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Roy Greenslade, em seu blog no “Guardian”, aborda hoje um tema interessantíssimo _e que provoca torções de nariz na jornalistaiada profissional. “A verdadeira convergência é entre jornalistas e cidadãos (…). Não há nós e eles”.
Greenslade (ele próprio um jornalista veterano de redações) despeja uma série de conceitos que já conhecemos, como o fim do discurso de mão única e o acréscimo de novos personagens no jogo de construção do noticiário.
O interessante é que ele revela não estar mais tão certo sobre o futuro dessa convivência entre profissionais e amadores. “Antes”, diz Greensdale, “eu enxergava um grupo no centro, rodeado de blogueiros na periferia”.
É o debate do momento. Não são poucos os que acreditam que a mediação profissional no jornalismo seguirá, perene. Mas é fato que a disseminação dos publicadores on-line tirou das mãos destes “mediadores” seu poder monopolista sobre o noticiário.
A conclusão: convidados que fomos, por nosso próprio público, a dialogar, por que resistimos tanto em fazê-lo?
Vi no Tejiendo Redes.
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O jornalista segue com aquele problema congênito em aceitar que outras pessoas (no caso, o cidadão comum) façam o seu trabalho. Ainda mais quando a “plebe” recorre a artifícios que só nós, jornalistas espertos, podemos usá-los.
Se você não entendeu, escute: hoje qualquer um pode ser jornalista, perdemos o monopólio sobre a filtragem do noticiário, é uma situação irreversível e, portanto, acostume-se a ela.
O ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, toca diretamente no assunto ao lembrar o caso Mayhill Fowler, uma senhora de 61 anos que, travestida de funcionária de campanha, ouviu frases sensacionais de Barack Obama a correligionários e, depois, conversou reservadamente com o presidente Bill Clinton durante um ato público de sua mulher.
Em ambos, colheu depoimentos constrangedores e que tiveram repercussão entre os eleitores (Fowler escreve para o Off the Bus, do blog Huffington Post, um dos pioneiros na adoção de trabalho de não-jornalistas). O “Off the Bus“, por sinal, tem por trás o dedo do professor Jay Rosen, que teorizou a participação da “ex-audiência” no jornalismo atual.
Pois bem: assim como o Observatório da Imprensa, Lins da Silva entende que de alguma forma Fowler avançou o sinal ao não se identificar como jornalista diante de seus “entrevistados”.
“Ela fez um serviço público? Praticou bom jornalismo? Revelou à sociedade o que os políticos realmente pensam, mas não dizem em público? Ou foi antiética, desonesta, agiu sob a lógica de fins justificando meios? Faz sentido discutir ética jornalística nesse ambiente?”, fala ele, para logo concluir: “Se todos os valores humanos estão em xeque neste ambiente de múltiplas realidades, por que os do jornalismo sobreviveriam?” _o texto abre avaliando experiências jornalísticas virtuais no Second Life.
O que eu quero saber é o seguinte: e a febre da câmera escondida em programas como “Jornal Nacional” ou “Fantástico”? Neste caso tudo bem, não há conflito moral ou ético? Não se trata da mesma coisa?
Claro que sim. Mas o jornalista profissional pode tudo, inclusive omitir sua condição. Quando alguém faz exatamente igual, aí sim _só aí_ é um problema.
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O consultor Tiago Dória diz que o problema do jornalismo colaborativo (aquele em que o usuário faz suas próprias matérias) no Brasil é a adoção do modelo do Ohmynews, o site sul-coreano apresentado como a trincheira do cidadão sob o lema “cada cidadão é um repórter”.
“O contexto do OhmyNews é bem diferente. Na Coréia do Sul, a mídia é vista como conservadora e chapa branca. Existe uma demanda por veículos alternativos de comunicação e o OhmyNews é um deles. Por isso, as pessoas fazem questão de participar do projeto”, diz Dória ao site-projeto “Vc é a Mídia”.
Vejam, no Brasil a mídia é vista exatamente da mesma forma (conservadora e chapa branca) que na Coréia do Sul _aliás, trata-se de uma visão quase planetária. E isso não significou que o jornalismo participativo tenha superado a fase do “meu-cachorro-fez-xixi-no-poste” (a irrelevância do conteúdo enviado pelo usuário nacional ainda é de doer).
Mesmo com pesquisas do próprio “Vc é a Mídia” indicando na direção oposta, eu prefiro discutir sobre dados concretos os conceitos de notícia e relevância. Por ora, as experiências de colaboração no Brasil, especialmente em grandes portais, seguem pífias e desinteressantes.
Não por culpa, como sustentou Tiago Dória, da aplicação do modelo Ohmynews. Lá, inclusive em atitude que eu considero desvirtuadora da colaboração, o site está amestrando cidadãos para que eles se comportem como repórteres (coisa que tão cedo não vai rolar por aqui).
Além disso, há forte mediação profissional sobre o conteúdo apresentado. É assim também, por exemplo, nas experiências participativas de Terra e G1 _o “Vc é a Mídia” não conta, mas o material que você lê no ar foi profundamente editado e, na maioria das vezes, lembra vagamente a contribuição inicial, invariavelmente sem lide, pé ou cabeça.
É, essa história de jornalismo sem jornalistas ainda vai dar muito pano pra manga.
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Não há democracia na China, isso é fato.
E é engraçado como os meios de comunicação conseguem provar isso de forma cabal.
Quando o executivo Wei Wenhua foi brutalmente espancado e morto após filmar um confronto entre policiais e pessoas que protestavam contra a legalização de um depósito de lixo, a imprensa local passou batida. Nas horas vagas, Wei era blogueiro e “jornalista cidadão”, mas sua atividade era considerada “nociva” ao país.
Pois bem: hoje o “Diário do Povo”, jornal oficial do país, conta a história do estudante Zhang Qi, que após o terremoto de 12 de maio postou na Web informações sobre uma área próxima a sua casa que poderia servir como heliponto para as equipes de resgate, já que as estradas que levavam à região de Wenchuan tinham sido todas destruídas _é aquela história de as redes sociais funcionarem na hora da desgraça.
O jornal diz que Zhang é o exemplo de como a Internet pode ser usada para a disseminação de informação e informa que o país, com seus 1,3 bilhão de habitantes, possui 221 milhões de usuários ativos na rede.
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O desencanto com o Twitter (que andou off-line por horas nas últimas semanas) colocou em voga uma nova ferramenta de microblog: o Plurk.
Basicamente, ele possui as mesmas funcionalidades. A novidade é que suas atualizações aparecem dispostas como uma linha do tempo (as 24 horas do dia). Além disso, há uma coleção de verbos pré-determinados (ou seja, o usuário pode ganhar caracteres ao utilizar essa opção).
A ferramenta de mídia social está provocando buzz _assim como suas irmãs mais velhas.
Vamos acompanhar e ver o que o jornalismo pode fazer por ela. Já estou por lá.
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Essa eu vi no Twitter, e parece ser um tentativa bem-intencionada de se fazer jornalismo cívico _que está acima do “jornalismo cidadão”, o rótulo com o qual definimos conteúdo com viés jornalístico produzido pelo usuário da Internet.
O projeto se chama Witness (testemunha, em português) e claramente é bem mais do que jornalismo, mas documentação e denúncia, primordialmente. Sem show.
Apesar de ser uma ONG em que Peter Gabriel está por trás como um dos fundadores. Eu sou de um tempo em que personalidades nunca são bem-vindas.
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Depois do Ohmynews, que criou uma escolinha para ensinar os cidadãos a serem jornalistas, agora é a vez da Society of Professional Journalists, que faz, no dia 7, um workshop com a mesma motivação.
Entre os temas que serão tratados no evento estão noções éticas da profissão, bases da legislação de imprensa, ferramentas e novas mídias, orientações para pesquisa e apuração e técnicas de reportagem.
Ok, iniciativa bacana e tal, mas sou contra. O jornalismo cidadão está aí justamente para que fujamos dos vícios e modus operandi da mídia tradicional. Quando nos propomos a amestrar o cidadão, creio, fujimos também da oxigenação que ele pode trazer para a profissão com a adoção de métodos que não fazem parte do dia-a-dia das redações.
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O Youtube _criado à imagem e semelhança do brasileiro Videolog, que apesar de vindo ao mundo nove meses antes não teve nem de perto o mesmo sucesso_ lançou um canal específico de jornalismo cidadão.
A idéia não é apenas incentivar os usuários a produzir os próprios vídeos noticiosos, mas também fazê-los avisar os administradores do canal se há bom material “perdido” em outros cantos do site de compartilhamento de vídeos.
O discurso de apresentação da coisa é bonito, fala em “entrevistas com líderes comunitários” e tal, mas aposto que imagens de “meu cachorro fazendo pipi no poste” serão as mais abundantes.
O cidadão, quando se trata de jornalismo, se atrapalha todo. Não sabe que um cachorro mordendo um homem não é notícia, mas o oposto sim.
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Pré-candidato do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama concedeu no sábado uma entrevista em vídeo para a blogueira Erin Kotecki-Vest, que desde 2005 comanda um condomínio de blogs exclusivamente tocados por mulheres.
Saudada como a redenção do establishment à ascensão do amador nos meios de comunicação, a iniciativa não foi inédita. Por sinal, uma semana antes, foi o candidato Republicano, John MCain, quem deu uma coletiva a um grupo de blogueiros.
Muito antes, em dezembro de 2005, o francês Nicolas Sarkozy _então ministro do Interior de seu país_ recebeu Loïc Le Meur, também para uma entrevista em vídeo. Le Meur é um dos mais prolíficos jornalistas amadores da blogosfera francesa e, na época, Sarkozy estava no olho do furacão ao tratar jovens dos subúrbios franceses que protestavam contra a falta de empregos como “escória”.
O mérito de Kotechi-Vest, esse sim, foi usar princípios básicos do jornalismo cidadão em sua entrevista, ou seja, reunir uma série de questionamentos provenientes das próprias blogueiras, e tratar dos assuntos diretamente na entrevista com Obama. Foi o mesmo processo que barrou, no final do ano passado, entrevistas com as mulheres dos candidatos, oferecidas pelas campanhas.
Quando teve a chance, Le Meur posou de gostosão e desfrutou seus minutos de fama _o oposto de nossas amigas blogueiras dos EUA. É o fenômeno “quero ser famoso” que tanto incomoda e atravanca a evolução do processo colaborativo.
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Olha só o que vai rolar em Alexandria, no Egito, entre 15 e 17 de julho: mais uma convenção de colaboradores-contribuintes dos projetos da Wikimedia Foundation.
O cenário é nobre: a biblioteca da cidade, presumivelmente fundada três séculos antes do nascimento de Jesus Cristo. Hoje, ela possui 400 mil publicações _entre eles papiros de valor inestimável.
As coisas Wiki (a Wikipedia é a mais notória delas) estão sempre tentando freqüentar o ambiente dos textos em papel. No início, a briga era para saber quem era a mais completa e confiável, a Enciclopédia Britannica ou a Wikipedia?
Jimmy Wales concluiu que um levantamento que levava em conta apenas assuntos científicos (os mais cascudos e passíveis de deslizes e polêmicas, é verdade) servia como resposta.
Daí a Wikipedia se achou a dona do mundo. E seus administradores (que zelam por 7 milhões de verbetes) se acharam no direito de conceder privilégios e serem ativistas, censores, intolerantes, soldados e, uma parcela expressiva, pouco afeitos ao idioma (qualquer um dos 201 em que o produto é confeccionado hoje).
A Wikipedia terá até uma edição em papel (sepultando o conceito wiki, que significa rapidez de atualização e, mais importante, por várias pessoas ao mesmo tempo e em todos os lugares). Ou seja: a Wiki se encaminha para ser só Pedia.
Como me demoro com aquele artigo sobre o lado B dos projetos da Wiki Foundation, comecem se deleitando com a interessante polêmica entre um site católico e a enciplopédia “livre”.
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