Entries tagged as ‘web 2.0’
Roy Greenslade, colunista do Sydney Morning Herald _e há 44 anos fazendo jornais de papel_ teoriza sobre o óbvio: que os jornalistas terão de dividir o seu território. Ele mal fala dos cidadãos (ou do conteúdo produzido pelo usuário), mas das exigências cada vez mais multimidiáticas impostas à profissão.
Isso já está acontecendo no mundo todo (em menor escala, é verdade, no Brasil).
Mas que os processos tecnológicos que levaram à Web 2.0 (que o professor Francisco Madureira não nos ouça) tiraram das mãos dos jornalistas profissionais a exclusividade sobre a apuração e filtragem do noticiário, ah, tiraram.
Restou aos “profissionais da comunicação” apenas legitimação e proteção que estão por trás dos grupos do mainstream.
Legitimação porque, diferentemente do cidadão “comum”, um repórter oficialmente constituído (digamos assim) tem permissão para abordar o governador ou conversar com atletas no vestiário após um evento esportivo, apenas para dar dois exemplos pobres.
E, quando sofre processos de fontes que questionam informações publicadas, têm respaldo jurídico da empresa que representa, tornando-se um pouco mais forte.
É só isso que restou. No mais, profissional e amador são exatamente a mesma coisa e têm acesso às mesmas ferramentas.
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Lembram que Tim O’Reilly (repito o mantra? Ok, o homem que cunhou o termo Web 2.0) foi questionado por que, durante uma entrevista que conduzia na sexta-feira em sua Web 2.0 Expo, pediu que a platéia mandasse perguntas via Twitter, mas não repassou nenhuma para o entrevistado (Jonathan Schwartz, presidente da Sun Microsystems)?
Houve quem notasse, repercutisse e ironizasse. Também, a justificativa do cara era pífia: “percebi que configurei meu Twitter para receber mensagens apenas das pessoas que eu acompanho”, esclareceu em dois tempos o constrangido Tim, horas depois do vacilo, na própria ferramenta de microblogging.
Daniel Terdiman, que pescou a rateada e a divulgou, insiste que O’Reilly não checou seu telefone em momento algum no transcorrer da conversa com Schwartz. O papa da web semântica, porém, assegura que sua falta de destreza, não de consideração, foi a responsável pelo incidente.
Num pedido de desculpas em seu blog, Tim ouviu de novo Schwartz e postou perguntas e respostas com as indagações feitas pela platéia no evento de sexta-feira.
A dúvida que ficou: será que O’Reilly já sabe manipular seu celular 3G e as ferramentas de microblog?
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Tim O’Reilly, o cara que cunhou o termo web 2.0 e alardeou ao mundo as benesses da nova tecnologia para a comunicação interpessoal, foi pego com a boca na botija durante entrevista que realizou com Jonathan Schwartz, presidente da Microsystems.
Entusiasta do poder de convergência das ferramentas on-line, convidou a platéia a fazer perguntas ao entrevistado via Twitter _plataforma de microblogging mais usada no mundo.
Pois bem: Daniel Terdman nos conta que O’Reilly não checou seu celular (por onde entrariam as atualizações via Twitter) NENHUMA vez durante a entrevista. Logo, não fez nenhuma pergunta sugerida pela audiência.
Bem depois, Tim apareceu no Twitter com uma história que, se verdadeira, prova que ele nem sequer sabe usar o microblogging.
A saia-justa ocorreu no evento capitaneado anualmente por O’Reilly, a Web 2.0 Expo.
Sobre o profeta da web semântica e o Twitter quem tem coisas boas a dizer é o Francisco Madureira, do Clico, Logo Existo. Primeiro, que o termo web 2.0 é uma balela.
E segundo: que é para eu me acalmar com relação ao Twitter, a quem me derreti em elogios no episódio do abalo sísmico em São Paulo na terça-feira.
O debate, como sempre, engrandece.
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Sucedam-me na tarefa de dar um nome em português para a “press-sphere” teorizada recentemente por Jeff Jarvis, um dos caras que melhor têm analisado as mudanças que a tecnologia está trazendo ao exercício do jornalismo.
Há dias eu devia algumas linhas sobre tese tão singela e, ao mesmo tempo, tão certeira. Por sorte, já houve quem tenha tentado decupá-la. E de forma tão crítica e lógica que também vale a pena escutar.
O desenho acima, por exemplo, mostra como era o mundo da produção da informação. Tínhamos o planeta, a mídia intermediando tudo e, por fim, nós, os pobres mortais, na base do organograma (é a representação mais simples e adequada que já vi na vida).
Pois bem, as conexões pessoais, profissionais e cidadãs atuais _turbinadas e capitaneadas pela web_ colocaram a mídia dentro de um conjunto de pessoas e instituições que se interrelacionam como se coexistissem numa grande bolha.
E só não enxerga isso quem não quer. Consumidores e empresas conversam em outro nível (a própria palavra “consumidor” já é considerada ultrapassada, pois sugere passividade, algo que positivamente não existe mais). O diálogo entre cidadãos e governo, idem, evolui positivamente.
Numa época em que pessoas comuns (a ex-audiência) agora podem relatar fatos acompanhados de fotos, vídeos e sons, por que achar que o modelo mídia-toda-poderosa-sem-questionamento se manteria intocado?
Daí Jarvis chegou à midiosfera. E ao gráfico abaixo. Vamos pensar sobre isso?

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