 15 Comentários

Há três dias falávamos aqui sobre a agilidade do cidadão jornalista (e até sua disputa pelo furo, como se viu no caso do avião que pousou no rio Hudson, em Nova York), e então neste domingo cai o teto de uma igreja evangélica em área densamente povoada (e cercada de prédios), em São Paulo, e a colaboração dos usuários é próxima do zero?

Como reagir a isso?

Enquanto escrevo (são 2h18 da madrugada desta segunda), há um mísero registro fotográfico no Flickr _que nem sequer evidencia, devido ao ângulo, a extensão da tragédia_, enquanto mesmo sob apelos, os guetos de jornalismo participativo dos grandes portais (Eu-Repórter, Minha Notícia, VC no G1 e Vc Repórter) não têm material algum produzido pelo usuário para exibir.

Nos sites de microblog, ao menos, a primeira menção ao incidente surgiu antes que Paulo Henrique Amorim desse a notícia de última hora na TV Record _que foi, até onde sei, quem deu o furo na grande mídia.

No You Tube, maior site de compartilhamento de vídeos, aparentemente há um único arquivo original, afora os tradicionais repliques dos canais do mainstream.

Nesta segunda voltarei ao assunto atualizando as coisa. Se você souber de algo que passou batido nessa análise inicial, avise. Quem sabe limpamos a barra do jornalismo cidadão tupiniquim? Por ora, baita fiasco…

ATUALIZAÇÃO: Voltei, conforme prometido. Tarde, mas voltei. E não há nada a atualizar. De fato, a colaboração no caso do desabamento do teto da sede da Igreja Renascer não teve nenhum episódio novo, nem nas plataformas independentes nem nos portais que oferecem o “gueto colaborativo”. De prático, sobrou a troca de impressões, na caixa de comentários, com Ana Brambilla, que acrescentou ingredientes saborosos para tentar entender essa ausência de jornalismo entre os cidadãos que presenciaram o fato.

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O triunfo do branco

Janeiro 7, 2009 · 3 Comentários

Detalhe da nova homepage do portal UOL

Detalhe da nova homepage do portal UOL

Com algumas horas de diferença, os dois principais portais brasileiros na Internet mudaram suas homepages _no caso do Terra, as capas internas também.

A constatação mais fácil e direta que se pode fazer é o notável triunfo do branco, uma tendência que vem acompanhando o redesenho dos sites de veículos noticiosos como o inglês Independent e o canadense Globe and Mail, apenas para ficar em dois exemplos.

No caso do UOL, a mudança teve motivação física: colocar mais conteúdo na página inicial (a empresa diz que o novo desenho permitiu 23% a mais de conteúdo). No Terra, tudo faz parte de um projeto (o Átomo) que está sendo tratado como uma “revolução” pela companhia.

Agora é o tempo que dirá se as alterações, de fato, terão implicação na vida dos internautas. Tudo que venha ao encontro da interação e da clareza na transmissão da notícia é muito bem-vindo.

Porém revolução mesmo, para quem trabalha com jornalismo na Internet, para mim é outra coisa: a adoção ampla, geral e irrestrita da linkagem externa. Creio nisso como o passo decisivo para um comunicação transparente, direta e utilitária.

Afinal, se o conteúdo é rei, a linkagem é a rainha. Sobre o “link journalism”, por sinal, quem tem as infos mais atuais é Scott Karp.

Detalhe da nova homepage do portal Terra

Detalhe da nova homepage do portal Terra

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Conversações sobre o microblog

Setembro 13, 2008 · Deixe um comentário

Deborah Micek e Warren Whitlock disponibilizaram na rede um simpático manual de compreensão do Twitter (prefiro sempre dizer microblog, o fato de usarmos mais o Twitter hoje é apenas um reflexo da quantidade de gente que está lá dentro).

Outro dia, em conversa com os trainees da Folha de S.Paulo, contei sobre a experiência de um canal de microblog que o jornal administrou durante os Jogos Olímpicos de Pequim. Com divulgação modesta (porém adequada) na edição impressa, arregimentou, em seu auge, 92 seguidores.

Falhou ao não convencer seus usuários a divulgá-lo massivamente, mas não fez feio _o portal Terra, que também possuía canal próprio, chegou a 276 fiéis. Um pequeno passo em se tratando de um jornal em papel e de uma mídia estabelecida na Web.

As atualizações do canal da Folha foram mais que o dobro maiores, e condicionaram o tom da cobertura do portal (que trocou o informal dos primeiros dias por teasers e chamadas como as que o periódico já fazia).

Outro aspecto positivo da experiência foi a liberdade de levar os usuários a lugares bacanas, não importa onde eles estivessem (é assim que deve ser um blog), amarra da qual o Terra ainda não conseguiu se libertar _qual a foi a última vez que ele te levou além de um site hospedado dentro dele?

Cobertura olímpica à parte, o microblog está aí para ser explorado. As eleições municipais, por sinal, são ótimo gancho.

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Jornalismo sem jornalistas (e notícias)

Junho 15, 2008 · 2 Comentários

O consultor Tiago Dória diz que o problema do jornalismo colaborativo (aquele em que o usuário faz suas próprias matérias) no Brasil é a adoção do modelo do Ohmynews, o site sul-coreano apresentado como a trincheira do cidadão sob o lema “cada cidadão é um repórter”.

“O contexto do OhmyNews é bem diferente. Na Coréia do Sul, a mídia é vista como conservadora e chapa branca. Existe uma demanda por veículos alternativos de comunicação e o OhmyNews é um deles. Por isso, as pessoas fazem questão de participar do projeto”, diz Dória ao site-projeto “Vc é a Mídia”.

Vejam, no Brasil a mídia é vista exatamente da mesma forma (conservadora e chapa branca) que na Coréia do Sul _aliás, trata-se de uma visão quase planetária. E isso não significou que o jornalismo participativo tenha superado a fase do “meu-cachorro-fez-xixi-no-poste” (a irrelevância do conteúdo enviado pelo usuário nacional ainda é de doer).

Mesmo com pesquisas do próprio “Vc é a Mídia” indicando na direção oposta, eu prefiro discutir sobre dados concretos os conceitos de notícia e relevância. Por ora, as experiências de colaboração no Brasil, especialmente em grandes portais, seguem pífias e desinteressantes.

Não por culpa, como sustentou Tiago Dória, da aplicação do modelo Ohmynews. Lá, inclusive em atitude que eu considero desvirtuadora da colaboração, o site está amestrando cidadãos para que eles se comportem como repórteres (coisa que tão cedo não vai rolar por aqui).

Além disso, há forte mediação profissional sobre o conteúdo apresentado. É assim também, por exemplo, nas experiências participativas de Terra e G1 _o “Vc é a Mídia” não conta, mas o material que você lê no ar foi profundamente editado e, na maioria das vezes, lembra vagamente a contribuição inicial, invariavelmente sem lide, pé ou cabeça.

É, essa história de jornalismo sem jornalistas ainda vai dar muito pano pra manga.

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Google é processado por roubar conteúdo

Maio 30, 2008 · 2 Comentários

Em bloco, jornais da Bélgica entraram na Justiça contra o que consideram armazenamento ilegal de conteúdo. O réu? Ele, o Google.

A questão já se arrasta desde o ano passado, quando o supermega site de busca (que realiza 98% das operações do gênero na Internet) perdeu ação em primeira instância. Os veículos querem indenização de 49 milhões de euros (mais de R$ 124 milhões). Em setembro, a Corte Suprema da Bélgica julgará a apelação.

O alvo da ação dos jornais belgas é o serviço Google News, objeto de freqüente disputa jurídica. No Brasil, por exemplo, o portal Terra conseguiu, por meio de um acordo, que seu conteúdo não fosse indexado. As empresas jornalísticas entendem que se trata de uso indevido de material protegido por leis de direito autoral.

No entedimento do Google, o serviço é uma espécie de favor, pois “aumenta consideravelmente a audiência dos sites noticiosos”, segundo afirmou um porta-voz da empresa.

Pode ser: The New York Times e Le Monde, só para citar dois casos, estão entre os jornais que saíram do sistema com a mesma argumentação e, meses depois, pediram para voltar.

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O Terra corrigiu, sim, seu erro; corrijo agora o meu

Maio 22, 2008 · 2 Comentários

Sim, o Terra embarcou na barriga histórica do avião que não houve, mas eu cometi um erro grave _e uma injustiça_ ao afirmar categoricamente que não existiu correção do deslize.

Sim, ela houve.

Agradeço à Cuca Fromer, gerente editorial do portal, que me alertou atenciosamente sobre a lamentável omissão que cometi.

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Jornalistas podem receber comissão pela audiência de suas matérias

Maio 12, 2008 · 1 Comentário

Os jornalistas que trabalham nos produtos on-line da Reed Business Information (RBI) poderão ser remunerados com base na audiência que alcance o conteúdo gerado por eles.

A medida, polêmica, está em discussão na empresa e “levará algum tempo para que faça sentido”, admitiu um de seus executivos, Jim Mutram.

A jornalistaiada, é claro, não gostou. Ver seu salário-base será reduzido e compensado com comissões sobre a audiência não é tão simples de digerir.

A RBI diz que bônus sobre page-views são comuns _de fato: no Brasil, por exemplo, o portal Terra é um dos remuneram sua equipe, uma ao vez por ano, com base em metas que incluem a quantidade de páginas vistas num determinado canal.

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Terra usa link patrocinado para vender notícias

Abril 29, 2008 · 4 Comentários

Até que ponto que um veículo deve usar recursos on-line para promover seu conteúdo editorial?

Usuários do Google que buscaram nesta terça-feira informações sobre o caso Isabela Nardoni encontraram, no topo da página de resultados, um link patrocinado do Terra Notícias chamando para a sua cobertura sobre a morte da garota _que fez exatamente um mês.

Com a estratégia, o Terra pôs seu produto no topo das buscas do site que realiza 98% das pesquisas mundiais na Internet.

É certo que sites (ou blogs) jornalísticos, se quiserem caminhar dentro dos limites da ética, devem evitar o uso de links patrocinados ou do tipo adsense em seu material noticioso.

O motivo? Bem, eles ludibriam o usuário escolhendo palavras equivocadas e os encaminhando a sites que muitas vezes nada têm a ver com a notícia em si. Mais: são aleatórios, e não se edita um produto jornalístico sem saber o que vai acompanhá-lo. Mais ainda: possui, entre seus clientes, picaretagens como o Total Shape (aquele que promete um abdôme tanquinho em apenas 15 minutos diários de papo pro ar), além de pornografia e outras ilegalidades.

Agora, o inverso (usar o link patrocinado para anunciar) me parece natural e nada constrangedor, como indagou o Leopoldo Godoy, que notou a propaganda ao fazer uma busca. Não difere em nada da propaganda comum que vemos, por exemplo, em revistas, jornais ou TV.

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O tremor, a interação e o microblogging

Abril 23, 2008 · 5 Comentários

São Paulo sentiu a força do tremor de 5.2 na escala Richter a 270 km de distância, e quando isso acontece (um fato que irrompe no cotidiano de muitos), o jornalismo participativo ganha destaque nos portais. É a ocasião em que a pauta, essa ferramenta quase esquecida no cotidiano das iniciativas que contam com a ex-audiência, surge e ordena o trabalho do cidadão jornalista, corrigindo grave distorção.

A priori, um terremoto sem danos não é fotografável, mas sim digno de registro em vídeo (coisas balançando sozinhas fazem tremendo sucesso). Na falta disso, sobram apenas os relatos. “Apenas” porque a gente sempre quer (e precisa ter) mais na Internet.

Na hora em que escrevo (0h45 desta quarta), só o G1 havia levado o assunto para sua página interativa. E ninguém, entre os portais que incentivam a interferência dos leitores, tinha vídeos “caseiros” para exibir.

UOL e Terra preferiram abrir fóruns de discussão. Estadão e O Globo, sempre ligados na liturgia da interação, nem sequer tinham pautado seus leitores sugerindo que enviassem material sobre o raro abalo sísmico genuinamente tupiniquim.

A Folha, que raramente incita o usuário a interagir, já estava lá de madrugada pedindo participação dos leitores.

Bem antes disso, quando a metrópole mal acabara de sacudir, o 8bitsemeio notava que o furo de reportagem, desta vez, foi do Twitter.

E viva o microblogging, ferramenta jornalística sim, e cidadã também, como não?

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